Os ladrões

Por Paulo Botelho

 

Quase uma semana antes do apagar das luzes de 2015, deparei com a notícia estampada em quase todos os jornais: “Agricultor faz armadilha contra ladrão de mandioca e três são presos”.

Foi em Jardinópolis-SP, em um sítio às margens da Rodovia Anhanguera. “Já tem mais de seis meses que estão roubando a nossa mandioca. Nós não temos dinheiro para cercar o sitiozinho; e aí fica fácil para eles!”, disse Marilda, a mulher de Antônio, dono do sítio. Mas, Antônio preparou a surpresa. Fez uma armadilha com robustos pregos cravados em várias tábuas camufladas no terreno. Os ladrões já tinham colhido cerca de 60 quilos de mandioca. Ao fugirem, tiveram os quatro pneus furados. Mesmo assim, conseguiram chegar ao único posto de combustível do local; porém, foram seguidos por Antônio que já avisara a polícia.

Abordados pelos policiais, negaram o crime. Feita a revista no porta-malas do veículo, os policiais encontraram as mandiocas. “Estavam até com as folhas. Se for contar tudo, já roubaram umas 150 caixas de mandioca; quase R$10 mil de prejuízo!”, desabafou Antônio.

A mandioca é reconhecida como “Pilar da Civilização Brasileira”, ao lado do milho, do trigo, do arroz e do feijão. Ela já está custando em torno de R$ 1,90 o quilo nos supermercados; daí pode-se calcular o tamanho do prejuízo para quem toca a vida com tanta dificuldade.

Sonegadores de energia, tais ladrões de mandioca podem ser comparados a Cunha, Renan, Lula, FHC, Aécio, Dirceu, Cerveró, Carvalho, Collor et caterva.

Pero Vaz de Caminha, o escritor da frota que chegou ao Brasil com Pedro Alvares Cabral, já dizia em sua cartinha ao Rei D. Manoel de Portugal: “É uma terra muito fértil em que se plantando tudo dá”. – Entretanto, se não for incômodo, este escritor aqui pergunta: Para onde caminha o Brasil?

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor. www.paulobotelho.com.br

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