Manifestantes ameaçam acampar na Câmara se horário da sessão não mudar

Outra reivindicação do grupo é que da Tribuna Livre possam participar pessoas sem a necessidade de inscrição por vereador

 

A sessão ordinária realizada na terça-feira, 2, foi literalmente atípica. Ela ocorreu em cerca de 15 minutos e teve a presença de dezenas de manifestantes.

Quando os trabalhos se iniciaram e trecho bíblico começou a ser lido, como de costume, os manifestantes, representantes do Fórum Popular Acorda Bragança, MOB (Movimento Outra Bragança) e De Olhos Bem Abertos, ergueram cartazes que continham suas reivindicações e permaneceram em silêncio.

Em seguida, o presidente da Câmara, Tião do Fórum, prosseguiu com a sessão, passando à apreciação de atas de sessões anteriores e ao registro de correspondências recebidas. A partir de então, os manifestantes começaram a bradar “Queremos falar”. Eles repetiam o pedido em coro, cada vez mais alto.

Pelo Regimento Interno da Câmara de Bragança Paulista, o cidadão que quer participar da sessão ordinária, falando na Tribuna Livre, deve ser inscrito por um vereador. Membros dos manifestantes já participaram diversas vezes da Tribuna do Legislativo, em outras ocasiões. Desta vez, porém, não haviam feito a inscrição, mas cobravam, aos gritos, que lhes fosse dada a palavra.

O vereador Tião do Fórum e os demais vereadores ignoraram os protestos, aprovaram a única moção em pauta, que pede que 10% do PIB (Produto Interno Bruto) seja investido em Educação, e encerraram os trabalhos, por volta das 16h30.

Os protestos, porém, prosseguiram. “O povo quer falar, não pode ignorar”; “Devolve meu dinheiro”; “Ih, fora”; “Tá com medo”; “Covardes”; “Vem trabalhar”; “Ê, ê, ê, nunca mais vai se eleger”; Cadê o caráter?”; “Não, não, não nos representam” e “Se o povo não falar, vamos acampar” foram outros gritos ouvidos na tarde dessa terça-feira, na Câmara. Houve inclusive, cobrança direta a uma vereadora, com relação à devolução do valor referente à verba de gabinete, que existiu há alguns mandatos e não existe mais. O Ministério Público está cobrando que os vereadores que usufruíram da verba a devolvam, mas o caso ainda está na Justiça, sem uma definição.

Alguns vereadores permaneceram em plenário e tentaram negociar com os manifestantes. Após cerca de 20 minutos, o presidente Tião do Fórum informou os presentes que daria a palavra a eles, mas somente na próxima sessão, com a devida inscrição. A resposta dos manifestantes foi que queriam falar naquele momento.

Um dos integrantes do grupo disse que o advogado do ex-prefeito Jesus Chedid, certa vez, usou da Tribuna mesmo sem prévia inscrição. Por causa disso, cobrava que a palavra fosse aberta a eles.

Alguns representantes do movimento continuaram as negociações. Vereadores e funcionários da Câmara explicaram que a sessão já havia sido encerrada. Portanto, se a palavra fosse aberta naquela tarde, não ficaria registrada em ata da sessão, nem mesmo seria transmitida via internet, pelo portal do Legislativo.

Ainda assim, ficou definido que o professor Rodrigo Mendes Rodrigues leria, naquela tarde, uma carta aberta e que, na sessão do dia 10 de julho, estaria inscrito para falar na Tribuna Livre.

E foi isso que ocorreu. Rodrigo leu a carta, que criticava o horário da sessão e os gastos da Câmara e cobrava a mudança de horário das reuniões ordinárias, que atualmente é às 16h, para horário não comercial; mudança no Regimento Interno da Câmara, para que não haja necessidade de inscrição por vereador para participar da Tribuna Livre; fim do voto secreto, que atualmente existe para vetos; audiência pública para o transporte coletivo, com indicativo de auditoria nas planilhas financeiras apresentadas pela empresa Nossa Senhora de Fátima; e devolução aos cofres públicos da verba de gabinete, por parte dos vereadores que dela usufruíram quando ela vigorou.

O representante dos manifestantes informou, ainda, que eles pretendem acampar na Câmara, na próxima semana, caso os projetos de mudança no horário da sessão e do que eles chamam de “Tribuna realmente livre” não sejam incluídos na pauta.

Rodrigo também disse que no dia 11 de julho haverá outra manifestação popular na cidade.

Por volta das 17h10, a manifestação foi encerrada. Foi então que a bandeira do “movimento ordeiro e pacífico”, levantada pelos manifestantes, foi guardada. Um jovem na plateia ergueu a voz e disse que não gostou de ter sido chamado de “pelego” por um membro do grupo. Ele disse que participou do MOB há dois anos e não admitia isso. O outro jovem que teria atribuído o adjetivo a este que demonstrava inconformismo teve de ser segurado por outros manifestantes, sob pena de que cenas de agressões físicas fossem registradas.

Mas os ânimos logo se acalmaram e o grupo se dispersou.

A Guarda Municipal acompanhou a sessão durante todo o tempo e a Polícia Militar também esteve presente.

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