Neste domingo, 10, comemora-se o Dia das Mães. Nesses 12 anos de história, o Jornal Em Dia sempre procurou abordar temas que representassem os mais diversos perfis de mulheres que escolheram ser mães ou foram agraciadas com a graça da maternidade.
Neste ano, o tema escolhido foi o de “mães trabalhadoras”. A redação conversou com Aline de Oliveira da Silva, Adélia Cristina do Nascimento Maria e Margarida do Nascimento Maria, que contaram um pouco sobre a rotina que levam para conciliar o trabalho com a vida pessoal, especialmente de mães.
Conheça um pouco sobre essas histórias.
ALINE, MÃE DE BRENO E ANA CLARA
Aline de Oliveira da Silva tem 27 anos, é auxiliar de escritório contábil e tem dois filhos: Breno Maciel Leme, de seis anos, e Ana Clara Maciel Leme, de cinco meses.
Ela contou que teve o primeiro filho com 21 anos e que, na época, já trabalhava. Por isso, assim que soube da gravidez, ficou preocupada, sem saber como iria conciliar o trabalho com a vida de grávida. “Mas aí acabei me desdobrando, dando um jeito, e deu tudo certo”, afirmou.
As duas gravidezes de Aline foram tranquilas e, assim, não houve interferência na rotina de trabalho. Apesar disso, a ideia de dar uma pausa na vida profissional fez parte de seus pensamentos, especialmente na segunda gravidez. “Mas depois vi que minha filha era tranquila e que iria dar para continuar trabalhando”, comentou.
Sobre as mudanças que ocorreram em sua vida após o nascimento dos filhos, Aline disse que hoje não vive mais para si, e sim, por Breno e Ana Clara. “A mudança foi radical, porque não vivo mais por mim, vivo por eles. Minha dedicação a eles é integral, o tempo todo, no trabalho também, primeiro eles e depois o meu trabalho”, explicou.
O escritório contábil em que Aline trabalha é da família de seu marido. Por isso, ela pode levar os filhos junto, o que acaba tornando a rotina bem diferente da maioria das mães trabalhadoras, que não têm essa opção e chegam a passar o dia todo longe dos pequenos. “Eu tenho que trabalhar e eu posso levá-los comigo, não preciso colocar em uma escola, tenho a liberdade de levar e ficar com eles. E acaba sendo gostoso porque entre um intervalo e outro você acaba brincando, descontrai o ambiente. Até os clientes chegam e acabam brincando com eles também, é diferente, quebra um pouco aquele clima sério demais, descontrai bastante”, detalhou.
Aline também falou sobre a rotina atual, que começa bem cedo, quando ela acorda e começa a arrumar os filhos. Até no escritório, ela coloca Breno e Ana Clara em primeiro lugar. “Tenho que acordar e me preparar para cuidar deles, arrumá-los. Vou para o escritório e é primeiro eles novamente, é escola, lição de casa, para depois eu sentar e resolver minhas coisas, mas é sempre eles em primeiro lugar. Chego de volta, tenho que fazer janta, dar banho e a hora que todo mundo dorme, descansa, aí é que vou cuidar de mim”, resumiu.
Na opinião de Aline, a principal dificuldade no dia a dia de mãe trabalhadora é manter a casa organizada. “Cuidar deles não é difícil, mas exige muita da gente. Tenho o Breno de seis anos, que me chama toda hora, tenho a Ana Clara que não chama ainda, mas que toda hora precisa de mim e tem um monte de serviço para fazer. Tem hora que falo “vou deixar tudo e não vou fazer nada, vou ficar só com eles”, mas tem hora que entro em desespero e falo “tenho que fazer minhas coisas, não tem outra pessoa para fazer”. É complicado conciliar tudo, mas a gente tem que se virar nos 30, não tem o que fazer”, contou, acrescentando que vale a pena: “Vale a pena, não me arrependo em nenhum momento de ter tido meus filhos, não me arrependo de nada, tudo pra mim valeu a pena até agora”.
A reportagem também quis saber de Aline qual é a parte mais gostosa da maternidade e ela foi categórica em dizer que é a descoberta do amor verdadeiro. “O mais gostoso é que você descobre o que é amor verdadeiro, você sabe o que é amar de verdade e o que é ser amado e a importância que você tem na vida de um ser. Você chega de manhã no berço e ela abre aquele sorrisão como se você fosse a coisa mais importante do mundo, e de fato você é. Ela dá aquele sorrisão e fica doida quando me vê. O meu filho também, ele vem, ele dá aquele abraço e diz “mãe, você é linda”, isso é o mais gostoso, o mais gratificante, essa é a maior prova de tudo, é amor, e é amor sincero, sem interesse de nada, isso que é amor de verdade”, disse Aline, emocionada.
A mãe de Breno e Ana Clara afirmou que não adiaria a maternidade se pudesse voltar atrás e escolher fazer isso. Em sua opinião, a maternidade não é uma escolha simplesmente da pessoa, mas de Deus.
Por fim, Aline deixou sua mensagem para este Dia das Mães. “Um feliz Dia das Mães, que todas as mães possam viver esse dia de uma forma bacana, alegre, do lado dos seus filhos, independente dos problemas, das dificuldades, a gente sabe que os filhos são as nossas maiores riquezas. Que a gente possa se unir, possa viver numa boa, não só hoje, porque acredito que Dia das Mães são todos os dias já que a gente se dedica 100% a eles, ama incondicionalmente. Minha mensagem é para que a gente possa viver em paz, que os filhos reconheçam esse amor de mãe e que a gente possa viver bem”, concluiu.
ADÉLIA, MÃE DE ADELE
Outra mãe trabalhadora com quem o Jornal Em Dia conversou foi Adélia Cristina do Nascimento Maria, que tem 44 anos e é professora da rede municipal. Na verdade, a conversa com Adélia envolveu também sua mãe, Margarida do Nascimento Maria, mas a reportagem contará a história de cada uma delas de forma separada.
Adélia é mãe de Adele Marques, de 10 anos, e teve sua filha aos 34. Quando decidiu ser mãe, ela já trabalhava e confessou que se assustou um pouco com todas as responsabilidades que acabam surgindo com a maternidade. “A gravidez foi uma escolha, quis ficar grávida, mas com essa escolha vem toda a responsabilidade e essa mudança na rotina acontece mesmo. Você fica no início com a preocupação de conseguir continuar se dedicando ao profissional e se dedicar também como mãe. Então, no começo, a gente se assusta um pouquinho com toda essa projeção de ser mãe e continuar trabalhando o dia todo, mas aos poucos a gente vai conseguindo”, contou.
Para Adélia, a gravidez trouxe algumas interferências na rotina de trabalho, já que teve enjoos frequentes durante todo o período. O importante, conforme recordou, foi que ela pôde contar com a compreensão de seus alunos. “Na época, lecionava no período noturno e aí pegava a estrada grávida, com barrigão. E tive enjoos frequentes, até quase o finalzinho da gravidez, mas contei muito com a compreensão dos meus alunos. Às vezes não estava muito bem, tinha que sair um pouco da sala, mas aí você vai levando. O interessante é que quando você tem uma relação verdadeira com os alunos e eles participam também da sua história, eles entendem, dá tudo certo”, observou.
Como é concursada, Adélia disse que até pensou em parar de trabalhar para cuidar da filha, porém, se tomasse essa decisão, teria de recomeçar a carreira do zero quando quisesse voltar ao mercado de trabalho. Ela optou, então, por continuar trabalhando e, na época, lecionava em uma escola que tinha berçário. Assim, pôde levar sua filha para a mesma unidade em que trabalhava. No período em que não estava na escola, Adele ficava com a avó, Margarida. “Sempre tive e tenho até agora minha mãe que me ajudava e ainda ajuda. Mas a gente sofre com a distância, sofre por não poder participar de todos os momentos com a criança, das descobertas, e aí você precisa aproveitar cada minutinho que você tem com eles. Mas sempre tive sorte de ela ser muito bem atendida pelas minhas colegas de trabalho”, afirmou Adélia, que enfatizou que sua mãe sempre esteve a seu lado.
Conciliar a maternidade e a vida profissional não é tarefa das mais fáceis. Na visão de Adélia, o mais complicado é organizar o tempo e separar os problemas do trabalho para resolver no trabalho, bem como os da casa para resolver em casa.
A rotina de mãe trabalhadora é bastante corrida. A de Adélia inclui o trabalho nos períodos da manhã e tarde e ainda os afazeres da casa. Mas, ela ainda encontra tempo para fazer Pilates enquanto Adele pratica ginástica artística e as duas fazem natação juntas. “Aproveito para fazer atividade física enquanto ela faz a dela, porque não dá pra gente fazer sem ter os filhos direcionados para alguma coisa ou com alguém de confiança. Então é um pouco difícil conciliar também essas necessidades que a gente tem enquanto mulher com a função de mãe e além de tudo conciliar com essa rotina de trabalho diário”, mencionou.
A mãe de Adele também contou que a principal dificuldade que tem para lidar com a ausência da filha, devido ao trabalho, é a vontade de participar mais. “No meu caso, a dificuldade maior é lidar com o sentimento de frustração. Eu queria participar mais da vida da minha filha, esse desejo de ser mais presente na vida dela, em todas as etapas, curtir cada momento, estar junto, ensinar e muitas vezes não estou presente em todas essas situações. Quantas vezes há reunião de pais e não posso ir ou é uma comemoração? Quantas mães que trabalham e passam por isso? É uma comemoração do Dia das Mães e elas não podem estar presentes com o filho na escola, então, esse sentimento é o mais difícil pra mim. A gente que é mãe quer estar presente, acompanhar a vida deles o máximo possível, mas infelizmente em função de trabalhar e saber da necessidade de trabalhar para prover benefícios para o filho, para que ele tenha, não o melhor, mas cada vez coisas melhores que a gente teve, não podemos. A gente sempre projeta no filho benefícios melhores que a gente teve. Para isso você precisa trabalhar. E pra gente também, enquanto mãe, é importante termos esse nosso lado profissional, a gente se sente útil”, explicou.
Adélia revelou, emocionada, que a melhor parte da maternidade é aprender a amar. “Só sendo mãe para você aprender a amar realmente. Eu aprendi a valorizar minha mãe a partir do momento que eu fui mãe, ser mais carinhosa com a minha mãe, aprender a amar de uma forma que é inexplicável, é uma ligação de amor para sempre, amor de um jeito único”, apontou.
A mãe de Adele ainda considerou que não adiaria a opção de ser mãe para priorizar sua profissão. Ela também observou que todas as mulheres deveriam ter essa experiência, seja por meio da maternidade biológica ou da adoção de crianças.
Adélia também deixou sua mensagem para este domingo, 10. “Que a gente possa, por menor que seja nosso tempo, que ele seja um tempo de amor, de relação de amor com nossos filhos e que a gente possa crescer neste amor a cada dia”, finalizou.
MARGARIDA, MÃE DE ADÉLIA, ANDRÉIA E ADRIANA
Margarida do Nascimento Maria tem 71 anos. Hoje, ela está com uma rotina mais tranquila, já que os filhos cresceram e que não tem netos pequenos. Porém, até aqui, sua trajetória de mãe trabalhadora não foi nada fácil.
Margarida é mãe de Adélia, 44 anos, Andréia, 42, e Adriana, 39. A primeira filha nasceu quando ela tinha 26 anos e, na época, ela trabalhava em casa, fazendo serviços de tricô e salgados, atividades que ajudavam a complementar a renda da família. “Foi difícil, mas consegui, graças a Deus”, contou.
Para criar as filhas, Margarida sempre trabalhou, especialmente fazendo salgados e vendendo na rua. “Quando Adélia tinha sete anos, ela entrou na escola, aí coloquei Andréia e Adriana na Casa da Criança, lá na Santa Terezinha, do padre Aldo. Eu pagava um pouco por mês e deixava as duas lá o dia inteiro, para eu poder trabalhar. Aí à tarde, ou eu ia pegá-las ou meu marido ia. Levava de manhã e à tarde pegava. Me virei bem até elas se formarem”, comentou.
Sobre as gravidezes, Margarida recordou que não fez pré-natal das duas primeiras filhas. “Na primeira gravidez, da Adélia, passei muito mal, até desmaiava, quando meu marido chegava eu estava desmaiada no chão, aí que ele ia me acudir. Mas nem pré-natal eu fiz dela porque era tão difícil, a gente não tinha como pagar. Nem dela e nem da Andréia, só fiz da Adriana porque aí já tinha faculdade aqui e fiz o acompanhamento durante os nove meses. Graças a Deus todas nasceram de parto normal, foi tudo bem”, explicou.
Margarida apontou que quando as filhas eram pequenas ela trabalhava a semana toda e, no fim de semana, lavava e passava as roupas, além providenciar a comida para todos da casa. “Eu trabalhava a semana inteira. Quando chegava o fim de semana, lavava toda a roupa, e não tinha máquina, passava toda a roupa delas, providenciava as comidas que elas gostavam. Quando elas iam pro Carnaval, fazia os lanches e deixava no freezer para elas comerem. Até hoje elas lembram disso que eu fazia e deixava tudo prontinho. Fazia com o maior gosto, deixava de fazer para mim para fazer para elas”, revelou.
Apesar da necessidade de trabalhar, a rotina com as filhas era de bastante carinho. Margarida disse que não desgrudava de Adélia, Andréia e Adriana quando as meninas chegavam da escola. E, então, a mãe enchia as filhas de carinho e mimos. De acordo com Adélia, Margarida sempre foi muito carinhosa e um jeito de demonstrar todo esse amor era fazendo as comidas que ela e as irmãs gostavam. “Ela sempre faz tudo o que todo mundo gosta, ela chegava a fazer três pratos diferentes porque cada uma gostava de uma coisa. E ela sempre fez com o maior carinho, sem reclamar, era a forma de ela agradar a gente”, testemunhou a filha mais velha de Margarida.
Sobre a rotina atual, Margarida contou que agora está mais tranquila e pode viajar. Ela tem um casal de netos gêmeos que ajudou a cuidar e que já tem 20 anos e participa diariamente da vida da neta Adele, pois fica na casa da filha Adélia na parte da manhã. Depois que faz o almoço e arruma a cozinha, Margarida vai embora para sua casa, onde mora com a filha mais nova. “Já fiz muita atividade, mas agora não estou fazendo mais porque estou com artrose nos ombros, então não posso fazer muito. Mas estou mais calma, aproveitando mais a vida, viajando e cuidando dos netos. O casal de netos que ajudei a cuidar tem 20 anos. O menino está na faculdade, a menina fez alguns cursos de gastronomia e já está trabalhando. O que eu posso fazer por eles eu faço”, afirmou.
A principal dificuldade enfrentada na vida de mãe trabalhadora, para Margarida, foi a falta de alguém que pudesse ajudá-la. “Eu não tinha ninguém para me ajudar, não tinha mãe, minha mãe morava em São Paulo, mas ela nunca fez nada por mim nem por elas, então me virei sozinha, não foi fácil. Por isso, que agora, não nego ajuda a minhas filhas, peço pra Deus me dar saúde para olhar por elas, ajudar elas. É muito difícil não ter ninguém para ajudar a gente”, observou.
Na opinião de Margarida, a melhor parte da maternidade é ter os filhos por perto, saber que está tudo bem com eles. Ela disse que agradece a Deus todos os dias porque as filhas estão bem. “Graças a Deus, para mim isso é uma vitória”, ressaltou.
A mensagem de Margarida para este Dia das Mães foi a seguinte: “Queria que todas as mães fossem muito carinhosas com seus filhos, porque hoje em dia tem mães e tem mães, tem muitas que até matam seus filhos e acho que isso não é ser mãe. A gente tem que ter muito amor. Adoro minhas filhas, tenho paixão por elas. Acho que todas as mães do mundo deveriam amar seus filhos como Maria amou Jesus”, encerrou.
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