Foto: Divulgação
news-details
Evento

Edith Cultura exibe mais um filme da Mostra de Cinema Indígena neste domingo

O Edith Cultura está dedicando o mês de abril à Mostra de Cinema Indígena, dentro da programação do Cine Garagem. A primeira sessão contou com a exibição de Bicicletas de Nhanderú, que possibilitou uma imersão no mundo Mbya-Guarani, com todos seus dilemas, na aldeia Koenju, em São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul.

Neste domingo, 14, o Cine Garagem exibe “O mestre e o divino”. Gratuita, a sessão começa às 19h30, na sede do Edith Cultura, que fica na Rua Cel. João Leme, 229, Centro, em Bragança Paulista.

Confira a análise de Anahy Verde sobre a Mostra de Cinema Indígena:

UM CONVITE PARA PENSAR A CONSTRUÇÃO DO BRASIL

(texto de Anahy Verde)

Qualquer pessoa que se disponha a resistir no Brasil deve dedicar sua atenção aos povos indígenas. Sistematicamente marginalizados há séculos, suas histórias de conflito se repetem ao longo de gerações e territórios. Lidando coletivamente com a expropriação das bases de suas culturas e o risco do apagamento de sua história, lhes é negado o direito à cidadania, o respeito pela diferença. Organizam-se, resistem, ainda assim. Com a Mostra de Cinema Indígena, procuramos evocar uma reflexão sobre os tipos de relações sociais envolvidas na confecção dessa malha, que une todos nós.

Produções atuais, os filmes são trabalhos realizados por parcerias entre indígenas e não-indígenas. Para o público não-indígena, o contato permite acesso a um universo muitas vezes desconhecido, narrado com propriedade e retratado de forma sensível. Perceber a ignorância em relação aos diversos povos que habitam este país revela como não há entre nós uma cultura brasileira de valorização das culturas indígenas (ainda que nos esforcemos em promover essa imagem mundo afora).

Projetos como o Vídeo nas Aldeias trabalham por uma nova construção da imagem, instrumentalizando grupos para que possam compartilhar suas experiências com o mundo através do audiovisual. Entre si, a mobilização gerada causa uma renovação nas formas de comunicação entre as tribos e de transmissão das histórias e tradições. Ao prestigiar essas narrativas, damos lugar a um entendimento mais profundo sobre os contextos que habitam(os).

É necessário compreender nossos lugares de responsabilidade em todas as instâncias possíveis. Revisar a História e trazer a tona os mecanismos de produção de desigualdade que perpetuaram relações de dominação, por onde nossa sociedade se constrói. O racismo age por todas as frestas das relações. Passa, inclusive, pela normalização da situação de vulnerabilidade na qual um grande contingente da população indígena se encontra no Brasil hoje. Uma guerra silenciada, em constante renovação, através de estruturas políticas colonialistas de séculos passados.

SERVIÇO

Cine Garagem

Mostra de Cinema Indígena

Sempre às 19h30

Domingo, 14 - O mestre e o divino

Quinta feira, 18 - As Hiper-mulheres

Domingo, 21 - Martírio

Domingo, 28 - Xapiri

Todas as sessões são gratuitas com colaboração espontânea.

Você pode compartilhar essa notícia!

0 Comentários

Deixe um comentário


CAPTCHA Image
Reload Image