Discursos dos vereadores em sessão evidenciam que vários problemas seguem sem solução

Na terça-feira, 30, foi realizada mais uma sessão ordinária na Câmara Municipal de Bragança Paulista. Com exceção da exaltação do vereador Noy Camilo, que dirigiu críticas ao secretário municipal de Cultura e Turismo e aos moradores de apartamentos administrados por empresa de sua propriedade, a sessão refletiu o que já vem acontecendo rotineiramente: reivindicações e agradecimentos dos vereadores, além de alguns comentários de inconformismo com algumas situações recorrentes.

A pauta da reunião foi invertida e, assim, foram votados os projetos: que revoga a Lei Complementar nº 720, de 02 de dezembro de 2011, que autorizou a doação de terreno à empresa LOP - Indústria e Comércio de Roupas Ltda.; e que denomina vias públicas do Conjunto Habitacional Bragança Paulista L.U. (Lotes Urbanizados), no Jardim Águas Claras. A Rua 01 passa a se chamar Rua Dom Bruno Gamberini; a Rua 02 recebe o nome de Rua José Felisberto de Souza; a Rua 05 fica denominada como Monsenhor Tito José Felice; a Rua 11 ganha o nome de Rua Dom Antônio Pedro Misiara. As propostas receberam aprovação unânime.

Em seguida, iniciaram-se as manifestações dos vereadores.

José Gabriel Cintra Gonçalves contou que mais uma vez a secretária municipal de Saúde, Estela Gianesella, pediu a realização de uma reunião extraordinária da Comissão Permanente de Saúde da Câmara e faltou ao encontro. O vereador disse que das seis vezes que Estela havia sido convidada a ir ao Legislativo ou precisava estar presente para prestar contas, compareceu a apenas três das reuniões. “Estela está levando as coisas devagar demais. Vejo o Fernão fazendo de tudo para melhorar a Saúde, mas a parte administrativa da Saúde não vai nem com reza brava”, apontou Gabriel.

O vereador explicou que a prestação de contas que a Secretaria de Saúde tem de fazer à Câmara é uma determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e que antes a pasta enviava aos vereadores os dados antes da reunião. Assim, era possível que eles fossem analisados pela equipe de Finanças da Câmara e que no dia do encontro possíveis dúvidas fossem sanadas. Desta vez, conforme contou, os dados não foram enviados com antecedência e não foi possível entender a explanação feita.

Como presidente da comissão, Gabriel disse que não aceitou a prestação de contas e que vai avaliar os dados com mais calma. Ele disse também que a secretária Estela ficou de comparecer à Câmara na próxima quarta-feira, 8. “Se não mudar a administração da Secretaria de Saúde, vamos morrer na praia”, opinou o vereador.

A pesca com redes no Tanque do Moinho foi o assunto abordado pelo vereador Marcus Valle. Ele disse que já denunciou o fato em outras ocasiões, mas que a prática voltou a ocorrer e, por isso, cobrou fiscalização.

Marcus expressou sua revolta quanto à reportagem “Irmão de assassino de Chico Mendes apoia Marina”, publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, em 29 de setembro. O vereador afirmou que a matéria mostra que o jornal é adepto do jornalismo marrom. “Não sabia que o Estadão tinha chegado a esse nível”, declarou.

Além disso, Marcus comentou a afirmação homofóbica do candidato a presidente Levy Fidelix durante um debate. Há entidade pedindo a cassação e até a prisão de Levy pelo fato, mas Marcus afirmou que ele não cometeu crime algum. “O nível de hipocrisia do politicamente correto está absurdo”, considerou.

A vereadora Fabiana Alessandri disse que a Administração, em parceria com a Sabesp, está fazendo a extensão da rede de água no Caetê. Ela solicitou o mesmo benefício para o Curitibanos e Bom Retiro e contou que o próximo bairro a receber a melhoria é o Jardim Amapola.

Fabiana também afirmou que teve uma reunião com representantes da empresa de telefonia Vivo e que pediu que fosse resolvido o problema dos moradores do Biriçá do Valado, que constantemente ficam sem sinal. A resposta foi que a empresa está fazendo a troca da tecnologia para que haja melhora no sinal.

A vereadora ainda solicitou operação tapa-buracos para a Rua Plínio Dallara, no Jardim São Miguel, e elogiou o trabalho dos médicos da UBS (Unidade Básica de Saúde) Biriçá do Valado, que estão promovendo palestras com os moradores a fim de passar dicas sobre prevenção de doenças e a importância da mudança de hábitos.

A assinatura do convênio entre o governo do estado e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para o financiamento da obra da Rodovia Bragança/Socorro foi o assunto tratado pela vereadora Gislene Cristiane Bueno.

Já o vereador Jorge Luís Martin voltou a abordar o problema da demora na marcação e realização de exames. Desta vez, a reclamação foi sobre exames de campimetria.

O edil falou também sobre o Congresso Regional de Turismo, realizado na USF (Universidade São Francisco), na última segunda-feira, 29. Jorge mencionou que o município deveria se preparar e se estruturar para receber turistas nas Olimpíadas que se aproximam. Ele observou que é necessário maior integração da Secretaria de Cultura e Turismo com os estabelecimentos comerciais e rede hoteleira, haja vista que há eventos que acontecem e que não chegam ao conhecimento desse público, que poderia se tornar parceiro na divulgação.

Foi então que Jorge perguntou a Noy Camilo, que até havia pouco tempo era secretário de Cultura e Turismo, se existia um calendário de eventos na pasta, o qual pudesse ser enviado ao comércio e rede de hotéis.

Noy, em vez de responder ao questionamento, teceu duras críticas ao atual secretário, Quique Brown. “Quem muito meteu o pau e agora não está fazendo mais que o calendário ou nem está fazendo os eventos que estão no calendário. Chegar à semana do 7 de setembro e dizer que não sabe fazer o 7 de setembro é de se espantar, mas a mim não espanta”, declarou.

Natanael Ananias elogiou a realização da Feira de Tecnologia promovida pelo Sesi na última quinta-feira, 28. Ele também fez um pedido de informações sobre as câmeras de monitoramento. Além disso, o vereador contou que o problema abordado há alguns meses, de esgoto escorrendo a céu aberto na Avenida Alziro de Oliveira, ainda persiste. O esgoto é proveniente dos apartamentos do Lote 1 e Lote 2, localizados ao lado do Conjunto Habitacional Henedina Cortez. “Os transtornos continuam, o mau cheiro também e nada de positivo tem acontecido”, apontou.

Esses apartamentos são administrados pela empresa Dynamica Camilo, de propriedade do vereador Noy Camilo, que então se manifestou. De acordo com ele, a Dynamica Camilo é responsável pela água do local e não pelo esgoto, que seria de responsabilidade dos síndicos de cada bloco. Mesmo assim, recentemente, houve um entupimento da caixa de esgoto do Bloco 1 e ele acionou uma empresa para fazer o desentupimento. Foi encontrado um lençol no local e uma semana depois, novamente a caixa estava entupida, pois havia uma toalha. Noy disse que os moradores precisam ter consciência e saber que não se pode jogar tudo na rede de esgoto.

Outro problema nesse conjunto de apartamentos é que a rede de esgoto não está interligada à rede pública, da Sabesp, o que agrava o problema em casos de entupimento. “Os moradores precisam ter mais consciência, as pessoas precisam ter mais educação”, atacou Noy, afirmando que só falta os condôminos jogarem a mãe pela rede de esgoto.

Natanael quis saber, então, se a empresa de Noy, como administradora do local, tem promovido campanhas de conscientização.

Noy respondeu que os moradores só sabem exigir seus direitos, mas têm ciência das regras do condomínio, portanto, deveriam colocá-las em prática e afirmou que “síndico não é babá” dos condôminos.

Natanael argumentou que é preciso sim promover campanhas educativas a fim de que a maioria dos moradores não pague pela minoria que acaba gerando esses transtornos.

Apesar do evidente desconforto de Noy com a cobrança de Natanael, vale registrar que a empresa Dynamica Camilo cobra taxa mensal de R$ 50,00 para a administração dos 280 apartamentos dos Lotes 1 e 2.

Por fim, discursou o vereador Paulo Mário Arruda de Vasconcellos. Inicialmente, ele anunciou o adiamento da reunião da Comissão de Segurança, que seria realizada no dia 6. Ainda não foi estabelecida nova data. Depois, contou que se surpreendeu com a publicação de um documento na Imprensa Oficial do município, informando que a locação de relógios de ponto vai custar mais de R$ 1 milhão. De acordo com ele, cada aparelho desses custa em média R$ 7 mil.

Paulo afirmou que a secretária municipal de Finanças, recentemente, apresentou as contas do município à Câmara e que ele identificou um déficit de R$ 42 milhões. Ela teria esclarecido as dúvidas e mostrado que o déficit real é de R$ 12 milhões. Citando a discrepância de valores sobre a locação dos relógios de ponto, Paulo considerou que assim “não há dinheiro que resista”.

O vereador, então, ressaltou que faz um ano que denunciou ao Tribunal de Contas do estado (TCE) de São Paulo suposta irregularidade em concurso promovido pela Prefeitura. Na época, Paulo suspeitou que o Executivo havia “pulado etapas”, já que em menos de um mês contratou o instituto, publicou edital e começou a receber inscrições para o certame. Porém, um ano depois, ele não obteve resposta do Tribunal, o que o leva a crer que estava certo em sua suspeita.

Os vereadores Mário B. Silva, Miguel Lopes e Rita Valle não compareceram à sessão, que terminou às 17h40.

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