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SUB-VERSÃO

De mãos dadas!

“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

1 Coríntios 13:4-7

“Não me tire daqui, minhas filhas estão segurando minhas mãos”, disse o pai, soterrado, após as fortes chuvas que caíram sobre as cidades mineiras, causando devastação e mortes.

E eu chorei ao assistir à reportagem. Esse pedido, feito assim tão drasticamente, dilacerou meu coração. Tive que segurar as lágrimas. Quem é que faz um pedido desses? Um pai!

Imagino a reação do bombeiro ao ouvir esse pedido, logo ele, que foi treinado para salvar vidas, via-se agora diante de um pedido esdrúxulo, quase que um pedido suicida. Um pedido insanamente amoroso.

Como é que aquele pai poderia aceitar ser puxado para fora dos escombros, quando suas pequenas haviam depositado nele toda sua confiança diante da iminente morte? Não, eu o compreendo, ele não podia mesmo soltar as mãos delas. Soltar a mão significa desistir, abandonar, entregar à própria sorte, e quem ama não faz isso.

Desejei me juntar a ele, queria milagrosamente ter o poder de, atrelando minha própria mão à dele, ser capaz de, delicadamente, puxar os três daquelas pedras. Trazê-los à liberdade de novo. E que não houvesse um arranhão sequer naquelas mãozinhas. Que houvesse de novo, o calor reconfortante das mãos do Pai, e apenas isso.

Eu, que amo Minas, choro com os mineiros a dor dessa água toda, tão violenta, como já chorei outrora quando da lama maldita daquela barragem.

Sonho com o dia em que meus irmãos mineiros não me causem mais choro; logo eles, que são tão carinhosos e hospitaleiros, logo eles, que têm esse sotaque que mais parece música, e um “cafézin” e um “pãozin” de queijo sempre à mão. No coração dos mineiros cabe o Brasil.

Por isso, meu desejo mais sincero é que nosso país se una em compaixão de nossos irmãos, mas mais do que isso, que cobremos ações preventivas contra esse tipo de “desastre natural”. Não o considero desastre, de fato, tampouco natural, uma vez que poderia ter sido evitado.

Que possamos olhar para as mudanças climáticas com a seriedade que o tema exige. Que possamos voltar a ver Minas com olhos de encantamento, o encantamento que ela sempre provocou em nós, e não com pena, não com raiva, não com impotência.

Que não soltemos as mãos generosas de Minas! Que possamos retirar muitos pais e mães mineiros dos escombros em que nosso descaso os colocou, mas que quando os puxemos, seus filhos saiam junto, de mãos dadas!

E que assim sigamos, de mãos dadas, como o povo solidário e empático que somos!

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