Priscila do Nascimento Costa é uma bragantina que está tentando fazer a diferença no mundo. Atualmente com 31 anos, ela está em Dublin, capital da República da Irlanda, e elaborou um projeto para tentar melhorar a vida de pessoas que ainda utilizam fogões a lenha para cozinhar, na Índia.
A família de Priscila ainda vive em Bragança Paulista. Como ela mesma se descreve, em seu perfil no Catarse, uma plataforma on-line de financiamento coletivo, ou em inglês, crowdfunding, sua família tem origens humildes, sua mãe é costureira e seu pai, motorista de caminhão. “Meus avós eram jardineiros e meus bisavós agricultores e tenho um orgulho danado disso. Isso nunca foi um empecilho para me dedicar na busca dos meus objetivos”, completa Priscila em seu perfil.
Aos sete anos, ela participou da primeira atividade escoteira, com incentivo de seu avô, e estava plantada ali a semente da vontade de trabalhar com causas sociais. Ela conta que atuou como membro do grupo escoteiro e voluntária por 20 anos.
Em 2012, Priscila se formou em Relações Internacionais na Universidade Anhembi Morumbi, por meio de uma bolsa integral de estudos oferecida pelo Prouni (Programa Universidade Para Todos), do governo federal. Um ano depois, concluiu uma certificação internacional em negócios sociais no Yunus Business Center. Ainda em 2013, ela atuou como voluntária no projeto Brasil27, uma jornada colaborativa de estudos nos negócios de impacto social bem-sucedidos em todo o Brasil.
Mas foi em 2014 que Priscila decidiu seguir seu coração e sair pelo mundo para aprender a falar inglês e também desenvolver projetos sociais que fizessem a diferença. Assim, aproveitando que foi demitida, ela vendeu tudo o que tinha e embarcou para a Irlanda, onde atuou cinco meses como voluntária em sete fazendas orgânicas, buscando aprender mais sobre pequenos empreendedores na área de agricultura.
Com inglês fluente, Priscila se candidatou ao Programa Idex Global Fellows 2015, um dos melhores programas internacionais para jovens que buscam experiência no setor de inovação social em mercados emergentes e, entre mais de 1.700 inscritos, do mundo todo, foi uma das 20 pessoas selecionadas, ou seja, ela pode ser a primeira brasileira a participar do programa.
O Programa Idex Global Fellows 2015 é realizado na Índia e já ajudou mais de 130 jovens de todos os cantos do mundo a trilharem caminhos profissionais no setor de inovação social e sustentabilidade. Por meio dele, jovens são treinados a desenvolver e pôr em prática projetos que auxiliam e facilitam a vida de pessoas que vivem em áreas carentes de recursos básicos, como comida, educação ou eletricidade.
O projeto elaborado por Priscila se chama “Jornada Noegenesis”. Trata-se de uma jornada colaborativa que começa na Índia, em julho de 2015, e durará um ano. A palavra colaborativa foi usada porque a bragantina pretende compartilhar toda a experiência adquirida, dividir os conhecimentos conquistados ao longo do programa com o maior número de pessoas empreendedoras.
Na Índia, 66% da população não têm eletricidade e 25% não têm combustíveis limpos para cozinhar. São milhares de pessoas que dependem de lenha, carvão e outros combustíveis que causam poluição para cozinhar.
“E não se trata apenas de cozinhar. Além da poluição pela queima de biomassa, os fogões à lenha comprometem a segurança, aumentam as zonas de desmatamento florestal e causam severos impactos na saúde daqueles que inalam a fumaça”, conta Priscila.
Os dados pesquisados pela bragantina dão conta de que em 2012 houve 4,3 milhões de mortes ligadas à poluição em ambientes fechados em casas onde há fogões de biomassa, madeira e carvão, o que representa mais mortes do que pela Aids ou outras enfermidades, como a malária.
Sensibilizada, Priscila desenvolveu o “Jornada Noegenesis”, que consiste em tentar melhorar a vida de pessoas que ainda utilizam fogões a lenha para cozinhar.
O projeto está desenvolvido e a seleção no Programa Idex Global Fellows, que funciona como uma ponte entre os jovens e algumas empresas que inovam para melhorar a vida de suas comunidades e amenizar os impactos ambientais, foi conquistada. Agora, Priscila tem cinco dias para conquistar os recursos necessários para a realização desse sonho, pois precisa de ajuda para cobrir suas despesas durante sua participação no programa. Por isso, ela inscreveu seu projeto no site Catarse, que permite que pessoas solicitem apoio financeiro on-line. Antes de ficar à disposição para receber doações, o projeto inscrito passa por avaliação e o de Priscila foi aprovado.
Ela tem de juntar R$ 20.571,00 e já conseguiu, até a tarde desse sábado, 13, R$ 11.330,00. É mais do que a metade, mas o valor ainda é insuficiente. Por isso, o Jornal Em Dia está divulgando a história e pedindo a colaboração de todos que se sensibilizem com a causa.
O valor mínimo para doações é de R$ 10,00 e mais informações, bem como as doações, podem ser feitas por meio do portal: https://www.catarse.me/pt/jornadanoegenesis. Colabore e ajude a mudar o mundo!
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