Cerimônia contou com a comemoração e o desabafo dos envolvidos no processo, que teve início em 2010
No final da manhã de sexta-feira, 31, um ato singular e bastante aguardado entrou para a história de Bragança Paulista, mais especificamente para a história do prédio que já abrigou o primeiro teatro do interior do estado de São Paulo, o Carlos Gomes, além de instituições de ensino, como o Colégio São Luiz e o Colégio Técnico João Carrozzo. Foram assinados, no gabinete da Prefeitura, o contrato e a ordem de serviço para a obra de reforma e restauro do prédio histórico.
Presentes à cerimônia o prefeito João Afonso Sólis (Jango), o vice-prefeito Luiz Gonzaga Pires Mathias, secretários municipais, o diretor técnico da empresa Flasa Engenharia e Construções, engenheiro Eduardo Marcial Zamboim, além de representantes dos Conselhos Municipais de Cultura, Turismo e de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural, e do MOB (Movimento Outra Bragança).
Logo de início, foi assinado o contrato, pelo prefeito Jango e o representante da empresa Flasa, que será responsável pela obra. O investimento será de R$ 6.792.998,21 e o prazo para término dos serviços é de 450 dias, ou 15 meses. “Hoje é uma data histórica para Bragança”, disse o prefeito enquanto assinava o documento.
Então, a ordem de serviço foi assinada pelo prefeito e pelo secretário municipal de Obras, Claudimar Nagib. O engenheiro Eduardo Marcial Zamboim assinou um comprovante de que estava recebendo o aval para dar início à obra.
O diretor técnico da empresa Flasa, que venceu a licitação realizada há um ano, foi o primeiro a usar a palavra. Ele contou que os serviços devem se iniciar dentro de dez dias no prédio do Colégio São Luiz. Eduardo destacou que a Flasa pertence a um grupo de empresas que engloba, por exemplo, a Água Bioleve. Segundo o engenheiro, o grupo atua há mais de 35 anos no mercado e a Flasa já fez restauros de outros prédios históricos em Pedreira e Espírito Santo do Pinhal, além de obras em cidades da região, como em Amparo, onde foi responsável pelo trecho 3 do Parque Linear Águas do Camanducaia, e Serra Negra. “É um imenso prazer estar colocando os pés em Bragança Paulista. Espero que nós possamos trazer todos os benefícios possíveis para a cidade”, declarou, parabenizando a equipe da Prefeitura pela atuação no impasse jurídico que se formou sobre a obra e acrescentando que cultura, educação e lazer são as coisas que mais a sociedade precisa atualmente.
Em nome do MOB, Guto Ninni La Salvia se manifestou, dizendo que as assinaturas do contrato e da ordem de serviço para a obra do Carrozzo eram o final de uma grande batalha. Ele frisou que o MOB não nasceu por questões político partidárias, mas para lutar pelos anseios da população, como pela cultura da cidade. Guto ainda destacou que o projeto do Centro Cultural vai englobar espaços para todas as artes, o que vai fomentar a cultura de Bragança Paulista, formando uma sociedade mais crítica. Guto ainda parabenizou o prefeito Jango, o vice Gonzaga e o secretário de Cultura e Turismo, Raul Lencini, avisando que, independentemente de quem seja o próximo prefeito, o MOB continuará cobrando e torce para que a obra seja rápida.
Raul Lencini pediu licença ao prefeito para falar em pé. “É em pé que a gente comemora a vitória e hoje é dia de vitória”, justificou. O secretário contou que o maior problema enfrentado em sua pasta, desde que a assumiu, foi a polêmica em torno da obra de reforma e restauro do Colégio São Luiz. Raul disse que tudo o que ocorreu nos últimos anos sobre o assunto causou muitas feridas, em muitas pessoas, especialmente no vice-prefeito Gonzaga Mathias. “Mas o que importa é que vamos dar início à obra, uma das obras mais marcantes da cidade”, disse. O secretário ainda destacou o papel de parte da imprensa e do MOB, cobrando a realização da obra e acompanhando o poder público de perto.
O vice-prefeito Gonzaga Mathias fez questão de deixar claro que sua participação no processo foi irrelevante e que tudo que já realizou na cidade sempre foi em equipe, que nunca fez nada sozinho. Falando um pouco sobre a história do prédio, Gonzaga destacou que ele foi construído há 117 anos e foi o maior marco urbano da cidade. “Não tem nenhuma construção aqui que fosse mais importante”, disse.
Nesse momento, a presidente do Condephac (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural), Luiza Maria Camargo Falcão, pediu licença para se ausentar, pois tinha compromisso. Antes de sair, disse que o projeto de restauro e reforma do Colégio São Luiz “é fiel aos anseios da população bragantina”. “O que mais a gente tem aqui em Bragança é arte e precisávamos disso”, declarou, referindo-se a espaços públicos.
O vice-prefeito retomou a palavra, contando um pouco sobre o início das ações para a conquista de verba e execução do projeto. Conforme lembrou, tudo começou em 2008, quando o prefeito Jango colocou a obra de reforma do prédio em seu plano de governo. Após fazer contato com vários arquitetos e com o DADE (Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias), Gonzaga disse que o prefeito Jango precisava de alguém que fizesse o projeto executivo. E, segundo o próprio prefeito, mais tarde, quando discursou, a Fupam (Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente) foi indicada pela Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS). “O prefeito conduziu tudo isso, foi dando os passos que precisavam ser dados”, enfatizou Gonzaga Mathias, dizendo que todos os secretários municipais tiveram participação em todo o processo.
Sobre os ataques da oposição, que não queria que a obra saísse, Gonzaga disse que foram acusações falsas, desonestas e mentirosas, que prejudicaram a cidade, pois nessa data já se poderia estar comemorando a inauguração do prédio, não fossem os contratempos enfrentados.
Falando do MOB e da participação de seus membros na cobrança para que a obra fosse iniciada, o vice-prefeito disse que os movimentos organizados podem mudar efetivamente o município. “Acho que são essas coisas que vão mudar a cidade, senão a canalhice toma conta da cidade. O que houve nesse processo foi uma canalhice, uma sem-vergonhice de ponta a ponta. São canalhas e a gente não pode afinar com canalhas”, destacou.
O vice-prefeito, então, pediu ao engenheiro Eduardo que a Flasa faça a obra do Carrozzo bem-feita e de preferência rapidamente e comemorou a vitória que a suspensão da liminar pelo Tribunal de Justiça do estado de São Paulo (TJ-SP) representa. “Essa vitória é do prefeito, é da cidade. Estamos aqui de cabeça erguida porque o processo foi sadio, foi honesto, foi reconhecido até pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, mas ainda mais, foi reconhecido pela população de Bragança Paulista”, afirmou.
Por fim, Gonzaga voltou a dizer que foi irrelevante, mas agradeceu por ter participado do processo. “Fui muito irrelevante para esse processo todo, mas obrigado por terem me dado a oportunidade de eu participar dele”.
O prefeito Jango também usou vários minutos da manhã para contar detalhes sobre a história do Carrozzo. Inicialmente, ele mostrou o panfleto de campanha eleitoral de 2008, no qual constavam 45 motivos para votar nele. “Tudo está cumprido”, enfatizou.
Então, o prefeito disse que sua equipe de governo encontrou uma ata do ano de 1959 em que o prédio do Colégio São Luiz foi doado para o município. “Mas no ano de 2005, ainda não era o meu governo, não sei por que o prédio foi comprado pela Prefeitura com dinheiro da Educação”, denunciou.
Jango destacou que pediu e obteve apoio do então governador José Serra para conquistar verba para a obra e também na descoberta de que a Fupam poderia ser contratada para fazer o projeto executivo sem licitação. “Quando assinamos o contrato com a Fupam, ninguém questionou, e aí depois falaram que tinha conluio. A questão era mais política porque a Praça do Matadouro ficou 100 anos parada e o Jango fez e foi com a mesma Fupam, mas ninguém questionou”, observou o prefeito.
Fazendo uma comparação entre outros prefeitos que já governaram Bragança, Jango disse que ele fez 321 obras até agora, enquanto os ex-prefeitos José de Lima e Jesus Chedid fizeram 94 e 76, respectivamente.
O prefeito mencionou os dados afirmando que parte da imprensa da cidade torce pelo quanto pior melhor. Jango citou que se enquadram nesse caso o programa televisivo Canal Direto e a emissora de rádio 102 FM. “Falem do erro, mas falem do acerto também. A minha alegria é que essa obra vai começar no meu governo”, disse.
Jango apelou ao engenheiro Eduardo que a Flasa comece a obra o mais rápido possível, afirmando ter receio de que alguém faça algo para derrubar de vez o prédio. O prefeito contou ainda que logo que o TJ-SP suspendeu a liminar que impedia o início da obra, entrou em contato com o deputado estadual Orlando Morando, que é do PSDB e amigo pessoal do proprietário da empresa Flasa, pedindo-lhe para que interviesse e pedisse ao dono da empresa que não desistisse da obra. “Pedi pelo amor de Deus que ele não desistisse da obra”, contou.
O prefeito Jango, então, desejou que o próximo prefeito tenha mais sorte que ele e adiantou que a herança que ele vai deixar é muito melhor do que aquela que ele pegou quando assumiu a Prefeitura, no final de 2005, após o então prefeito Jesus Chedid ser cassado. Jango também encorajou os membros do MOB a continuar lutando pelos interesses da comunidade. “Que vocês tenham a cidade acima dos interesses pessoais”, encerrou o prefeito.
O Jornal Em Dia conversou com o engenheiro Eduardo Marcial Zamboim, após a cerimônia, perguntando sobre estimativa para início das obras, após tantos apelos por rapidez. Ele afirmou que na segunda ou terça-feira desta semana já deve colocar tapumes ao redor do prédio, evitando a entrada de pessoas mal-intencionadas. A limpeza do local também já deve ter início nos próximos dias. A obra em si, segundo ele, começará entre os dias 10 e 15 de setembro. Sobre a possibilidade de realinhar o preço, Eduardo declarou que um levantamento será feito e a Flasa pedirá um reajuste com base nos índices de mercado, já que um ano se passou desde a licitação.
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