Contemplando Deus...

Ao lembrarmo-nos de que as misericórdias de Deus se renovam a cada manhã e que, cabe a cada dia o seu próprio mal, ousamos viver à base da confiança cega, naquela linha tênue que separa os homens gentilmente agraciados pelo amor, daqueles todos restantes pobres desgraçados, que vivem a busca incessante e insuficiente de satisfazerem a si próprio o tempo todo.

Neste ano que se finda, na correria alucinada das compras, na perpetuação do consumismo exacerbado, que nos lembremos da máxima do Natal e daqueles que verdadeiramente vivem o Amor e no Amor.

Que nos desfaçamos das sacolas e de todo peso que carregamos conosco, a fim de que nosso corpo esteja leve e nossa alma mais propensa a encantar-se com as sutilezas da vida, dessas com as quais muito delicadamente Ele nos presenteia diariamente. E com que beleza exuberante é que o faz!

São presentes infinitamente mais belos que tudo quanto o comércio e a evolução tecnológica possam nos oferecer. E, pasmem, são de graça, são Graça pura!

O Deus que se fez carne e habitou em nosso meio, não cansa de agradar-nos, tal qual um amante apaixonado à sua amada, a quem mima e de quem um sorriso já lhe vale todos os mais penosos esforços.

E assim, eu me rendo, ainda que sem compreender esse amor, que soa mesmo como uma insanidade, para nós, que ainda estamos aprendendo a amar. E me permito encantar-me todos os dias pela presença dele, tal como criança me deixo entreter por seus encantos e perco a noção da hora, inverto prioridades e me deleito no exercício prazeroso da contemplação da Poesia Divina.

Que nada, nem ninguém nos impeça de nos darmos esse presente, e diariamente, como se a própria vida dependesse dessa revitalização diária, como se a vida se nos escapasse quando longe de sua Graça, como se nossa própria respiração evocasse o Altíssimo, relembrando-nos daquele que em nós habita, daquilo que somos e nos tornamos nele.

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