Chuva acima da média deixa cidade em estado de atenção

A chuva que o povo tanto pediu chegou na última terça-feira, 23, em grande quantidade. Num período de 24 horas, choveu 98 milímetros, o que colocou Bragança Paulista em estado de atenção.

O estado de atenção é decretado toda vez que chove acima de 80 milímetros. O critério foi definido por meio do Decreto 1.984, de 1º de dezembro de 2014, publicado na Imprensa Oficial do município.

Na terça-feira, choveu durante o dia inteiro e a grande intensidade pluviométrica fez com que diversas ocorrências relacionadas a alagamentos e queda de árvores e muros fossem registradas.

A chuva em grande intensidade causou estragos, mas também conseguiu manter o nível da Represa Jaguari/Jacareí estável e até fez seu volume operacional subir nos últimos dias, o que não ocorria havia muitos meses.

No dia 21 de dezembro, o nível da Jaguari/Jacareí, principal represa do Sistema Cantareira, estava em 7,14%. O índice se manteve no dia seguinte e, a partir do dia 23, começou a subir gradativamente. Nesse sábado, 27, ele estava em 7,46%.

Também é possível notar no site da Sabesp que a entrada de água na represa aumentou significativamente nos dias 24, 25 e 26, o que contribuiu para a elevação do volume operacional.

Quanto às ocorrências registradas, a Prefeitura informou que, na terça-feira, a equipe da Defesa Civil de Bragança Paulista e também da Guarda Civil Municipal foram acionadas para atender chamados em alguns locais que registraram problemas com inundações, como o Popó, Green Park, a Avenida José Gomes da Rocha Leal, Rua 19 de Abril, no Centro, e Lavapés.

Especificamente no Popó, onde já é de conhecimento que há moradores em áreas de risco, o prefeito Fernão Dias da Silva Leme, a primeira-dama, Rosângela Leme, representantes da Defesa Civil, Guarda Civil Municipal e das Secretarias de Ação e Desenvolvimento Social, Obras, Serviços, Esporte e também da Divisão de Habitação estiveram no local a fim de verificar a situação. A Prefeitura disponibilizou o ginásio municipal de esportes e escolas municipais com colchões, cobertores, alimentação, bem como o transporte e caminhões para mudança para os que desejassem ir para outros lugares, como casa de familiares ou qualquer outro local que fosse seguro. Apesar disso, os moradores se recusaram a sair.

Vale registrar que mesmo antes das chuvas, já havia sido constatado que algumas residências no Popó estavam com sua estrutura comprometida e, por isso, precisariam ser desocupadas.

No Jardim Águas Claras, casas foram alagadas e a Defesa Civil constatou, dias depois, que cinco imóveis apresentavam fendas, trincas e rachaduras em decorrência da chuva do dia 23.

Muros caíram na Penha e na Avenida Norte-Sul e houve queda de árvores no Santa Helena e Portal das Estâncias.

Ocorreram também algumas danificações em asfalto, galerias de águas pluviais e na rede de esgoto, sendo acionada a Sabesp para solucionar esses casos.

A Prefeitura declarou em nota oficial que o Complexo Integrado de Segurança, Emergência e Mobilidade (Cisem) ficou responsável por verificar a situação do trânsito nas principais vias da cidade, o volume de água nos ribeirões e também encaminhar as equipes para os locais em que a população necessitava de auxílio.

O dia 23 terminou com uma reunião entre o prefeito Fernão Dias e representantes de todas as secretarias municipais a fim de discutir os trabalhos emergenciais realizados, bem como os atendimentos prestados e para o planejamento das ações no caso de novas ocorrências.

Na quinta-feira, 25, dia de Natal, voltou a chover, desta vez, com menos intensidade e por menos tempo, apenas 10,5 milímetros. Mesmo assim, houve novas ocorrências.

A Defesa Civil foi acionada para atender uma queda de muro e edícula em uma área de lazer de uma residência localizada na Rua Aparecida Maria de Deus, no Jardim Primavera, o que afetou uma construção na rua de baixo. Todo o entulho da residência caiu em uma obra localizada na Rua Trindade Acedo Paranhos. A ocorrência contou também com a participação de representantes da Secretaria de Serviços, Obras e com a Guarda Civil Municipal.

Outra ocorrência atendida no mesmo bairro pela equipe foi uma queda de árvore, na Rua Nélson Carlini. Ainda sobre queda de árvores, os agentes juntamente a voluntários e o Corpo de Bombeiros realizaram um atendimento no Caetê, próximo a Chácara Fernão Dias. A árvore caída atingiu a via pública, deixando aproximadamente 15 pessoas ilhadas. Após o trabalho das equipes na tarde de quinta-feira, 25, a via foi liberada para os moradores.

Também na tarde do dia 25, voluntários da Defesa Civil de Bragança Paulista e representantes das Secretarias de Ação e Desenvolvimento Social, Obras e Serviços e Guarda Civil Municipal, compareceram à Rua 19 de Abril, onde duas residências foram inundadas. Os moradores atingidos receberam colchões, cobertores e alimentos, mas mesmo com a orientação da equipe e o isolamento do local, se recusaram a ir para o abrigo municipal ou deixar o local para ir para casa de familiares.

Além disso, a equipe da Defesa Civil realizou vistoria em um imóvel onde havia ocorrido o desabamento do telhado e ocasionou o comprometimento das paredes da residência localizada no Água Comprida. O Popó continuou sendo monitorado pelos órgãos municipais e, na Rua Teixeira, uma casa invadida por água foi monitorada pela Secretaria Municipal de Obras.

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil emitiu um boletim com a previsão do tempo. De acordo com as informações divulgadas, neste domingo, 28, as condições pouco se alteram e o final de semana segue com forte calor em todo o estado de São Paulo possibilitando pancadas de chuva rápidas e localizadas entre o final da tarde e início da noite. É interessante registrar, porém, que não havia previsão de chuva tão intensa na terça-feira, 23, quando se previa chuva fraca e moderada.

A Defesa Civil e a Guarda Civil Municipal podem ser acionadas por meio do número 153, em caso de ocorrências. Os munícipes também podem procurar a Unidade de Pronto-atendimento (UPA) Dr. Valdir Camargo, na Vila Davi, ou chamar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) pelo 192. A Prefeitura pede o apoio de toda a população para  que não passe trotes e respeite o trabalho dos profissionais envolvidos.

Além disso, a Defesa Civil está realizando rondas no município e alertando os moradores de áreas de risco para que fiquem atentos a qualquer problema e também pede que todos sigam as orientações da equipe caso haja a necessidade de abandonar a residência.

É importante, ainda, verificar sinais de movimentações de terra, infiltrações na casa, rachaduras nas paredes e no chão. É de extrema relevância também que a população evite o acúmulo de lixo ou entulhos próximo à sua residência e não  jogue lixo nas vias públicas para evitar o entupimento dos bueiros (bocas de lobo) que dificultam o escoamento da água. No caso de enchentes, a orientação é evitar o contato com a água, a fim de evitar a contaminação com doenças.

Apesar das chuvas intensas e dos transtornos causados, não houve vítimas em nenhum ponto da cidade.

 

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