A rede municipal de ensino tem quase 60 diretores de escolas, os quais antigamente eram contratados em cargos de confiança e agora são concursados.
Ocorre que, apesar de frequentemente terem de fazer horas extras, os diretores não recebem por esse tempo extra trabalhado.
Além disso, é rotina na vida dos diretores o deslocamento quase que diário, às vezes, por mais de uma vez ao dia, à Secretaria Municipal de Educação. Como a grande parte, senão todas, das escolas não têm veículo próprio, os profissionais acabam desgastando seus veículos e gastando dinheiro com gasolina. Vale ressaltar que eles não podem usar dinheiro das escolas para repor o valor gasto.
Portanto, o salário dos diretores está defasado e, assim, eles se uniram e, desde o ano passado, cobram mudanças da administração.
Em novembro de 2011, por exemplo, o Sismub (Sindicato dos Servidores Municipais de Bragança Paulista e Região), que representa a categoria, protocolou na Prefeitura ofício reivindicando 20% de função gratificada sobre os salários dos diretores.
De algumas semanas para cá, os vereadores da Comissão de Justiça da Câmara também aderiram à causa, tendo recebido boa parte da classe e intermediado reuniões com o prefeito João Afonso Sólis (Jango).
Um encontro decisivo aconteceu no fim da tarde e início da noite de sexta-feira, 30, no Posto de Monta. Participaram da reunião o presidente do Sismub, Carlos Alberto Martins de Oliveira, o vice-presidente, Benedito Domingues, os vereadores Marcus Valle, Arnaldo de Carvalho Pinto e Luiz Sperendio, o prefeito João Afonso Sólis (Jango) e a secretária municipal de Educação, Marilene Scardilhi de Aguirre, além do assessor de Gabinete, João Alberto Siqueira Donula, que, a partir do dia 6 de abril, passa a responder pela Secretaria Municipal de Administração.
A reunião foi tensa. Do lado de fora, dezenas de diretores aguardavam o resultado. Em certo momento, uma diretora que representava os colegas saiu da sala, pedindo para ser substituída e alegando que a pressão estava forte. Os colegas lhe disseram que o melhor seria ela mesma continuar e decidiram ir para o tudo ou nada, mantendo a reivindicação dos 20% de função gratificada.
De acordo com o presidente do Sismub, Carlos Alberto, a administração se mantinha irredutível, afirmando que não poderia conceder a função gratificada e alegando ilegalidade por ser ano eleitoral. De acordo com ele, a Prefeitura chegou a oferecer o pagamento das horas extras, mas apenas isso não contemplava os anseios dos diretores.
Assim, depois de pouco mais de uma hora e meia de debates, Carlos lembrou ao prefeito que, em 2008, que também era ano eleitoral, ele concedeu 20% de função gratificada a psicólogos, fisioterapeutas e orientadores esportivos, além de outros profissionais. Então, a administração cedeu e concedeu o benefício aos diretores.
De acordo com o presidente do sindicato, o valor já será recebido pelos diretores no pagamento de abril, com referência ao mês de março.
Além dos 20% de função gratificada, os diretores conquistaram o direito a receber pelas horas extras.
“Foi uma reunião bastante tensa, pesada, mas foi uma grande conquista para a categoria. Desde novembro do ano passado, temos lutado e agora vemos que valeu a pena. Os diretores estão de parabéns, porque se uniram e permaneceram unidos até o fim, reivindicando benefícios justos. É mais uma conquista que o Sismub obtém em favor do funcionalismo público de Bragança Paulista”, declarou o presidente do sindicato, Carlos Alberto Martins de Oliveira.
O Sismub também move ação na Justiça do Trabalho contra a Prefeitura reivindicando um ajuste nos salários dos diretores, por uma defasagem de cerca de R$ 200,00 a R$ 300,00. Mas ainda não há previsão para o julgamento do caso.
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