Anúncio de fechamento das farmácias ainda repercute na Câmara

Nova informação dá conta de que serão 14 os polos urbanos de atendimento farmacêutico, em vez dos sete anunciados na semana passada

 

Na tarde de terça-feira, 26, os vereadores de Bragança Paulista novamente se reuniram para a realização de mais uma sessão ordinária. Os projetos em pauta foram aprovados e, durante os discursos, os vereadores voltaram a falar sobre o fechamento das farmácias dos postos de saúde, alguns se posicionando contra a medida e outros a defendendo.

Sem inscritos para se manifestar na Tribuna Livre, logo que a sessão começou, os edis já puderam fazer uso da palavra. Ao todo, 11 vereadores discursaram, além de mais dois que fizeram apresentação de vídeo.

O assunto do fechamento das farmácias nos postos de saúde e a criação de polos de dispensação de medicamentos, tratado na sessão do dia 19, pela secretária municipal de Saúde interina, Grazielle dos Santos Bertolini, foi inicialmente retomado pelo vereador Jorge Luís Martin.

Jorge contou que está fazendo um levantamento sobre os pacientes atendidos em cada farmácia e as complicações que eles têm, como se são deficientes ou idosos. O vereador apontou que há casos em que o paciente terá de se deslocar seis e até sete quilômetros para buscar o medicamento prescrito.

Citando como exemplo a região do Henedina Cortez, Jorge mencionou a cobrança da Administração para que os vereadores aprovassem a criação da Zeis (Zona Especial de Interesse Social), defendendo que famílias de baixa renda seriam beneficiadas com isso. Porém, conforme apontou Jorge, o Executivo agora age na contramão e prejudica famílias com renda de cerca de R$ 1.600,00 por mês, retirando a farmácia do bairro.

“Além de não ter acessibilidade nos postos de saúde, vamos tirar os remédios de perto das pessoas?”, questionou o vereador, defendendo que não sejam fechadas as farmácias e que elas funcionem ao menos em meio período, em todos os locais onde o serviço é oferecido.

Jorge ainda argumentou que um caso de baixa complexidade, devido à dificuldade de o paciente ir buscar o remédio em um dos polos farmacêuticos, poderá se tornar de média e até de alta complexidade.

O vereador Paulo Mário Arruda de Vasconcellos também se opôs ao fechamento das farmácias, comentando que a medida está sendo anunciada pela Administração sob a alegação de que há necessidade de cortes nos gastos. Porém, por outro lado, a Prefeitura contratou empresa para a elaboração da revisão do Plano Diretor pelo valor de R$ 800 mil, desprezando a mão de obra do Paço Municipal. “Se corta na Saúde e não se corta onde tem muita gordura para cortar”, disse Paulo.

Então, o líder do prefeito, vereador Noy Camilo, explicou que a proposta de criação dos polos de atendimento farmacêutico foi novamente modificada. Na sessão de 19 de maio, a secretária Grazielle havia confirmado a criação de sete polos urbanos, além da manutenção de mais quatro unidades na zona rural. Seriam fechadas 17 farmácias. Agora, a nova proposta, de acordo com as informações de Noy, contempla a criação de 14 polos urbanos, além da manutenção de quatro unidades da zona rural e da Saúde Mental. Nessa nova formulação, a Saúde Mental não seria descentralizada, mas continuaria no mesmo local, informou o líder. “O objetivo de todos é o melhor para a população”, afirmou Noy, defendendo que a medida é necessária para cortar gastos e enfrentar a crise.

O vereador José Gabriel Cintra Gonçalves disse que cada farmácia faz em média quatro mil atendimentos farmacêuticos por mês e que haverá acúmulo de atendimento nos polos.

Já Juzemildo Albino da Silva criticou a posição dos colegas, dizendo que é mais fácil ser oposição, “criar terrorismo sem a coisa acontecer”. Ele convidou os vereadores a esperar a implantação dos polos de atendimento farmacêutico e o início do funcionamento do novo modelo para que então seja possível avaliar se a proposta é boa ou não.

Dos demais assuntos tratados durante a sessão, merece destaque a informação divulgada pelo vereador Paulo Mário sobre a assinatura de um novo contrato entre a Sabesp e o município. De acordo com ele, a companhia enviou à Câmara um ofício dizendo que não se opõe à participação dos vereadores numa nova etapa de negociação. O prefeito também teria se manifestado nesse sentido. Assim, ficou acordado entre os vereadores que todos os que quiserem participar das negociações poderão fazer isso.

Foram, então, votados os projetos que estavam na pauta. Os projetos de lei complementar que dizem respeito ao reajuste nos salários dos servidores da Câmara e da Prefeitura, com índice de 8,17%, e de revisão no subsídio dos vereadores, com índice de 8,13%, foram aprovados por unanimidade.

Já o Projeto de Resolução 02/2015, de autoria do vereador Jorge Luís Martin, que altera dispositivo do Regimento Interno da Câmara Municipal, estabelecendo que o presidente da comissão permanente seja substituído em suas faltas, impedimentos e licenças pelo vice-presidente e, na falta deste, pelo membro mais idoso da comissão, foi aprovado, mas com o voto contrário do vereador Dito do Ônibus.

Os vereadores Fabiana Alessandri, Gislene Cristiane Bueno e Mário B. Silva não compareceram à sessão dessa terça-feira, que terminou às 18h44.

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