Como os leitores podem tomar conhecimento, nesta edição, houve mais uma manifestação popular em Bragança Paulista, na última sexta-feira, 28. Dessa vez, os participantes estavam em número bem menor, cerca de 500, mas causaram mais transtornos à população.
Há muitas questões a se levar em conta nessa última manifestação. A primeira, em relação ao protesto de pequena parte dos servidores da educação. Eles foram os que mais dirigiram ofensas pessoais à secretária e vice-prefeita Huguette e ao prefeito Fernão Dias, o que, na visão deste veículo de imprensa, faz com que o manifesto por si só perca o foco e a credibilidade.
Um manifesto que protesta contra o fato de terem de trabalhar em julho. Só que, caro leitor, quem tem, no Brasil, vivendo como assalariado, mais de 30 dias de férias no ano? E, se eles tivessem esse direito por lei, tudo bem, mas não têm e ponto final. Hoje, é essa a realidade e não vemos motivo para diálogo sobre isso entre a Secretaria da Educação e os profissionais, a não ser o informe que foi feito, pois não se trata de algo negociável, se trata de cumprir a lei ou não cumpri-la. Aliás, coisa que nenhuma outra administração se preocupou em fazer.
O fato da abertura das creches em julho também vai contribuir muito com as mães que trabalham e que não têm com quem deixar seus filhos. Mas é um mero detalhe nessa história porque, mesmo que não houvesse a determinação da Justiça para a abertura das creches e mesmo que a Administração Fernão Dias/Huguette não optasse por essa medida, ela optaria, certamente, por cumprir a lei e dar o recesso apenas a quem tem esse direito.
Essa pequena parte de servidores descontentes na educação precisa refletir se não está sendo usada como massa de manobra de grupos políticos oportunistas, adversários do atual prefeito, que simplesmente inflamam as pessoas para causar essa sensação de que a classe está descontente. Mas isso não nos parece verdade, porque apenas cerca de 100 servidores dessa pasta participaram da manifestação. Num momento em que os protestos estão ganhando força no país, não há que se falar em medo a represálias. Quem não participou do movimento é porque está de acordo com as medidas que vêm sendo tomadas pela atual administração.
É muito comum também que profissionais dessa área reclamem que a imprensa, a mídia fala mal deles. Foram muitas as polêmicas envolvendo a educação do município nos últimos anos, é verdade. Atestados numerosos, certificados supostamente falsos para alcance de promoção... Enfim, a imprensa, é importante que se diga, não inventou nem vasculhou a vida de ninguém, muito menos obrigou esses profissionais a fazerem cursos à distância de idoneidade duvidosa ou a apresentarem atestados em grande número. A imprensa apenas divulgou fatos. E quando presenciamos a falta de respeito com que parte desses servidores trata nossos governantes, ficamos nos perguntando o que e com quem nossas crianças estão aprendendo?
Deixamos também registrada nossa consideração e respeito a todos os profissionais da educação que amam o que fazem e o fazem com amor, que realmente se preocupam em educar, não apenas pelo salário que ganham, porque ele, como na maioria das profissões, não é justo. Aos que exercem dignamente sua profissão, não deixem que uma pequena minoria manche sua classe, protestem também, mas contra os oportunistas e aqueles que não estão dispostos a trabalhar, e sim, a fazer do serviço público uma fonte de regalias.
Sobre os manifestantes que protestavam contra o aumento da passagem e outras causas do transporte coletivo, seria interessante contabilizar quantos deles usam do serviço. Quantos deles sabem realmente contra o que estão protestando? Não defendemos a empresa, aliás, sempre cobramos que o serviço do transporte coletivo deve melhorar,que não deve haver monopólio, sempre fomos contra aumentos abusivos, muito acima da inflação e dos reajustes do salário mínimo, mas, entendemos que apenas quando os verdadeiros usuários se indignarem e começarem a cobrar mudanças é que algo irá efetivamente mudar.
Falar em redução da passagem de ônibus em Bragança é uma pauta interessante também. Um vereador disse, nessa semana, que a tarifa deve abaixar em R$ 0,22. Mas não o vimos atuar com tanto empenho nos últimos 14 anos na cidade, quando a passagem aumentou em 134%.
Os próprios manifestantes, dentre eles, há os que já participaram de outros protestos contra o aumento da passagem de ônibus, em outros anos. Quando a passagem aumentava, eles, vencidos que haviam sido, também não prosseguiam com os protestos ou cobranças para a melhoria do transporte, meio que deixavam a causa adormecida até o próximo pedido de aumento da empresa. Assim também fez a imprensa, reconhecemos. Então, não há como, agora, do dia para a noite exigir que tudo seja resolvido.
Inconformados e insatisfeitos com os governos sempre existirão, em todas as esferas e isso é positivo, porque nenhuma administração será perfeita, mas seria no mínimo coerente que os ganhos, como o fato de a passagem não aumentar em Bragança, fossem reconhecidos.
Também é importante que nosso repúdio contra a interdição de vias públicas fique registrado. É um absurdo que trabalhadores tenham tido de ficar mais de uma hora presos no trânsito para assistir aos protestos. Não é dessa maneira que negociações sobre reivindicações desses grupos devem avançar. As manifestações são legítimas, mas desde que pacíficas e que não interfiram no ir e vir das outras pessoas. Ninguém é obrigado a concordar com o governo, mas também ninguém tem a obrigação de querer protestar ou de querer participar desses atos. O direito de as pessoas se manifestarem termina onde começa o das outras pessoas de transitarem pela cidade. E isso foi ferido nessa sexta-feira.
Acreditamos que líderes dos movimentos poderiam tentar reuniões com os governantes para tentar discutir as questões e tentar avanços, mas eles não parecem querer o diálogo dessa forma, o que é lamentável, pois o movimento também perde a credibilidade porque dá a impressão de não querer resolver e apenas protestar e protestar.
Enfim, é como a vereadora Rita Valle falou, na última semana, o mais importante de todos esses manifestos é a sequência que eles terão, se é que terão. A Copa das Confederações termina neste domingo. Vamos aguardar.
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