A violência nossa de cada dia

O aumento da violência em nossa sociedade é preocupante. Seja na cidade, no estado, no país ou no mundo, os números impressionam e a sensação de segurança fica cada vez mais distante da realidade.

O confronto que está ocorrendo no Oriente Médio, entre palestinos e israelenses, já matou 1.713 pessoas, conforme os últimos dados divulgados, sendo a grande maioria do lado palestino. Parece ser uma guerra que não tem fim.

Mas e no Brasil, quantas pessoas morrem todos os dias vítimas da guerra do tráfico, da falta de atendimento na Saúde, do trânsito violento ou por crimes dos mais diversos?

Se analisarmos os dados, certamente nos convenceremos que as baixas brasileiras são muito superiores a qualquer estado de guerra declarado. Mas e por que, então, isso não nos impressiona tanto como o confronto entre israelenses e palestinos?

Talvez porque já tenhamos nos acostumado a esse cenário de guerra velada do nosso cotidiano ou porque a política do “olho por olho, dente por dente” esteja cada vez mais presente na sociedade.

Não há solução pronta para combater a violência em todas as suas formas, mas qualquer um que esteja disposto a tentar fazer isso deve pensar em promover a prevenção e não apenas a repressão.

Disseminar entre as crianças informações sobre direção defensiva e os riscos efetivos da direção agressiva pode torná-las motoristas mais conscientes e fazer com que elas também cobrem essa conscientização dos adultos com quem convivem.

Promover o contato entre crianças e jovens de situações econômicas diferentes pode incentivar a prática de solidariedade e mostrar que ela faz bem a ambos os lados.

Mas também é preciso que o poder público garanta às crianças e jovens opções de lazer, esporte, cultura, ocupando o tempo desses pequenos cidadãos com atividades que garantam que o mundo das drogas e do crime em geral não lhes seja mais atrativo.

O caminho para uma sociedade menos violenta passa pela humanização de cada um de nós. Algo que deveria ser desnecessário, uma vez que já nascemos humanos. Porém, o mesmo cérebro que nos dá inteligência e capacidade para fazermos coisas incríveis é o que nos possibilita atos abomináveis. É o livre arbítrio, o poder de escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado.

Cada um é responsável por seus atos, desde os menores aos maiores, mas nem sempre as pessoas agem com a consciência que deveriam ter para medir seus feitos a fim de esperar que deles venham consequências.

A verdade é que a violência nossa de cada dia não começa na casa do vizinho, na rua, na periferia. Começa dentro de nossas próprias casas, no relacionamento entre pais e filhos, e é nesse meio que ela também pode ser pulverizada. Enquanto isso não for compreendido, não há expectativas de melhorias.

Uma boa semana a todos!

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