O fato de vivermos numa democracia não significa que tudo é permitido. Protestar não é sinônimo de vandalizar e ter educação é bom e todo mundo gosta.
Em tempos de Copa do Mundo no Brasil, jamais imaginávamos que frases desse tipo fizessem tanto sentido, se encaixassem perfeitamente na realidade atual.
Em outras copas, víamos todas as ruas enfeitadas, o país vivia uma verdadeira festa, mesmo que o resultado no decorrer do campeonato não fosse lá dos melhores, como muitas vezes não foi. Parece que o patriotismo aflorava de uma forma natural. Apesar de muitas coisas terem mudado nos últimos tempos, é inegável a paixão que o povo brasileiro sente por futebol.
Mas, agora que a Copa é no Brasil, a impressão que se tem é que as pessoas estão com receio de hastear a bandeira verde e amarela nas janelas, se vestir com o uniforme canarinho.
A visão que temos é que as pessoas se deixam manipular pelas informações que recebem. Não filtram, não procuram saber se realmente as coisas são como a imprensa divulga. E, então, se revoltam sem nem mesmo terem certeza do motivo pelo qual estão marchando nas ruas.
Aliás, falando em manifestações, é digno de aplausos o pai que foi buscar o filho num protesto em São Paulo, nessa sexta-feira, 13. O filho estava protestando por educação, dizia que queria estudo, mas, pasmem, caros leitores, o próprio pai revelou que paga pelos estudos do rapaz. Ou seja, onde está a legitimidade das manifestações que tomam conta das ruas do país? Quantos garotos e garotas como esse estão infiltrados nos movimentos, aproveitando-se da ocasião para provavelmente só se divertir?
O que a população tem de enxergar é que a presidente Dilma, o governador (Geraldo, no nosso caso) e o prefeito (Fernão Dias em Bragança), bem como todos os demais políticos eleitos, não estão nesses cargos porque ganharam uma guerra e se tornaram os chefes de suas “tribos”. Nem tomaram o poder à força ou qualquer coisa desse tipo. Eles venceram nas urnas. É assim numa democracia, caso a nação brasileira ainda não saiba.
Assim, a demonstração de falta de educação que a plateia do jogo de abertura da Copa fez ao xingar e vaiar a presidente Dilma foi como um feitiço que vira contra o feiticeiro, pois mostrou que o que lhe interessa é aparecer, afinal, se quisessem mesmo protestar contra a Copa e os gastos exorbitantes, uma medida inteligente, compreensível e sensata desses torcedores seria não comparecer às partidas. Em vez disso, mostraram que o Brasil conta com um bando de pessoas sem educação, gente de poder aquisitivo considerável se levarmos em conta os valores dos ingressos pagos para a abertura do campeonato, e que joga no time do quanto pior melhor, dos que não respeitam nem o chefe de estado da sua própria nação.
Acreditamos que o maior protesto que se pode fazer contra os políticos é nas urnas. Está descontente com a presidente ou com o governador, deputados, senadores? Não vote neles! Escolha outros. Vá além. Convença mais pessoas a fazerem o mesmo. E faça você a sua parte para que o Brasil seja um país melhor, sendo mais educado com seus vizinhos, colegas de trabalho e familiares, respeitando as leis de trânsito, não jogando lixo nas ruas. São só alguns exemplos, mas eles realmente podem fazer a diferença, muito mais do que meia dúzia de cartazes empunhados ou xingamentos mal educados.
Uma boa semana a todos!
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