2014: um ano de muito rock’n’roll

Talvez o ano se que despediu recentemente não tenha sido o melhor para muitas pessoas, mas ele deixará saudade em relação à música. Shows, lançamentos de discos e festivais ocorreram em várias cidades de São Paulo e também em outros estados brasileiros. Porém, em nossa retrospectiva, vamos nos ater mais a nossa região.

O ano começou muito bem em Itatiba. No segundo final de semana do ano, em janeiro, tivemos a visita da banda de hardcore A Phoyce, que deixou as praias do Guarujá para subir a serra e fazer um barulho monstruosamente sensacional na famigerada “Princesa da Colina”.

Outros eventos foram realizados, mas nenhum com muito destaque às bandas que estão no underground, entretanto, ao menos no início do ano, tivemos momentos de alegria por aqui.

Enquanto em Itatiba apenas o início do ano foi promissor em shows de bandas independentes, Bragança Paulista mostrou toda sua força com eventos. Ainda em janeiro, tivemos o lançamento de um dos melhores discos de 2014, quando o power trio Leptospirose fez um show “arrasa quarteirão” na extinta Casa 30. Os caras lançaram o álbum Tatuagem de Coqueiro e mostraram toda potência do seu hardcore, que a cada dia ganha mais admiradores.

Em março, a Terra da Linguiça novamente foi destaque com a realização do Grito Rock. O evento, realizado no Ciles dos Lavapés, foi uma oportunidade para bandas locais e brasileiras mostrarem seu trabalho, e serviu também para que os fãs de punk hardcore e rock’n’roll curtissem uma apresentação sensacional dos holandeses da Vitamin X.

O que havia sido bom ficou ainda melhor. Em maio, foi a vez da banda estadunidense Conquest For Death fazer uma apresentação inesquecível em Bragança. Os caras estavam em turnê pelo país e, após apresentações em algumas capitais, vieram para o interior de São Paulo. Mais uma vez, a cidade esteve na rota dos grandes e importantes shows do underground.

Julho chegou e, após o encerramento da Copa do Mundo, Bragança Paulista destacou-se na cena regional com o Festival de Inverno. Cinema, música, exposições artísticas em praças e locais públicos para que o máximo de pessoas tivesse acesso à cultura, e, ainda realização de palestras e workshops. A presença de Ricardo Tibiu e Binho Miranda no workshop sobre jornalismo e fotografia foi algo diferente e que agregou ainda mais ao festival que, com certeza, foi elevado a outros patamares. Foi também no Festival de Inverno que acompanhamos a apresentação de uma das bandas mais importantes do punk hardcore nacional, a Ratos de Porão.

O Festival de Inverno há pouco havia se encerrado e tivemos dois domingos de setembro com a realização do Cardápio Underground. O primeiro dia foi espetacular e houve apresentações inesquecíveis, com os shows das bandas Molho Negro, Camarones Orquestra Guitarrística, Corazones Muertos, Devonts e os espanhóis do Belgrado. Além de música, várias oficinas foram realizadas.

Mas não foi só Bragança Paulista que teve festivais. Campinas também foi palco de 11 dias de agito cultural, também em setembro, com a realização do Festival Auto Rock. Com muitas apresentações de bandas independentes em vários bares e casas de shows, mostras culturais, oficinas e exibição de filmes independentes, o festival é um dos mais importantes do calendário da cidade e de nossa região, com crescimento a cada edição.

Mas Campinas não viveu somente do Auto Rock. Durante todo ano, vários bares trouxeram muitas atrações aos amantes do rock. Bar do Zé e Woodstock destacam-se em termos de evento, mas os campineiros e moradores das cidades da região adquiriram carinho especial pelo Quintal do Gordo, que foi palco para muitas bandas de todos os estilos realizarem ótimos shows de rock.  Drákula, Aqueles, Footesp Surfers e bandas gringas passaram pelo quintal mais rock do Brasil.

Mas nem só de shows vivemos. Discos foram lançados, e as bandas independentes a cada ano mostram que o mercado underground está aquecido e no melhor estilo “Do it Yourself”. Muitos CDs, vinis e fitas cassetes foram lançados ao longo do ano que passou.

Dois discos que chamaram atenção foram lançados apenas de maneira virtual. Em outubro, o Raro Zine apresentou ao mundo a compilação “Bragança Resiste”, apenas com bandas bragantinas. Em dezembro, o selo Motim Records, de Valinhos, fez o lançamento da coletânea Motim Records, com bandas da região e algumas convidadas. O intuito dos lançamentos é mostrar o quanto o rock está vivo.

O resumo do que passou foi mais ou menos isso, um bom ano sem dúvida para quem acompanha a cena underground e está em busca de conhecer novidades. Em relação a outros assuntos, três tópicos foram muito comentados: a crise hídrica que deve perdurar em 2015, a reeleição de Dilma Rousseff, que mostrou o quanto o brasileiro é preconceituoso e desfez a imagem que muitos insistem em dizer que aqui “só tem gente boa e hospitaleira” e a eliminação vexatória da paupérrima seleção brasileira, que foi humilhada pelos alemães ao ser massacrada por 7 a 1.

2014 deixará saudade em partes e servirá para que tentemos aprender com alguns pontos. O Brasil “underground” tem funcionado e muito bem. O país que a grande mídia não mostra ou relata tem destaques muito positivos como os citados acima. Temos diversidade, respeito e pessoas sedentas por aprendizado e vontade de fazer algo bom. Já o Brasil midiático é retrógrado, manipulador e precisa descer do pedestal para entender o que ocorre nas ruas no nosso pequeno dia a dia.

 

Por Ivan Gomes é editor do Fanzine/blog Canibal Vegetariano

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