O Asilo São Vicente de Paulo – Lar do Jardim Público está desenvolvendo um trabalho de alfabetização e letramento que atende idosas interessadas em aprender a ler e escrever. De acordo com a instituição, todo o processo tem surtido ótimos resultados.
O Jornal Em Dia conversou com Larissa Carneiro, cientista social e estudante de Pedagogia, que é a responsável pelo projeto. Ela conta que a demanda surgiu das próprias idosas, participantes da atividade.
“Temos aqui no asilo a Comissão do Idoso, onde escutamos quais são as vontades deles. Eles decidem bastante coisas do cotidiano, como a alimentação, por exemplo. A equipe multidisciplinar se esforça para conseguir atender o que pedem.
Entre as demandas, apareceu a vontade de serem escolarizados, a vontade de ‘aprender a escrever o próprio nome’, como eles dizem. No setor feminino, muitas das histórias que elas trazem é de que, ou precisaram começar a trabalhar muito cedo, ou os pais não permitiam que fossem à escola.
A partir disso, identificamos duas idosas desse setor com essa vontade de serem alfabetizadas”, explica.
Por enquanto, os encontros são semanais e quem participa são as senhoras Elvira App. Estevam de Godoy e Marcília Augusto dos Santos. Além das aulas, Larissa também deixa “lições de casa” para que possam desenvolver até o encontro seguinte.
“Outras idosas também estão interessadas, estamos com uma pequena fila de espera”, brinca. “Estou organizando para atendê-las, porque estão em níveis diferentes de aprendizado.
Algumas já são alfabetizadas, mas precisam treinar mais, outras ainda não têm esse conhecimento.
A grande questão desses encontros é que não são simplesmente de alfabetização, são de letramento também.
O que eu tenho tentado fazer não é que apenas saibam identificar e reproduzir as letras. Estamos trabalhando com a função social da escrita, fazendo com que seja útil para essas idosas. Então, entre as atividades está passear pelo asilo e reconhecer as letras nas placas, entender o que está sendo direcionado ali.
Me baseio muito no método freiriano e utilizo as palavras geradoras, que elas mesmas escolheram e fazem parte do cotidiano delas. É uma alfabetização com significado”.

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