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Povo refém

Mesmo vivendo numa democracia, o povo brasileiro se sente cada vez mais refém dos governantes. Isso porque após eleitos, os políticos parecem esquecer-se de que têm regras a seguir e interesses a defender, não os seus, mas os do povo que lhe concedeu o poder nas urnas.

É notória e frequente a insatisfação dos eleitores com os políticos eleitos, seja na esfera municipal, estadual ou nacional, mesmo aqueles que votaram nos que ora governam os poderes constituídos se sentem traídos por terem dado seu voto de confiança a políticos que agora governam contra os interesses do povo.

Na última semana, por exemplo, foi anunciado o pacote de contingenciamento do governo federal, que pode chegar a R$ 80 bilhões. Serão cortados investimentos em áreas prioritárias, como Educação e Saúde, e também em outras que durante os últimos 13 anos de governo petista foram implantadas e patenteadas, como o Minha Casa, Minha Vida e o Fies, além de obras de infraestrutura.

Em nenhum momento, o governo falou, porém, em reduzir cargos comissionados. O ministro do Planejamento, Nélson Barbosa, disse, na sexta-feira, 22, que os gastos com servidores públicos permanecerão estáveis, na comparação com 2014. “A sociedade já sinalizou que não quer aumento de gasto com custeio, com folha de pessoal. Por isso, mantemos a política de pessoal no nível atual em relação ao PIB”, informou. A despesa com funcionalismo equivale a 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

A sociedade já sinalizou, mas o governo ainda não entendeu ou fingiu não entender que a vontade popular vai mais além do que manter os gastos com pessoal.

Em qualquer empresa, quando o lucro diminui, a primeira medida é cortar gastos desnecessários e, nesse sentido, funcionários que não produzem conforme a necessidade são os primeiros na lista de demissões. Mas nos poderes constituídos, onde os eleitos praticam os cabidões de emprego de forma descarada, concedendo benesses a cabos eleitorais e financiadores de suas campanhas, essa lógica não existe. Quem paga a conta é sempre o povo mais sofrido, seja com a alta nos preços dos impostos, da água, da luz, dos itens de subsistência, seja com a deficiência dos serviços públicos, como Educação e Saúde. E, infelizmente, a situação não é privilégio apenas do governo federal, existe nas três esferas, do menor ao maior município brasileiro.

Além disso, o governo federal não falou em contingenciamento quando quase triplicou o Fundo Partidário no início do ano. Por que será? Evidentemente porque isso lhe interessava diretamente. Com mais recursos no Fundo Partidário, o PT e outros partidos poderão se vangloriar de não receber investimentos da iniciativa privada em suas campanhas, nas próximas eleições.

Apesar de tudo isso, o povo parece não se incomodar muito em estar refém. Alguns comentários se ouvem, reclamações, mas protestos nas ruas, como os que ocorreram em 2013, por muito menos, diga-se de passagem, não parecem estar se formando. E enquanto a inércia do povo persistir, a situação não mudará. É triste, mas é a realidade.

Uma boa semana a todos!

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