O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Reflexos da falta d’água e da falta de planejamento

O terceiro mês do ano chegou e, com ele, o anúncio de mais aumentos de contas para os bolsos dos brasileiros. Como os leitores podem tomar conhecimento nesta edição, a partir desta segunda-feira, 2, as contas de energia elétrica vão ficar, em média, 38,5% mais caras.

O encarecimento do serviço é um reflexo da falta de chuvas. Como explica a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia elétrica no Brasil é gerada predominantemente por usinas hidrelétricas. Para funcionar, essas usinas dependem das chuvas e do nível de água nos reservatórios.

 Quando há pouca água armazenada, usinas termelétricas podem ser ligadas com a finalidade de poupar água nos reservatórios das usinas hidrelétricas. Com isso, o custo de geração aumenta, pois essas usinas são movidas a combustíveis, como gás natural, carvão, óleo combustível e diesel.

Por outro lado, quando há muita água armazenada, as térmicas podem ser menos utilizadas e o custo de geração é menor.

Desde meados de 2013 temos assistido a nossos reservatórios e rios diminuírem sua capacidade sensivelmente. Mas a previsão de estiagem severa foi feita por especialistas há décadas, ou seja, com tempo hábil para se planejar alternativas que não onerassem nossos bolsos e evitassem transtornos à população, como o racionamento, ainda que velado na Grande São Paulo e em outras regiões.

Em vez de levarem a sério os alertas, nossos governantes preferiram explorar os recursos naturais até a saturação, mostrando que aprenderam direitinho a lição com nossos colonizadores. Tomemos por base o Sistema Cantareira, em que a Represa Jaguari/Jacareí está operando com a segunda cota do volume morto. Entre 2010 e 2011, quanta água foi desperdiçada durante as cheias. A capacidade do reservatório chegou a mais de 100% e as comportas tiveram de ser abertas, o que agravou as enchentes em Bragança Paulista e algumas cidades da região.

Um planejamento adequado poderia ter evitado o cenário de crise seja naquela ou nesta oportunidade, mas demandaria investimentos que talvez não se revertessem em votos. Na dúvida, nossos governantes preferiram não arriscar e pagaram para ver. O problema é que todos nós estamos vendo e teremos de pagar mais caro por essa conta.

Enquanto isso, a população vai se virando como pode. Criativas, muitas famílias encontram meios de economizar água e energia e se adaptar à nova realidade. Mas ainda vemos muito pouca (para não dizer nenhuma) ação de incentivo por parte do poder público a iniciativas que podem contribuir para a economia de água, como a instalação de dispositivos que captem água das chuvas para uso na lavagem de quintais, rega de plantas e até mesmo para as descargas dos banheiros. Por quê?

Talvez porque não haja interesse de incentivar ações que vão diminuir o consumo de água, e, consequentemente, as contas de água, para sempre. Onde ficariam, então, os lucros da Sabesp e de outras empresas que prestam o serviço de abastecimento de água?

Pois é, caro leitor, assim caminha a humanidade, olhando para seu próprio umbigo e para seus próprios interesses. Até quando assistiremos inertes a mais do mesmo, a preocupação com o individual em detrimento do coletivo, a obras que apagam focos de incêndios momentâneos, mas não são capazes de evitar que novos episódios de fogo voltem a ocorrer?

São reflexões necessárias que esperamos não fiquem apenas nas páginas deste jornal.

Uma boa semana a todos!

 

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player