O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Ainda o Carnaval

O Carnaval acabou. Há quem diga que agora realmente é hora de o ano começar no Brasil. Mas não podemos deixar que a ressaca do evento nos ludibrie o raciocínio como uma cortina de fumaça que nos faça fingir que não enxergamos o desperdício de dinheiro público praticado em Bragança Paulista.

Há vários anos que observamos e criticamos o desempenho de algumas agremiações nas avenidas. As críticas não são exclusividade nossa, mas, não se sabe exatamente por que, o poder público continua distribuindo recursos para elas.

Pode haver quem proteste afirmando que o poder público não distribui recursos diretamente para as agremiações, mas indiretamente é isso que acontece, pois o repasse feito à Liesb (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista) é direcionado às escolas de samba como pagamento pelos desfiles, pelo show que fazem na avenida.

As escolas do Grupo Especial e até as mirins e da terceira idade realmente se empenham em apresentar um bom trabalho, investem para que o show aconteça. Mas ao menos três escolas que se alternam no sobe e desce do Grupo de Acesso para o Grupo Especial não merecem receber a quantidade de verbas que vêm recebendo nos últimos anos.

Como levantar a bandeira de que o Carnaval merece ser subsidiado com verbas públicas por se tratar de uma festa popular se uma escola de samba começa uma apuração sendo penalizada com a perda de 45,25 pontos por ter desfilado com número inferior de componentes ao que é estabelecido em regulamento?

Se levarmos em consideração que cada escola do Grupo Especial desfilou com o mínimo de componentes, 300, as cinco agremiações levaram para a avenida ao menos 1.500 pessoas em cada noite de desfile, o que sabemos que não ocorreu, já que uma delas desfilou com número menor de integrantes. As escolas do Grupo de Acesso devem ter levado mais 400 pessoas no mínimo. Pelos dados divulgados pela Prefeitura, e questionados por quem esteve na Passarela Chico Zamper, cerca de 21 mil pessoas passaram pelo recinto dos desfiles. Então, até que ponto, sob o aspecto do custo-benefício, vale a pena investir mais de R$ 600 mil em desfiles voltados a praticamente um sétimo da população?

É verdade que o baixo público deste ano pode ter relação com as chuvas, mas é notório que o Carnapraça, com as marchinhas tradicionais, custa menos ao poder público e atrai mais público. Por que então não ampliar o evento, a exemplo do Carnaparque, a outros lugares, como o próprio Lago do Taboão? Ou promovê-lo também à noite, em local fechado?

A questão é polêmica porque envolve interesses financeiros de minorias, as quais se escondem atrás das máscaras de defesa da cultura popular. Porém, a discussão com a população sobre uma reformulação do Carnaval bragantino já passou da hora de ocorrer.

Este seria um momento propício, já que há tempo suficiente para debates e planejamento para o evento do ano que vem. Resta saber se haverá vontade para isso.

Uma boa semana a todos!

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player