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Crise de água: alta concentração de ferro e manganês

Nesse final de 2014 e início de 2015, pudemos sentir mais de perto os prejuízos e tormentos que podemos enfrentar caso realmente perdure a crise da água, tão pressagiada pelos especialistas, visível aos olhos de quem quiser ver, ignorada e omitida por nossos governantes.

E a situação já é, no mínimo, grave. Entenda por quê.

Manganês, de acordo com o site da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), é um metal cinza claro que não ocorre na forma pura (elementar), mas combinado com outras substâncias, como o oxigênio, enxofre e cloro.

Entre outras formas de utilização, esse metal é usado em pequenas quantidades no medicamento mangafodipir trissódio (MnDPDP) como contraste na imagem por ressonância magnética.

Conforme registrou a Cetesb, a água subterrânea anaeróbia frequentemente contém níveis elevados de manganês dissolvido e a exposição a níveis muito elevados pode resultar em efeitos neurológicos e neuropsiquiátricos, como alucinações, instabilidade emocional, fraqueza, distúrbios de comportamento e da fala, que culminam em uma doença, semelhante ao Mal de Parkinson, denominada manganismo. Com a progressão da doença tem-se alteração na expressão facial, tremores, ataxia, rigidez muscular e distúrbios de marcha.

Ainda de acordo com tabela exibida no site do órgão, o volume máximo de manganês permitido em água potável é de 0,1 mg/L (Portaria 2914/2011).

O ferro, conforme texto do Prof. Dr. Roque Passos Piveli, também disponível no site da Cetesb, “apesar de não se constituir em um tóxico, traz diversos problemas para o abastecimento público de água. Confere cor e sabor à água, provocando manchas em roupas e utensílios sanitários. Também traz o problema do desenvolvimento de depósitos em canalizações e de ferro-bactérias, provocando a contaminação biológica da água na própria rede de distribuição. Por estes motivos, o ferro constitui-se em padrão de potabilidade, tendo sido estabelecida a concentração limite de 0,3 mg/L na Portaria 36 do Ministério da Saúde”.

De acordo com o professor, “as águas que contêm ferro caracterizam-se por apresentar cor elevada e turbidez baixa. Em muitas estações de tratamento de água, este problema só é resolvido mediante a aplicação de cloro, a chamada pré-cloração. No entanto, é conceito clássico que, por outro lado, a pré-cloração de águas deve ser evitada, pois, em caso da existência de certos compostos orgânicos chamados precursores, o cloro reage com eles formando trihalometanos, associados ao desenvolvimento do câncer”.

Então, diante dessas informações, nos restam perguntas sem respostas.

Quanto se concentrou de manganês e ferro em nossa água amarelada, por quase uma semana?

Quantos bragantinos tiveram essa água colorida e odorífica diluída em suas caixas d’água e a consumiram sem ao menos perceber?

Prezado leitor, se a água encontra-se com grande concentração de manganês e ferro a ponto de causar reação ao entrar em contato com o cloro, como pôde estar em boa qualidade para consumo não representando perigo para a saúde?

Por outro lado, se é “só uma reação química”, por que, então, resíduos se acumulam ao fundo do recipiente no qual o líquido amarelado foi armazenado?

O tratamento da água é feito em processos, que se dividem em alguns casos em: pré-cloração e floculação, no qual depois de filtrada para a retirada de fragmentos sólidos de grande tamanho, adiciona-se o cloro (para a eliminação de micro-organismos) e outros produtos químicos que fazem as partículas sólidas precipitarem e formarem flocos. O próximo passo é a decantação, ou seja, a eliminação desses flocos. Na sequência, a água passa por diversos filtros para eliminação de areia e outras partículas que ainda possam ter ficado, eliminando assim sua turbidez. Para finalizar, há nova cloração, para eliminação de micro-organismos mais resistentes e para a desinfecção dos canos da rede de distribuição.

Oras, se a Sabesp nos fornece água tratada, e esta passa por esses processos para que se torne insípida, inodora e incolor, alguma coisa está muito errada, porque por mais que estejamos ficando com o lodo do volume morto, o que se extraiu deste após o tratamento não deveria chegar limpo às nossas torneiras?

A situação nos remete a indagações ainda mais alarmantes, tais como:

Até então nossas águas não passavam pelo processo de pré-cloração e agora será necessário passar, por estarmos consumindo o resto do que sobrou do volume morto?

Será que temos realmente uma estação de tratamento de água que torne de fato esse precioso líquido próprio para o consumo, com padrões de qualidade que atendem à Organização Mundial da Saúde?

Se temos, como ela foi capaz de nos abastecer por dias com água amarelada, odorífica e ainda sabe-se lá se também não apresentava sabor?

Em curto prazo, pode ser que a água com alto nível de ferro e manganês não seja, como disseram as autoridades, prejudicial à saúde (apesar de tanta gente passando mal na cidade, sendo diagnosticada apenas como virose), mas o que poderá acontecer em longo prazo, tendo em vista o aterrador estado em que se encontram os níveis do Sistema Cantareira, a previsão feita pelos especialistas de que viveremos um período de longa estiagem e, ainda, que o problema já atingiu também a cidade de Atibaia, onde não foi a primeira vez que a situação aconteceu.

No começo de dezembro, atibaienses passaram pelo mesmo problema com a água distribuída pelo Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), responsável pelo abastecimento da cidade. A situação se repetiu no final do mês, coincidindo com o período em que Bragança enfrentou o contratempo. Detalhe: a empresa não descartou que o infortúnio volte a acontecer caso não chova o suficiente para regular o nível do manancial.

Qual será o futuro do município, que, até poucos meses atrás, se vangloriava de ser o primeiro a captar água do Rio Jaguari, após a vazão do Cantareira?

Haverá vazão decente para os pobres mortais bragantinos ou estes deverão pagar com a própria vida o preço para evitar a morte do Sistema? Pois, para quem ainda não entendeu, de acordo com as informações oficiais, a vazão que até dois anos atrás era de 2.000 l/s, volume já bastante diminuto e tão cobrado para que fosse aumentado pelos representantes do Consórcio PCJ, pois não daria conta de abastecer a bacia no decorrer dos anos, causando prejuízos inestimáveis à região, passou a ser de 780 l/s no dia 21 de dezembro de 2014, 750 l/s no dia 22, 670 l/s no dia 23, chegando a 350 l/s no dia 24 e ficando em 250 l/s do dia 25 ao dia 29. Do dia 1º de janeiro em diante, a vazão foi aumentada para 500 l/s. E vale ressaltar que captamos para o consumo bragantino 450 l/s.

Onde estão agora os internautas que há menos de um mês fizeram um estardalhaço nas redes sociais por causa da decoração natalina?

Cadê os órgãos de imprensa que repercutiram nacionalmente a desaprovação de parte dos bragantinos em relação aos enfeites de Natal? Nem mesmo para dar um sorriso tão amarelado quanto nossa água foram capazes de dar as caras.

Quem poderá nos ajudar numa grave situação como esta?

Até nosso prefeito, em vez de repudiar a atitude da Sabesp em diminuir a vazão da represa para o Jaguari, quis tranquilizar a cidade declarando que a água ainda era de boa qualidade, apesar de não ser incolor, inodora, e, como já mencionado, não sabemos nem mesmo se era insípida. Isso, ainda, reconhecendo que continha alta concentração dos metais aqui citados.

Voltando à pergunta anterior: quem poderá nos ajudar? E a resposta é trágica. A esta altura, nem mesmo Chapolin Colorado, uma vez que Roberto Bolaños já deixou esta vida.

Como diria Lobão: Quem é que vai pagar por isso, quem é que vai pagar por isso? Você tem alguma dúvida, prezado leitor? Resta saber qual será o preço.

 

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