O poder corrompe ou as pessoas se deixam corromper?

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O poder corrompe ou as pessoas se deixam corromper?

A última semana registrou acontecimentos que nos levam a entender os motivos pelos quais grande parte da população está desgostosa e desiludida com a classe política. Lava Jato, Petrobras, CPTM, ou qualquer outro escândalo de corrupção em escala nacional? Não! Como se já não bastasse tudo isso, estamos falando de Bragança Paulista, a cidade onde os senhores vereadores deram mais um péssimo exemplo à política brasileira.

Na terça-feira, 2, foi realizada a última sessão ordinária do ano. E, assim, no apagar das luzes, deu entrada na Casa o projeto que previa a reposição dos salários dos senhores legisladores. Na prática, os vereadores bragantinos vinham recebendo R$ 6.572,85 como subsídio e passarão a ganhar R$ 7.913,48. Isso porque fizeram voltar a valer uma resolução de 2012, que estipulava seus salários em R$ 7.455,00 e, em maio deste ano, haviam autorizado a reposição da inflação de 6,15%.

Além disso, vão receber a diferença salarial dos últimos 23 meses, quantia que vai ultrapassar os R$ 20 mil por vereador.

Vale ressaltar que dos 19 vereadores, apenas dois, Marcus Valle e Paulo Mário, tiveram o bom senso de votar contra o projeto por não concordar e também evitar problema no futuro, uma vez que isso já causou prejuízo no passado.

Nossa intenção não é discutir a legalidade da medida porque há pareceres respeitadíssimos tanto a favor como contra e o tempo se encarregará de apontar quem estava do lado correto. Em vez disso, queremos convidar os leitores a refletir sobre os meios que levaram a este fim.

É de conhecimento de toda a imprensa local e daqueles que acompanham os bastidores da política bragantina que o presidente da Câmara, Tião do Fórum, tinha interesse em agradar seus colegas, nesta reta final de mandato, a fim de receber apoio para a reeleição da Mesa Diretora. É necessário, contudo, recordar que ele só conquistou este cargo devido à decisão judicial que cassou, em primeiro momento, o cargo do prefeito eleito nas Eleições de 2012, Fernão Dias da Silva Leme. Naquela época, um grupo de vereadores, apoiadores de Fernão Dias, havia firmado um acordo para eleger o vereador José Gabriel Cintra Gonçalves ao cargo de presidente. Com a cassação de Fernão, o acordo foi rompido por Gabriel e aparentemente também pelo vereador Mário B. Silva.

Com isso, no dia de eleição da Mesa, 1º de janeiro de 2012, sete vereadores votaram em José Gabriel Cintra Gonçalves, mesmo ele não tendo se declarado candidato. Na votação de todos os cargos da Mesa Diretora, os vereadores fizeram questão de explicar que haviam firmado um acordo e, por isso, votariam em determinado vereador. Apesar disso, o presidente Tião e outros vereadores ligados ao Grupo Chedid – derrotado nas urnas em 2012, mas que, por força da Justiça, estava no poder – receberam 12 votos e se elegeram.

Dias depois, a Justiça determinou que o prefeito eleito ocupasse o cargo até a análise da situação em outras instâncias, as quais acabaram inocentando Fernão Dias e Huguette Theodoro da Silva das acusações feitas por seus adversários, mas aí, a eleição da Mesa da Câmara já ocorrera e não havia mais volta.

O mandato da Mesa Diretora é de dois anos. Está chegando ao fim agora, portanto. Então, se iniciaram novamente as tratativas para a eleição. Tião do Fórum, com o nítido interesse em se reeleger, empreendeu esforços para agradar seus pares. Fez isso propondo a “revogação da revogação”, da qual já falamos, e também por meio de outras medidas, como a volta do recesso de julho, que daria aos legisladores um mês a mais de descanso no meio do ano. Estranhamente, o vereador Miguel Lopes, que foi o autor do projeto de Emenda da Lei Orgânica, em 2008, o qual colocou fim ao recesso de julho, até agora não se manifestou publicamente sobre a proposta.

Miguel é autor também de um projeto que tenta reduzir o número de vereadores na Câmara, de 19 para 11. Porém, já há informações de que a maioria não aprovaria tal redução e estaria mais disposta ao consenso se a redução fosse para 15 cadeiras no Legislativo.

O fato é que a cada novo mandato, a cada grupo de vereadores que é eleito, os interesses mudam, e não os da população, a qual quase sempre reivindica melhorias para os mesmos problemas – haja vista que não é atendida, ou o é pontualmente, com soluções imediatistas, que acabam não sanando por completo a situação, apenas amenizando determinada demanda do momento.

E essas mudanças não agradam porque descaradamente mostram que os representantes do povo se esquecem de sua função após o resultado das urnas. Esquecem-se ou pouco se importam com a opinião do povo que os elegeu. O pior é que o povo parece mesmo estar se afastando desses debates, muito provavelmente por estar desiludido com fatos como esses que testemunhamos.

Nessa sexta-feira, 5, o presidente Tião do Fórum foi reeleito, alcançou seu objetivo. E há quem diga que outras benesses aos nobres pares virão, como a determinação de mais um assessor para cada vereador, aumento da frota de veículos da Casa, celulares e outras coisas mais. O fim justificou os meios?

Enfim, a atitude de determinados vereadores acaba manchando a imagem da Câmara como um todo. Sabemos que há legisladores bem intencionados, mas, muitas vezes, são voto vencido ou acabam também concordando com medidas escusas, agindo como “maria vai com as outras”. Nossa posição é que algumas ações, apesar de serem respaldadas por lei, são imorais e jamais deveriam ser propostas por aqueles que se elegeram prometendo trabalhar pela população. Inocente, a população é que verdadeiramente trabalha para sustentar essa classe e depois amarga situações como essas em que sequer é consultada. E, então, chegamos à conclusão que o poder realmente corrompe, até os mais puritanos personagens que se atrevem a tê-lo em suas mãos, o que nos deixa extremamente desgostosos e decepcionados com a política que é feita pelos atuais políticos bragantinos.

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