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A culpa não é de São Pedro!

Essa semana a Justiça Federal ratificou o que muitos especialistas já propagavam, mesmo que timidamente ou sem tanta divulgação. Que a culpa pela crise hídrica no estado de São Paulo não é de São Pedro, mas sim, da gestão ineficiente do poder público.

Após o Ministério Público Federal em Piracicaba e o Ministério Público do estado de São Paulo entrarem com uma ação civil pública pedindo a intervenção judicial no uso da água pela Sabesp, apontando vários problemas que o desrespeito a normas previamente estabelecidas gerou, especialmente à Bacia PCJ, a Justiça concedeu tutela antecipada, determinando, por exemplo, que a Sabesp seja excluída do Grupo Técnico do Cantareira e que as vazões sejam revistas.

Na sentença do juiz federal Miguel Florestano Neto há vários trechos em que ele ressalta que o governo estadual paulista sabia da crise da escassez de água, haja vista que a diminuição nos índices de chuvas vinha sendo observada há pelo menos 14 anos por especialistas, mas, ainda assim, não foram tomadas providências para evitar o colapso do Sistema Cantareira.

Há críticas também ao fato de o governo ser omisso em relação à construção de novos reservatórios e, ressalte-se, o estado de São Paulo é governado pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) há 20 anos, o que derruba qualquer desculpa de que não houve tempo hábil para se fazer um planejamento ou promover a captação de recursos.

Bem disse o juiz federal na sentença que como “a construção de reservatórios não fica evidente aos olhos da população, pois não gera benefícios imediatos, foi deixada de lado”.

Entre 2010 e 2011, houve enchentes em toda a região. Se houvessem outras represas, talvez a situação hoje não fosse tão precária.

O leitor poderá dizer que Bragança Paulista ainda não foi afetada diretamente pela escassez de água, mas este é um assunto, como tantos outros, em que não podemos olhar apenas para o próprio umbigo.

É lamentável, entretanto, que essas informações venham à tona agora, após as eleições. Agora que o governador Geraldo Alckmin está confortavelmente reeleito e que admitir que o problema da escassez de água é realmente grave não lhe trará prejuízos políticos.

Por outro lado, entendemos ser fundamental a cobrança por parte da população para que seja feito um planejamento de obras e programas em longo prazo, por parte do governo estadual e Sabesp, a fim de evitar que um novo período de seca prolongada pegue a sociedade novamente de surpresa. É verdade que eles não fizeram isso nas últimas décadas, mas já que continuarão no comando nos próximos anos, que mudem esta história a partir de agora.

Uma boa semana a todos!

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