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ATABAQUES, ESTANDARTES, CANAPÉS E DEPUTADOS

Não necessariamente nessa ordem, esses foram os itens que se destacaram na abertura da Conferência Estadual da Cultura que participei na última quarta e quinta no Memorial da América Latina. Mais detalhes dessa experiência surpreendente nos próximos tópicos.

 

POUCO TEMPO PRA MUITA GENTE

Esses são alguns dados sobre a conferência: 850 delegados, representando 420 municípios, reunidos em apenas dois dias de conferência pra discutir, em média, 350 propostas por eixo temático! Pouco, né? Sem contar que o primeiro dia se resumiu ao famoso blablablá dos políticos convidados, a um bom show de culturas regionais de raízes africanas e a um coquetel mal servido.

 

“O QUE É ROUBAR UM BANCO PERTO DE FUNDAR UM?”

Saindo da boca de um dramaturgo como Bertold Bretch, essa frase soa bem. Já quando você a ouve da boca de um deputado, gera certa desconfiança e boa dose de espanto. Mas foi assim que o deputado João Paulo Rillos se dirigiu à plateia em seu discurso na abertura da conferência. E ainda emendou: “vocês acham que o Itaú ou o Bradesco patrocinariam uma peça com uma fala dessas?”. É por essas e por outras, que a classe artística, em sua maioria preterida pelas das leis que envolvem renúncia fiscal, é contra o formato atual da Lei Rouanet e do Proac.

 

NOBRE DEPUTADA LECY BRANDÃO

Outra que arrancou sorrisos e aplausos da plateia foi a deputada/artista/sambista Lecy Brandão, que em seu discurso falou bonito sobre a diversidade cultural e o sentido da conferência. Particularmente, não tenho como avaliar o trabalho da nobre parlamentar na assembleia, mas que ela tem carisma, isso tem.

 

OUTRAS REALIDADES CULTURAIS...

Só a orquestra municipal de Santo André gasta R$ 3 milhões por ano, praticamente o nosso orçamento municipal pra Cultura e Turismo. A ministra Marta Suplicy liberou 2,5 milhões pela Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura) para um desfile de moda (moda?) na França.

 

“SOMOS ARTISTAS, SEJAMOS OBJETIVOS”

Foi assim que, desesperadamente, uma delegada de cultura se dirigiu à plenária ainda em meio à fervorosa discussão do regimento interno da conferência, tentando acalmar os ânimos. Bem, se ela estivesse num congresso de física, a frase até faria sentido: “Somos físicos, sejamos objetivos”. Agora numa conferência de cultura, soa... engraçado.

 

“É MOUSSE DE CHOCOLATE? VOU PEGAR TRÊS!”

Essa frase resume o “momento gastronomia” vivido pelo nobre vereador Luís Henrique Duarte, logo após a aprovação do regimento, no caprichado almoço servido pela organização.

 

MAIS DINHEIRO PRO INTERIOR

Os programas estaduais e as leis de incentivo à cultura, da forma que estão hoje, tornam cada vez maior o abismo cultural entre as capitais e grandes centros e os pequenos e médios municípios do interior. Muitas propostas que discutimos na conferência estadual visam a distribuir melhor esses recursos. Cidades como a nossa Terra da Linguiça, a partir dos planos estadual e nacional, devem passar a receber maior atenção nesse sentido.

 

REVISÃO NO PROAC E ROUANET

A classe artística há muito torce o nariz para os programas de incentivo à cultura que envolvem renúncia fiscal. Do jeito que estão, as grandes empresas acabam funcionando como órgãos censores, pois direcionam parte de seus impostos para ações culturais que melhor fomentam seus programas de marketing. Essa foi também uma importante discussão que gerou boas propostas visando a derrubar tal censura.

 

INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E FORMAÇÃO DOS GESTORES

Um grande desafio para os artistas em geral, não é só trabalhar a arte em si, é encontrar mecanismos para dar vazão ao seu trabalho, bem como tirar seu sustento por meio da arte. É aí que devem entrar programas de formação para produtores e gestores culturais financiados pelo Poder Público. Tais medidas podem ajudar a alavancar artistas cada vez mais independentes e autossustentáveis. Também encaminhamos propostas neste sentido.

 

FORMAÇÃO TAMBÉM PARA CONSELHEIROS E AGENTES POLÍTICOS

De nada adianta formar os artistas, se quem cuida das políticas públicas culturais não tiver o devido preparo para lidar com as leis de incentivo, com os programas e projetos culturais e com toda a rede de informações e serviços que envolvem a cultura. É por isso que, segundo nossas propostas, deverão passar a existir um número cada vez maior de cursos, tanto para os conselheiros, quanto para os diretores e funcionários das secretarias de cultura dos municípios.

 

DELEGADO IVAN MONTANARI

O ator bragantino Ivan Montanari foi também um dos delegados eleitos na conferência municipal para representar Bragança na conferência estadual. Para nooooossa alegria, ele também foi eleito para representar o nosso estado na conferência nacional, que será realizada em novembro, em Brasília. Além da Terra da Linguiça seguir muito bem representada, teremos informações da conferência nacional direto da fonte. Boa, Ivan!

 

LINGUIÇA É CULTURA

Corra até o Jardim Público, linguiceiro leitor, que ainda deve dar tempo de você aproveitar as maravilhas preparadas com nosso patrimônio cultural imaterial: a famosa linguiça de Bragança, que deve ser devidamente registrada e tombada, antes que algum maluco faça o mesmo que fizeram com a pamonha de Piracicaba...

 

DIA MUNICIPAL DOS DESBRAVADORES

Um projeto de lei de autoria do vereador Rafael de Oliveira e já aprovado pela Câmara visa a instituir o “Dia Municipal dos Desbravadores”. Nada contra as atividades e grupos infantis, como os escoteiros e os desbravadores, mas daí a dedicar a eles um dia municipal? Qual o sentido disso? Sem contar que os vereadores ficaram um bom tempo a discutir esse “importante projeto”. Vá entender...

 

SAI MÉDICI, ENTRA WILLIAM CARDOSO

Já estava mais do que na hora de uma substituição como essa acontecer. Era uma vergonha pra nossa cidade ter um prédio público com o nome de um torturador do regime militar. A homenagem ao jornalista William Cardoso, que a partir da iniciativa do vereador Marcus Valle dará nome ao prédio da Câmara, é merecida.

 

RASGOU O CARTAZ DO CABIDÃO

As comemorações do sete de setembro contaram com justa manifestação do MOB e Fórum Popular reivindicando temas como o desassoreamento do Lago e o corte de cargos comissionados. Em pleno desfile, um grande cabide vermelho com um cartaz com o número 324 foi entregue ao prefeito Fernão, que se apressou em rasgá-lo, numa demonstração de raiva e desconforto em relação à situação. Porém, segundo relatos dos manifestantes que ouvi, quem mais se sentiu desconfortável foram os próprios comissionados. Numa tentativa de “defender o seu lado”, chegaram a agredir verbal e fisicamente alguns manifestantes. E olha que estou falando de pessoal do chamado “alto escalão”, com cargos de prestígio dentro da imprensa da Prefeitura e das secretarias.

 

CORTE DE GASTOS – POR QUE NÃO?

Li na coluna do Sadan que cidades como Santa Bárbara d’Oeste estão cortando gastos, pois a situação não está fácil pra ninguém. E não rolou qualquer corte, não. Estou falando de quase metade dos cargos comissionados: 46,9% pra ser exato. Fica a dica, Fernão. Ao invés de rasgar os cartazes, poderia ouvir a voz do povo.

 

PRA FINALIZAR

“Depois de termos conseguido subir a uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir.” (Nelson Mandela)

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