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O extraordinário da vida

 

Por Ana Raquel Fernandes

Viver é mesmo extraordinário, porque a maioria das pessoas só existe.

A maioria das pessoas está ocupada demais pensando em que comprar para gastar o décimo terceiro, enquanto poucos estão embasbacados, olhando o neném que dorme no presépio da sala.

Muitos andam ansiosos sobre que roupa usar para parecer mais elegante, poucos se contentam em parecer com a bendita criança envolta em trapos.

Vivemos dias de aparência. Ele queria mostrar-nos o qual incrível pode ser sermos parte de sua essência.

Na quinta-feira, assistindo ao filme “Extraordinário”, algumas verdades me vieram à lembrança. Eu me lembrei do como somos cruéis uns com os outros, do quanto somos egoístas e do quanto adoramos pensar que o mundo deve girar em torno de nossa insignificância.

A história do menino cuja condição genética acarretou deformações faciais é um tapa na cara dessa nossa sociedade pós-moderna, cujo deus é a aparência.

E seus algozes somos todos nós.

Ainda me lembro da época em que precisei usar, em uma das pernas, uma meia de compressão. É uma bobagem, mas a experiência me mostrou o quanto o ser humano é curioso, o quanto ainda não sabemos como nos comportar diante daquilo que, por algum motivo, é diferente.

Eu tenho a pele muito clara e, portanto, a meia mais clara da loja ficou completamente diferente da minha cor, só isso. E eu não sei ao certo se as pessoas pensavam se tratar de uma prótese ou algo assim, mas o fato é que olhavam, era natural, quase instintivo.

E sabem, apesar de um pouco intimidador, esse olhar no fundo não importa, o olhar que importa é o que vem depois. Depois do impacto da diferença, como olhamos aqueles que são diferentes de nós? Como os tratamos? Com falsidade piegas ou com a naturalidade de quem também se reconhece único e diferente?

Ele nos fez extraordinariamente bonitos, cada qual à sua maneira. Enxergar a beleza do outro é enxergar um pouco daquele que nos idealizou.

Viver é mesmo extraordinário, mas só se nos propusermos a viver verdadeiramente.

E viver verdadeiramente passa por se aceitar, e ao próximo, como partes completamente diferentes e essenciais para a composição desse incrível quebra-cabeça idealizado pelo Senhor cuja essência não é outra se não o amor.

Extraordinário filme, extraordinária vida que Ele nos proporciona viver!

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: sub-ver-siva@hotmail.com

 

 

 

 

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