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Toda vez que chega setembro...

Sub-versão

Por Ana Raquel Fernandes

 

Amarelo

Era a vida sendo tomada pelo amarelo

as ruas, calçadas, 

meus passos todos conduzidos pelo amarelo, 

deixando-se deleitar por essa visão extasiante do amarelo.

 

E eu que não sabia nada de flores, 

apesar de amá-las desde sempre, 

compreendi pelo amarelo que o amor é mesmo assim: incompreensivelmente necessário como os ipês

e belo e arrebatador como o amarelo.

 

Um amarelo de fazer doer os olhos, 

os olhos hipnotizados pela força doce da natureza

que não cessa de se nos oferecer: graça pura!

 

Toda vez que chega setembro, algo em mim renasce. É instantâneo, é sempre pontual e sempre mágico.

Toda vez que chega setembro e os ipês invadem as ruas e estradas, uma estranha esperança também me invade. E, como numa magia igualmente estranha e bonita, eu me sinto parte do ipê, grande e carregado de boas-novas. Afinal, eu também sei, como o ipê, suportar longas e dolorosas esperas, até que chegue o momento glorioso de florescer novamente.

Eu também sofro, assim como o ipê, da angústia que precede a florada e me sinto rasgar por dentro, entranhas e alma violadas pela fúria santa de renascer.

Toda vez que chega setembro, a poesia dentro de mim se renova e eu vejo nos ipês a representação da própria vida, sempre em luta consigo mesma, sempre se renovando e sempre, sempre bela.

Toda vez que chega setembro, eu permito que a beleza e a persistência dos ipês me relembrem de quem eu sou.

Eu sou um ipê, daqueles bem amarelos, cujo contraste com o azul do céu de setembro é de tirar o fôlego e faz arder os olhos.

Eu sei das longas esperas de que é feita a vida, mas sei também da alegria da florada que as sucede.

Por isso, toda vez que chega setembro, é inevitável: eu reforço minha crença na beleza, na poesia, na necessidade da espera, na alegria das coisas mais simples. E como é reconfortante me deleitar na contemplação dos ipês.

E como é bom me sentir viva e plena, apesar das adversidades todas, e me sentir renascer também, cada vez mais viva e bela, como os ipês floridos do mês de setembro.

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

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