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GRATIDÃO

Por Ana Raquel Fernandes

O texto de hoje é recheado de gratidão. Isso mesmo, pense num bolo recheado, daqueles bem altos, cujo recheio escorre pelas bordas... O texto de hoje será assim: doce e recheado de gratidão.

Eu queria estar lá, não, eu não queria estar lá. Aquilo tudo me assustava, mas não ao ponto de me paralisar. Eu sabia o que estava fazendo, e ia fazer com medo mesmo.

A primeira consulta foi tranquila, o médico solicitou alguns exames, e eu nunca tive medo de agulha nem de exames, até porque os meus costumam estar dentro da normalidade sempre. A segunda consulta foi muito boa também, não fosse pelo simples detalhe de ele ter mencionado que seria interessante que eu me exercitasse na academia que eles ofereciam. Nesse momento, eu fiz uma coisa muito feia e da qual me arrependo, eu usei a fibromialgia como desculpa. Eu nunca tinha feito isso antes, nunca vou fazê-lo de novo e sou grata ao médico por me dizer que essa minha condição não me impedia de tentar. O medo, às vezes, é nosso pior inimigo.

E eu tentei, eu tentei com todas as minhas forças e com todos os meus medos. E eu continuei tentando na consulta com a nutricionista e com o psicólogo, e sempre a cada mês, quando a pesagem se repetia e eu sentia meu medo diminuir e ganhar uma força e uma confiança que até então eu desconhecia que tivesse.

Os treinos foram incríveis, literalmente. No início, eu cheguei a comentar com uma amiga: “Agora, ou eu morro, ou eu emagreço”. Mas, sabe, a questão não é essa. A questão é muito mais profunda que isso. A questão é vencer seus medos e limites, muitos dos quais imaginários, e tentar.

E eu nunca vou me esquecer das escadas que embelezam o Edifício Millenim, nem do fato de que nunca, nunca usei o elevador de que o prédio também dispõe.

Nunca vou me esquecer da forma respeitosa com que fui tratada desde o início, nem dos incentivos ao longo do processo todo, e se a gratidão é um registro da alma, cada um dos rostinhos que vi, das pessoas incríveis com que convivi nesses quatro meses, ficará para sempre na minha memória.

Como esquecer da nutricionista mais doce que já conheci, que com seu uso do diminutivo me ensinou que a vida não é diminuta e deve sim ser vivida em sua plenitude.

Como esquecer do psicólogo, a pessoa mais centrada que conheci, psicólogo e também colega de treino, um exemplo e um incentivo e forma de pessoa.

Como esquecer dos meus dois treinadores, de sua “braveza” e ímpeto, que geraram em mim a força necessária para acreditar e mudar minha história. Como esquecer do grito: “Vai, Quel!”

Como esquecer das meninas da enfermagem, verdadeiros anjos, das meninas da recepção, sempre alegres e solícitas, e que pasmem, muitas vezes foram minhas companheiras de treino, porque lá, aprendemos também através do exemplo.

Como esquecer do “tio”, que nos recepcionava logo na entrada do prédio e, muitas vezes, assistia ao nosso esforço durante os treinos externos.

Como esquecer do Dr. Scalise, exigente e perspicaz, médico e também colega de treino. Ou do Dr. Marco, firme na decisão de não me deixar sabotar por qualquer desculpa esfarrapada que eu pudesse inventar para mim mesma.

Como esquecer das reuniões de grupo, que eram como um bálsamo e, ao mesmo tempo, um despertar para o motivo de estarmos ali e tudo o que podíamos ainda construir.

Como esquecer dos amigos que eu fiz lá, das risadas todas durante os treinos, da cumplicidade e do apoio mútuo...

Eu nunca vou me esquecer de todos eles, mas, sobretudo, não vou me esquecer de quem me tornei por influência deles. Eu vou me lembrar todos os dias enquanto viver de que eles me ensinaram a ser a melhor versão de mim mesma. E vou honrar todo seu esforço e dedicação.

Esse texto é só uma forma singela de agradecer a toda a equipe do Programa E+, oferecido pela Santa Casa Saúde, por tudo o que eles proporcionam a pessoas como eu. Talvez, eles nem tenham a dimensão correta do quanto eles fazem por pessoas assim, mas desejo sinceramente que eles possam sentir um pouco do quanto sou grata.

Obrigada a todos vocês, meus queridos!

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

 

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