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Caminhando pela cidade

Há algum tempo tenho caminhado pela cidade registrando a arquitetura em fotografias. Comecei por acaso, observando os lugares pelos quais passava e fotografando com o celular. Com o tempo, meu olhar foi se aprimorando, comecei a sair de casa com o intuito de percorrer lugares apenas para fotografar. Nesse processo, as fotos foram ganhando repercussão. Para mim, o que alegra mais do que os comentários sobre a evolução das imagens, é notar como as pessoas estão percebendo a cidade de modo diferente a partir das minhas fotos.

A maioria das pessoas vê a cidade pela janela do carro. Não repara nos detalhes, não observa a mudança. Quando se depara com uma fotografia da própria cidade em que vive a partir de um olhar atento de quem dedicou tempo observando e captando detalhes que, em geral, passam despercebidos, se dá conta de que a cidade é um ser em constante construção e desconstrução.  A sensação é de pertencimento: essa é a minha cidade, aqui também está a minha história.

Coluna Edith

Uma das experiências mais belas que o ato de fotografar o lugar onde vivo me proporcionou foi apresentar algumas imagens para crianças de um projeto social e depois sair com elas em uma caminhada fotográfica. Ali tive certeza de que o que começou apenas como um passatempo ganhou um significado maior, em uma proporção que eu nunca poderia imaginar.

Esta semana recebi de presente diversos desenhos e cartinhas produzidos por essas crianças. O olhar delas em relação à cidade foi tocado pelo meu. Foi uma satisfação imensa sentir que uma coisa tão simples quanto observar a cidade é capaz de fazer uma criança entender o que é pertencimento, o que é olhar ao redor e sentir que aquilo também é dela. Que a cidade é pulsante e que cada bairro conta um pouco da história que forma o todo. Que o lugar em que ela vive é tão importante nesse processo quanto o centro urbano.

Memórias urbanas

Minha experiência é muito mais como jornalista, minha formação, do que como fotógrafa. Caminho pela cidade em que vivo ou pelas cidades que visito observando as mudanças do tempo, a história que a arquitetura urbana carrega e que se modifica diariamente. Considero que minhas fotos sejam memórias urbanas em forma de registro documental. As fotos que faço surgem a partir do olhar de quem anda a pé, de quem transita pelo meio urbano e repara nos detalhes, nas transformações cotidianas, na luz diferente a cada estação, nas flores que se mesclam aos fios de luz e que emolduram cada casa, cada esquina de maneira única.

Ao reparar na cidade reparo também em mim e em quem anda ao meu lado. Reparo nos carros que passam pelo meu caminho, reparo na minha silhueta na sombra, na paisagem que surge ou se duplica em reflexos. Dessa forma, sou capaz de notar como eu e como quem ocupa a cidade ao meu lado também somos parte desse universo vivo formado por cimento, pedra, folhas e sol. Ao fotografar a cidade fotografo minhas próprias memórias. Memórias que hoje são apenas lembranças de infância ou juventude. Outras memórias que ainda irão se compor, de lugares que um dia deixarão de existir como são, porque a mudança é implacável.

Shel Almeida  -  https://www.instagram.com/shel.almeida/

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