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Juntos, na mesma sala de aula, mãe e filho são exemplos de superação e cumplicidade

Matéria publicada na edição de 14 de maio de 2017

 

Olhar calmo, sorriso no rosto, uma fala mansa e uma postura que passa muita tranquilidade e fé. Assim é Patricie Santos Scudelari Peçanha, figura de destaque na sala de aula do 5º ano do curso de Medicina Veterinária da Fesb. Mas, a evidência não foi conquistada como aluna. E sim, como mãe de aluno.

Isso porque, desde o início deste ano, Patricie acompanha o filho em todas as aulas da faculdade. Nos corredores do campus é impossível passar por ela, ou melhor, por eles, sem perceber ou não se emocionar. Junto com o filho, Jelvis Ferretti Scudelari Peçanha, ela compõe a dupla que se tornou sinônimo de garra, dedicação, força de vontade, além de simbolizar o mais singelo amor e a real cumplicidade que pode existir numa relação mãe e filho.

Quem vê Patricie, tão serena, desconhece a dor que ela sentiu há exatos três anos (em 13 de maio de 2014), quando seu filho foi, violentamente, agredido com uma barra de ferro na cabeça. Jelvis, que hoje tem 25 anos e na época já cursava a faculdade, ficou entre a vida e a morte. O crime aconteceu numa pista de skate na vizinha cidade de Piracaia e virou manchete da imprensa nacional. Ele que tentava impedir uma briga que acontecia no local e se transformou em vítima.

A mãe conta que a agressão resultou em 72 dias no hospital. Sendo 50 dias de UTI, dos quais 30, Jelvis permaneceu em coma. Ele sofreu traumatismo craniano bilateral, com perda de massa encefálica. “Tudo era incerto, a não ser a fé em Deus e a convicção que o sonho de meu filho em ser médico veterinário não se encerrava ali, naquela cama de hospital”, relatou Patricie ao afirmar que, na verdade, quem foi excluído da sociedade não foram somente os agressores, mas também seu filho. “Ele ficou estes últimos três anos ausente da sociedade, em meio a cirurgias, tratamentos, reabilitação e recuperação”.

Tímido, Jelvis abaixa a cabeça ao se lembrar do fato. Mas, quando fala da mãe, a postura muda: ergue o rosto, se enche de orgulho e com os olhos brilhando, a chama de “guerreira”. No que ele tem total razão. Afinal, a caminhada de Patricie não foi e não é nada fácil. Além de, junto com a família, ter permanecido ao lado do filho em todos os momentos difíceis, a rotina dela, ainda hoje, continua muito puxada. Para ver o sonho do filho se realizar, ela enfrenta a Estrada Piracaia/Bragança todos os dias, frequenta as aulas, estuda junto para as provas e ainda ajuda nos trabalhos acadêmicos. Sem falar dos demais afazeres como dona de casa e empresária.

Muito emocionada e se referindo ao filho como vencedor, Patricie também não esconde a admiração que tem por Jelvis, “ele é um menino esforçado, otimista. Nunca reclamou de nada. Ao contrário, é ele que nos dá força para enfrentarmos tudo isso. Jelvis é extraordinário”. A mãe acrescenta que eles também se completam em sala de aula. “Enquanto Jelvis presta atenção nas aulas eu faço as anotações”, afirma sorrindo. “E, assim, vamos seguindo até conquistar o diploma”. A conclusão está prevista para o final deste ano.

Mas, Jelvis já anunciou: o fim da faculdade não significará descanso. Nem para ele e nem para a mãe. Seu próximo passo é a pós-graduação em fisioterapia veterinária. A meta dele é abrir uma clínica especializada em reabilitação de animais. “E minha mãe, será minha assistente”, brinca.

Hoje, da história triste de Jelvis Peçanha, só restam as sequelas físicas: mão, braço e perna esquerda com movimentos limitados. Mas, mesmo assim, elas passam despercebidas, sobrepostas por uma nova história escrita com muita determinação e uma enorme vontade de viver e de enfrentar as dificuldades.

Mãe e filho se tornaram exemplo de cumplicidade, amor, superação e são incentivos para os que pensam em desistir, durante uma caminhada difícil. Como ela, temos a certeza que há outras milhares de “Donas Patricies” espalhadas por este mundo.

A todas elas um Feliz Dia das Mães. Que as semelhanças entre estas mães se multipliquem e possam, cada vez mais, contagiar e criar novas histórias vitoriosas.

Por Ana Sílvia Cardoso

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