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À cabeceira...

Por Ana Raquel Fernandes

Uma vez eu tive um sonho, ou pelo menos acredito que tenha sido um sonho. Eu dividia o quarto com minha irmã e dormia, quando percebi alguém abrindo a porta, trazendo para dentro alguma claridade vinda da luz que ficava no corredor. Conforme a pessoa se aproximava, me pareceu ser a figura de uma mulher, que se aproximou ainda mais da minha cama, chegando a tocar meu rosto e depois, saiu.

Eu não sei explicar ao certo a sensação que aquela presença feminina acalentadora me causou, e o mais estranho é que, no dia seguinte ao perguntar à minha mãe se ela estivera em meu quarto na noite anterior, a resposta foi negativa. Então, eu teria sonhado? Teria sido alguma espécie de visão ou apenas a imaginação fértil de uma garotinha imaginativa?

Eu não sei.

O que eu sei é que esse “estranho” acontecimento ilustra bem o que é cuidado e, portanto, ilustra bem aquilo com que o Altíssimo nos proveu quando, sabiamente, criou a figura da Mãe.

Acho mesmo que ele temia que seu amor não fosse bem compreendido por nós e, então, resolveu personificá-lo.

Acho ainda que o amor dos dois se confunde. Pense na bendita Maria, cujo ventre abrigara o Eterno, vendo-o macerado, prestes a morrer numa cruz indigna. Pense nas muitas Marias que veem seus filhos assassinados, presos, marginalizados, doentes... Meu coração se comove só por tentar imaginar a dor dessas mães.

Além do próprio Cristo não há outra figura que exemplifique esse amor insano, a não ser a figura da Mãe.

Quando doentes, ou na iminência de uma doença, quando cansados, quando descrentes, quando malcriados, quando ingratos, quando felizes, quando certos e quando errados, seu amor por seus filhos não muda, e é ela quem nos recorda, através desse amor, aquilo que somos e o que devemos nos tornar.

É ela a figura à cabeceira de nosso leito febril, sempre foi ela...

Texto dedicado a Claudete Lopes da Silva Fernandes, minha mãe, ou a personificação do Altíssimo em minha vida.

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

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