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Greve Geral tem adesão de Bragança e cidadãos vão às ruas contra as reformas do governo federal

Matéria publicada na edição de 30 de abril de 2017

 

Na manhã de sexta-feira, 28, centenas de manifestantes ocuparam as ruas de Bragança Paulista em adesão ao movimento de Greve Geral que ocorreu em todo o país. O motivo da mobilização foi demonstrar a indignação com as reformas que o governo federal está propondo e implantando, em especial, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência.

O ato começou na Praça Raul Leme e foi organizado pela União Bragantina em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores, que é formada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do estado de São Paulo), Acohab (Associação Comunitária de Habitação Popular de Braganca Paulista), Sismub (Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Municipais de Bragança Paulista e Região), Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Papeleiros, Sindicato dos Comerciários, Sinergia (Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do estado de São Paulo), Frente de Esquerda de Bragança Paulista, Coletivo Feminista Rosa Não Cala e integrantes da sociedade em geral.

A mobilização também contou com a adesão de professores e representantes de escolas particulares da cidade, como o IECJ (Instituto Educacional Coração de Jesus) e o Colégio Santo Agostinho, além da USF (Universidade São Francisco) e do IF (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo).

Concentrados na praça, os manifestantes exibiam faixas com frases contra o Governo Temer e contra as reformas. Também bradavam gritos de ordem. Antes da saída, alguns líderes do movimento discursaram, o que ocorreu também ao longo do trajeto.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Válter Jesus Brajão, disse que a Reforma da Previdência vai assaltar o bolso dos trabalhadores. “Esta reforma não pode passar. Na verdade, não é uma reforma, é um assalto ao direito dos trabalhadores”, disse. Brajão também afirmou ter ficado satisfeito com a participação da população. Para ele, a adesão de populares e de entidades surpreendeu. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos ainda declarou que este foi só o primeiro passo, pois a luta contra a Reforma da Previdência vai continuar.

O vereador Antônio Bugalu, que é ligado ao Sindicato do Papel, também se manifestou contra as reformas do governo que ele classificou como “corrupto”. Bugalu encorajou os manifestantes a se manterem unidos em favor da causa comum. “Trabalhador unido jamais será vencido”, disse.

O percurso do manifesto começou fazendo o contorno da Praça Central. Depois, os manifestantes desceram pelas ruas centrais até chegar à Avenida Antônio Pires Pimentel, onde foram caminhando até a Prefeitura.

Lá, o presidente do Sismub, Carlos Alberto Martins de Oliveira, ressaltou que servidores municipais também estavam participando do movimento e, assim, disse que esperava não haver perseguição por parte da Prefeitura. “Não vamos admitir perseguição”, declarou. Ele também aproveitou a ocasião para avisar a Administração sobre a campanha salarial do funcionalismo, cuja pauta foi aprovada na última quinta-feira, 27.

O ato prosseguiu em direção ao Lago do Taboão, onde, antes do encerramento do ato, o frei Luís Augusto de Mattos discursou em nome do Colégio Santo Agostinho. Ele disse que a maioria do povo ainda não está consciente do que a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista vão representar, quais serão as consequências. O frei defendeu que a mobilização é a saída fundamental para este momento histórico que o país vive. “E vou lembrar para vocês por que a escola Santo Agostinho está aqui também nessa caminhada. Falar em Reforma da Previdência é falar do quê? De arrancar o direito de trabalhar em prol das crianças desfavorecidas deste país, que necessitam de um ensino digno, justo. Um povo que não pode receber uma boa educação caminha para onde? É massa de manobra, é manipulação dos que sempre dominaram o nosso país, por isso, aqui estamos. E mexer na lei trabalhista é mexer em quê? É retirar os direitos garantidos dos trabalhadores e trabalhadoras, então, vamos continuar unidos, vamos continuar lutando, porque a única saída que nós temos é ter enfim esse olhar de futuro, esse olhar de águia e não de galinha presa no galinheiro, muito obrigado”, concluiu.

Após o encerramento da manifestação, alguns dos organizadores comentaram o ato.

Victoria Tavella Moraes Guimarães Menezes e Caroline de Moraes Lima, do Coletivo Rosa Não Cala, disseram que se surpreenderam com o número expressivo de manifestantes. “O movimento foi surpreendente, a gente não esperava que teria tantas pessoas, foi muito positivo e a gente quer que essa união continue em favor dos direitos dos trabalhadores”, afirmaram. Elas também declararam que os atos contra as reformas devem continuar. “Se a reforma for aprovada a gente vai continuar agindo até que ela caia. O governo é quem vai ditar os próximos passos. Conforme eles agem, a gente reage”, avisaram.

Para Bruno Leme, da Acohab, o ato foi extremamente exitoso. “Arrisco a dizer que foi o maior ato que Bragança já teve de unidade da classe trabalhadora. Acho que todas as entidades representadas, os estudantes, aposentados, saem daqui em êxtase e, na verdade, é o primeiro ânimo que a gente tem para renovar a luta, porque ela vai perdurar, ela não é só hoje. Acho que a gente sai daqui com o dever cumprido porque a gente conscientizou a população, mostrou que a gente estava parando por eles, por todos os direitos dos trabalhadores bragantinos e brasileiros. A luta tende a aumentar e tenho certeza que a gente vai derrubar as reformas”, declarou.

Tales Machado de Carvalho, um dos líderes do ato do início ao fim, também se surpreendeu com a aceitação popular. “A grande aceitação surpreendeu, nós esperávamos um número menor de pessoas, mas foi muito maior do que muita gente esperava. Isso mostra que existe uma rejeição enorme ao Governo Temer. A gente já sabia que isso existia no Brasil inteiro, mas em Bragança também existe. Essa luta só começou. Nós temos consciência que só fazer a Greve Geral não vai derrubar as reformas, mas esse foi o primeiro passo. Agora, vamos voltar para as bases, fazer palestras nos bairros, nas igrejas, nas universidades para que a gente possa voltar ainda mais forte, para que a gente possa derrotar essa reforma e tirar esse governo que está aí, porque é um governo que só tem 4% de aprovação, não pode ficar à frente do país. Esse governo não tem legitimidade nenhuma para estar aí, tanto é verdade que a União Bragantina em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores une pessoas com as mais diferentes ideologias, com os mais diferentes posicionamentos políticos, mas que neste momento viram a necessidade e a urgência de se unir. Isso demonstra que mesmo com posições políticas tão distintas e tão diferentes, foi possível fazer esta unidade e foi essa unidade que transformou este ato em vitorioso e eu diria até histórico”, afirmou.

Após o encerramento do ato, os manifestantes se dispersaram. Vale registrar que todo o trajeto contou com o apoio da Polícia Militar, que ia à frente interditando o trânsito e garantindo a passagem segura do protesto, que foi pacífico.

 

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