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O exemplar Antônio Carlos

Por Paulo Botelho

 

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946) foi prefeito de Belo Horizonte, governador do estado de Minas Gerais e ministro da Fazenda. Ele era bisneto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.

Em 1918, quando deixou o Ministério da Fazenda, foi à Companhia Sul América, onde era segurado, fazer um empréstimo pessoal de 7 Contos de Réis. Ele deixava um cargo importante. Durante a Primeira Guerra Mundial, passara por suas mãos todo o dinheiro do Brasil. Mas, saiu sem recursos suficientes para tocar a vida.

O diretor geral da Sul América, Moreira Magalhães, sabendo do fato, ficou admirado. Como é que uma pessoa que, durante a Guerra de 1914-1918, tivera ordem de sacar em branco contra todos os bancos do país deixava o posto tão cobiçado sem recursos, necessitando de 7 Contos de Réis?

Antônio Carlos, então, foi convidado a fazer uma visita à sede da Sul América. E o Magalhães, dando o motivo por que o havia convidado, disse: “Quero abraçar o homem que, deixando o Ministério da Fazenda, vem nos pedir 7 Contos emprestados!”.

Meses depois, Antônio Carlos passou a fazer parte da diretoria da Sul América.

O povo de Poços de Caldas-MG mandou fazer uma estátua de bronze em homenagem a Antônio Carlos. E ela está erigida na Praça Pedro Sanches, no centro da cidade. Sempre que passo por lá vejo uma rosa vermelha – sempre fresca – depositada lá por algum anônimo.

Esse povo tão sofrido e decepcionado sabe reconhecer o valor da honestidade; qualidade em falta neste país. Fica o exemplo.

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor. www.paulobotelho.com.br

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