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Católicos e evangélicos consideram a Páscoa como a passagem da morte para a vida

Matéria publicada na edição de 16 de abril de 2017

Neste domingo, 16, em que se celebra a Páscoa, o Jornal Em Dia conversou com líderes religiosos que falaram um pouco sobre os ritos e costumes da data. Apesar das peculiaridades que cada religião tem sobre o modo de viver o momento, católicos e evangélicos chegam a um consenso na hora de definir a Páscoa. Para eles, a data pode ser definida como a passagem da morte para a vida.

A reportagem conversou com o bispo Dom Sérgio Aparecido Colombo, da Igreja Católica, e também com o pastor Armando César C. da Silva, da 3ª Igreja Batista. Acompanhe.

A PÁSCOA É O ACONTECIMENTO CENTRAL PARA OS CATÓLICOS

Os católicos consideram a Páscoa como o acontecimento central de sua fé. De acordo com o bispo diocesano Dom Sérgio, tudo gira em torno desse acontecimento. “A igreja se organiza, organiza o seu tempo, as suas orações, a sua liturgia a partir da Páscoa. O próprio mistério de Cristo na sua encarnação é iluminado pela Páscoa. Porque se não tivesse acontecido a Páscoa, Jesus não tivesse ressuscitado e tivesse morrido como todo judeu morreu, ele seria apenas o homem de Nazaré, de dois mil anos atrás. Seria um acontecimento lá do passado, mas não. A partir da Páscoa, a Igreja compreende que o seu Senhor, que morreu e ressuscitou e vive para sempre é aquele que nasceu por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, lá em Belém”, explicou Dom Sérgio.

O bispo lembrou que de um modo bastante simples a Páscoa consiste na passagem da morte para a vida. “Passagem das condições de morte para condições de vida”, acrescentou.

Dom Sérgio comentou que antes da vinda de Jesus ao mundo, a Páscoa já era celebrada e que o acontecimento que iniciou essa celebração foi a saída do povo de Israel do Egito. “A Páscoa nos lembra aquele acontecimento fundante, para o povo de Israel, ao qual, de algum modo, nós pertencemos. A libertação da escravidão do Egito. Deus libertou o seu povo de uma situação de escravidão, Deus libertou o seu povo da opressão dos inimigos e fez o seu povo sair em busca de uma terra melhor, os fez desfrutar da liberdade de ser filho, filha, desfrutar de uma nova cidadania, marcada pelo trabalho, generosidade, comunhão, partilha”, disse.

O bispo ainda completou: “Em se tratando da Páscoa cristã, quem a realizou plenamente foi Jesus Cristo, a pessoa dele, o sangue dele derramado nos remiu, nos fez passar de uma situação de pecadores para uma situação de graça, de reconciliados com Deus, nos fez passar, portanto, da morte para a vida”.

A respeito da quaresma, que é o período de 40 dias que se inicia na Quarta-feira de Cinzas, após o Carnaval, Dom Sérgio explicou que se trata de um período de preparação dos católicos. “Celebramos solenemente, uma vez por ano, a Páscoa, como o povo de Deus celebrava, como Israel celebrou. E havia toda uma preparação para celebrar a Páscoa. Nós também nos preparamos para celebrar a Páscoa, pela quaresma, por isso que a quaresma é tempo de rever a vida, rever os valores, rever os princípios, as motivações que a conduzem, para ver se elas estão realmente batendo, sintonizando com o projeto de Jesus, que veio da parte de Deus para realizar a Páscoa definitiva”, declarou.

Ainda sobre esse momento especial, ele afirmou: “A gente diz que a quaresma é o tempo que nos prepara, que nos introduz num regime novo de vida. É o tempo que nos faz rever a nossa condição cristã, se estamos realmente colaborando para que o mundo seja um mundo fraterno, um mundo solidário, um mundo de irmãos. Quaresma são esses 40 dias de oração, de jejum, de reflexão, de abstinência, de gestos concretos que mostram que Deus continua agindo e o seu agir desde sempre é um agir libertador”.

O bispo da Diocese de Bragança Paulista lembra que o sacramento da Eucaristia foi instituído na véspera da morte de Cristo. “Nos três dias mais importantes da Páscoa, nós celebramos, a ceia, Jesus praticamente se despedindo. Quando ele fala, isto é meu corpo, este é meu sangue, ele está se referindo ao dia seguinte, à Sexta-feira Santa, em que na cruz o seu corpo vai ser entregue e o seu sangue vai ser derramado. Sacramentalmente, no pão e no vinho, nós nos alimentamos de Jesus para que alimentados por ele nós continuemos a fazer o que ele fez, amar, servir, doar a nossa vida. Nesse rito, temos o sacramento da Eucaristia, a instituição da eucaristia. Aquela eucaristia que de muitos modos já foi precedida, na multiplicação dos pães sobretudo, agora ela é vida para todos, é fonte de salvação. Então, o seu corpo crucificado, o seu sangue derramado são sinais presentes naquele pão e naquele vinho para nos alimentar, para que nós também, fazendo a experiência da cruz, a experiência da entrega da nossa vida, ressuscitemos com ele para amar e servir como ele”, comentou.

Além da Eucaristia, Dom Sérgio apontou como momentos importantes da celebração de Páscoa “a redenção de Jesus na cruz, na sexta-feira, onde o cordeiro, sem abrir a boca, foi levado e crucificado, e no Sábado Santo, a vigília, onde os cristãos se preparam para viver a ressurreição”. O bispo observou, ainda, que o Círio pascal é um símbolo de muita relevância para os católicos, pois faz alusão a Jesus, que morreu nas trevas, mas veio à luz do mundo com a ressurreição.

Por fim, Dom Sérgio deixou uma mensagem a todos os leitores do Jornal Em Dia. “A minha mensagem é sempre uma mensagem de esperança. Se Jesus morreu por nós e nós celebramos com tanta devoção na Semana Santa esse gesto de amor, esse gesto de entrega, não podemos parar aí. Gostaria de dizer que nós gostamos muito da procissão do Senhor morto, né? Você vai à procissão do Senhor morto, é uma multidão, fazemos questão de acompanhar o Senhor morto, que bonito, que devoção bonita. Jesus morreu por mim, morreu por você, para reconciliar você com o pai, com o irmão, para reconciliar toda a humanidade. Só que ele não permaneceu morto. Mas no Sábado Santo, nem metade daquele povo volta, parece que enterrou Jesus e disse tchau, até o ano que vem. Nós precisamos voltar. Então, a minha mensagem é de esperança para todo o povo, católicos, diocesanos aqui de Bragança, pessoas de boa vontade, de outras igrejas, não importa, a esperança que nós só vamos ter um mundo melhor, um mundo solidário aprendendo com Jesus a dar a nossa vida. Quem dá a vida não perde a vida, quem dá a vida ganha a vida, como Jesus ganhou. Que nós possamos viver essa alegria, celebrá-la na comunidade, celebrá-la com os irmãos. Essa é a Feliz Páscoa que eu desejo para todos”.

EVANGÉLICOS ANUNCIAM A MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS O ANO TODO

O pastor Armando César, da Igreja Batista, contou que para os evangélicos a Páscoa também significa passagem da morte para a vida. “O significado da Páscoa para os evangélicos nada mais é que uma comemoração do próprio termo Páscoa, que significa passagem. Então, para nós, é uma data de passagem da morte para a vida, ou seja, o momento em que Cristo entregou a sua vida, ali na cruz, ele morreu, e ressuscitou. Então, essa passagem, da morte para a vida é que nós celebramos como a Páscoa, disse.

Questionado se a Páscoa também ocupa lugar de destaque nas igrejas evangélicas, o pastor explicou que sim, mas que o anúncio da morte e ressurreição de Jesus já é feito pelos fiéis evangélicos o ano todo. “É uma data importante porque nós utilizamos esta data para refletir, trazer a importância da morte de Cristo, que veio até o mundo e morreu pelos pecadores, então, para nós, evangélicos, é importante porque traz esta verdade que nós anunciamos o ano todo. Aproveitamos essa data para continuar anunciando a morte e ressurreição de Jesus”, explicou.

O pastor Armando contou que as igrejas evangélicas celebram o batismo e a Ceia do Senhor. “Nós, evangélicos, temos apenas duas ordenanças ritualísticas que nós guardamos e praticamos. A primeira é o batismo. Pessoas que professam a fé em Jesus, nós as batizamos. O segundo mandamento é a Ceia do Senhor, em que nós utilizamos o suco de uva e o pão para celebrar a morte e a ressurreição de Jesus. Mas para celebrar a Páscoa como data nós não temos nenhum ritual, não temos calendário, não temos, como os católicos que guardam e professam a Sexta-feira Santa, a quaresma. Para nós, evangélicos, não. Os dois mandamentos, para nós, são: o batismo e a ceia. Então, quando nós celebramos a Ceia do Senhor, comemos o pão, tomamos o vinho, este é o maior símbolo, podemos chamar até de símbolo pascal, que traz a memória, o sacrifício e a ressurreição de Jesus”, explicou.

Para os fiéis das igrejas evangélicas, o único símbolo da Páscoa é a cruz vazia, que indica a morte, mas, principalmente, a ressurreição de Cristo. “Para nós, evangélicos, nenhum símbolo representa a Páscoa. A Páscoa não é o coelhinho, não é o ovo. Para nós, o único símbolo da Páscoa é a cruz vazia, ou seja, o momento em que nós trazemos a memória que Cristo morreu na cruz e ressuscitou. Não há nenhum tipo de adesão àquilo que é professado aí fora, através do comércio, ovo de Páscoa, chocolate, etc. Para nós, evangélicos, não existe esta adesão a nenhum tipo de movimento mercantil e etc. É uma data que nós vamos anunciar mais uma vez o que nós já fazemos o ano todo. Para nós não é uma data específica para evangelizar, nós já fazemos isso o ano todo, aproveitamos essa data para continuar fazendo isso”, esclareceu.

O pastor Armando César também deixou sua mensagem para este Domingo de Páscoa. “A mensagem que eu deixo é: Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho para morrer por todo aquele que nele crê, então, quem crer nele vai ser salvo. Jesus veio ao mundo para salvar, se nós acreditarmos no sacrifício do Senhor Jesus, nós seremos salvos. João, 3, 16 nos diz ‘Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna’. Minha mensagem é: acredite no Senhor Jesus Cristo, que ele veio para morrer por nós e ressuscitou por nós”, concluiu.

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