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Celebrem!

Por Ana Raquel Fernandes

“A cruz de Jesus sempre permanecerá um escândalo e uma tolice para discípulos exigentes que buscam um salvador triunfante e um evangelho de prosperidade. O número deles é legião. São inimigos da cruz de Cristo. Jesus não teria nenhum outro nome pelo qual pudesse ser chamado não fosse o nome de “Crucificado”. (...). Seu ministério era um fracasso aparente; sua vida parecia não ter feito nenhuma diferença; era um Deus assassinado, ineficaz, perdedor. Mas nessa fraqueza e vulnerabilidade o mundo viria a conhecer o amor do Aba, daquele que era Compassivo”.

Brennan Manning

 

Eu sentia um peso em meu coração toda vez que a Páscoa se aproximava. Eu me lembro de quando era criança e assistia nos noticiários às encenações ao redor do país e do quanto aquela figura do homem mutilado me assustava.

Naquela época, eu não compreendia, nem conhecia Jesus.

Hoje, adulta, posso afirmar que conheço um pouco melhor o homem do madeiro. Temos um relacionamento, sabe? Com o passar dos anos, e através das experiências maravilhosas e dolorosas que Ele mesmo me proporcionou, é que fomos nos tornando mais íntimos.

Hoje eu sei em quem creio e já não temo a figura do Homem-Deus ensanguentado, antes, sinto a alegria plena de saber que Ele se submeteu àquilo por amor a mim. Pois é, eu e você, esses fariseuzinhos modernos, gente da pior espécie, pecadores convictos, eu e você, que não somos dignos de amor algum.

Há quem morra sem compreender esse mistério, do Deus que se fez homem e se permitiu morrer para que gente como eu e você pudesse um dia renascer com Ele.

O homem pendurado no madeiro, mutilado por agressões inúmeras, humilhado de todas as formas é com quem irei passar todas as Páscoas dessa minha passagem por essa terra. E não digo isso de forma metafórica, não. O homem do madeiro está vivo, então, por que não desfrutar de sua doce presença?

Ao contrário do que supõem os fariseus modernos, essa gente bem careta e chata que adora julgar a tudo e a todos, segundo seus próprios critérios de santidade, Ele, o Deus encarnado, não passaria a Páscoa sisudo, pensativo diante de seu grande feito. Ah, não, o Jesus que conheço passaria a Páscoa com um sorriso lindo nos lábios, repleto da alegria de estar novamente com os seus. E eu dividiria meu chocolate com Ele, assim como Ele dividiu uma vez o pão, e riríamos do fato de estarmos com as mãos todas melecadas. O Jesus que eu conheço é forte e doce como ele só.

E ele nos convida a fazer uma passagem, sim, porque a páscoa em sua essência tem esse significado. Ele nos convida a sair da zona do medo para adentrar ao reduto da confiança. Ele me segredou uma vez que era isso o que pretendia quando de seu sacrifício naquela cruz horrorosa. Ele queria conquistar nossa confiança em seu amor irrestrito e incondicional.

Você acredita que é amado? Acho que é essa a pergunta que o Deus-Homem nos faz na páscoa e em todos os dias, enquanto busca desesperadamente, tal qual um jovem apaixonado, desenvolver um relacionamento genuíno conosco.

Você acredita mesmo que é amado? A despeito de seu caráter duvidoso, de suas pequenas corrupções do dia a dia, de sua preguiça, de suas mentiras, de sua inveja... Ah, meus queridos, todos nós somos assim, mas pasmem, Ele nos ama a despeito disso tudo. Parece loucura? Mas é Vida!

Na Páscoa, assim como em todos os outros dias do ano, o Jesus que eu conheço nos convida a celebrar a Vida.

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

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