O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Bate-boca na Câmara: cobrança por respeito ou jogo de vaidades?

Matéria publicada na edição de 2 de abril de 2017

 

A última sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na terça-feira, 28, durou quase seis horas. Mas o diferencial dela não foi só a extensão dos trabalhos. A reunião registrou um bate-boca acalorado entre os vereadores Mário B. Silva e Cláudio Moreno, com a presidente Beth Chedid tentando acalmar os ânimos.

Os dois falaram em respeito por várias vezes, mas o que parecia estar mesmo em questão era um jogo de vaidades em que um estava descontente com o destaque que o outro estava conquistando, pelo menos em sua visão.

Já passava das 21h, quando Mário subiu à Tribuna e adiantou que a partir dali faria comentários especificamente voltados ao colega Cláudio Moreno, que nas últimas semanas teceu críticas pela demora na resolução de problemas por parte do poder público, seja da Prefeitura ou da Câmara.

Uma das afirmações que irritou Mário foi a que os vereadores teriam uma visão rasa. “Posso ter divergências políticas e visões contrárias, mas eu nunca vou subir aqui nessa Tribuna e falar que a visão de qualquer vereador que está aqui é uma visão rasa”, disse Mário.

O vereador continuou: “Eu não preciso servir de palanque essa Tribuna aqui pra dizer que eu sou melhor que qualquer um de vocês. Eu faço meu trabalho e prova disso está aqui”. Mário se referia a emendas que conquistou para o município por intermédio do deputado federal Paulinho da Força.

Mário também afirmou que não deu procuração a Cláudio para que ele falasse em seu nome. “Não dei nenhuma procuração para o senhor falar de uma visão rasa e que nós, vereadores, não estamos fazendo nada. Então, a partir do momento que eu não dei nenhuma procuração para o senhor usar esta Tribuna e falar que nós não estamos fazendo nada, olhe para o espelho. O senhor só critica as pessoas, o senhor não respeita as pessoas. O senhor deveria também respeitar o espaço de cada um aqui”, prosseguiu Mário.

Ainda por vários minutos, Mário B. Silva continuou questionando a postura de Cláudio. “O senhor tem a sua visão, a sua maneira de analisar, mas eu peço, por favor, não cite o meu nome. O senhor não cita, mas o senhor fala “nós não estamos fazendo nada”. Olhe pro espelho e fale “eu não estou fazendo nada, eu enganei aquele povo lá”, sugeriu.

Foi então que Cláudio o aparteou, dizendo que pelo que estava entendendo Mário o havia interpretado errado.

“Não é interpretar de forma pessoal. Da maneira que o senhor joga aqui e da maneira que as pessoas estão vendo, o senhor é a estrela que mais brilha aqui, o senhor que está fazendo tudo, nós não estamos fazendo nada, não estamos cobrando o prefeito. Cláudio, põe a mão na sua consciência, cara. Você está achando que nós somos moleques? Se você acha que eu sou moleque, eu não sou. Quando eu me sentir ofendido, vou pegar esse microfone, porque não aceito esse tipo de coisa. Não vou aceitar”, respondeu Mário.

Os dois, em seguida, trocaram afirmações de que não concordam com a forma de pensar um do outro. Cláudio defendeu que o debate era importante para que a população soubesse o que cada um pensa.

“Aí eu quero só dizer o seguinte pro senhor. Esse debate nosso aqui ele é importante porque deixa claro para a população o que cada um pensa. Eu quando disse aí neste lugar que o senhor está, falei o seguinte: eu, Cláudio Moreno, naquele momento, estava decepcionado, envergonhado de ser vereador. Eu puxei pra mim”, declarou Cláudio.

Explicando que cada um tem uma visão, Cláudio disse que não precisava da autorização do colega para exercer um direito seu.

“Mas se precisasse, o senhor fica à vontade. Agora, Beth, é um absurdo isso. Eu estou de saco cheio com isso, eu não vou aceitar, colega vereador, respeito o senhor, mas, por favor”, voltou a dizer Mário, nitidamente irritado.

A presidente Beth, então, interveio pedindo para que eles concluíssem. Cláudio disse que gostaria de concluir o que estava falando porque havia sido citado nominalmente.

Mário, então, justificou que o citou nominalmente porque Cláudio não tinha coragem de fazer isso. “Mas sabe por que eu citei nominalmente? Porque o senhor não tem coragem de citar nominalmente. O senhor fala “vereadores”. Eu cito nominalmente”, declarou.

“Como que não tem coragem? Eu fiz avaliação, como radialista lá na rádio, da sua atuação aqui muitas vezes. E o senhor fez muita coisa boa e eu também elogiei o senhor. Agora o senhor não entende o que estou falando”, respondeu Cláudio.

Beth novamente pediu para que os dois mantivessem o diálogo. “Quero que cada um respeite o trabalho do outro. Acho que é importante. Nós estamos iniciando um trabalho, vamos ter uma convivência de quatro anos pela frente. Que cada um respeite o trabalho do outro, quer na situação, quer na oposição. Cada um dê valor ao trabalho do outro, mesmo porque, acho que não tem ninguém dentro do gabinete do outro pra saber o que faz, o que gasta, não é verdade? O que investe, o que doa. Então, acho que respeito mútuo, neste começo de mandato, é bom, vai fazer bem, cada um respeite o trabalho do outro. Cada um tem uma forma de atuação. Então, sem desmerecer o trabalho do outro, pra gente poder conviver nestes quatro anos, cada um fale por si. Nós engrandecendo a nossa Câmara repercute em toda a sociedade. Se nós desmerecermos o nosso trabalho, igualmente vai acontecer isso. E eu procuro sempre aqui na Mesa, junto com meus colegas da Mesa, sempre dar espaço pra cada vereador”, contou a presidente.

Cláudio, então, retomou a palavra. “Eu queria concluir, presidente, quando o vereador Mário B. Silva cita, insinuando da minha crítica ao prefeito Jesus Chedid, eu quero só falar uma coisa pro senhor. Eu sou do mesmo partido, eu sou do Democratas, e quando eu achar que o prefeito tomou uma iniciativa que não vai ao encontro daquilo que o eleitorado tem cobrado de mim, eu vou ter independência de cobrá-lo e não vai ser o senhor que vai me impedir disso. Essas jogadas de palavras, tipo “porque o Cláudio Moreno está fazendo uma crítica ao prefeito”. Vereador, quando precisar, eu vou fazer, cabe a mim fazer esta situação”, disse.

Cláudio ainda reafirmou não estar contente com o que está produzindo na Câmara. “Ainda acho que a Câmara de Bragança deve muita explicação para população, ela tem que fazer a sua parte, esta é a minha opinião. Não estou desrespeitando o senhor por isso, só queria que o senhor entendesse que quando eu falar alguma coisa que o senhor ache que eu insinuei, estou à disposição pra explicar pro senhor, lhe respeito, mas não vou pedir autorização do senhor para falar”, afirmou.

Cláudio ainda ressaltou que não pediria autorização a Mário para criticar o Executivo. “Agora se eu precisar criticar o prefeito, não vai ser o senhor que vai insinuar. Eu vou criticar o prefeito, eu vou criticar quem está no Executivo, vou cobrar quem está no Executivo, que o senhor goste, ou que o senhor não goste”, avisou.

A resposta de Mário veio em forma de ameaça. “Mas, Beth, obrigado pela sua fala, eu já quero terminar. Você falou muito bem, estamos começando o mandato. Se deixar a coisa correr solta, vai sair tapa aqui dentro”, declarou.

Diante disso, o bate-boca recomeçou.

“O senhor estava indo tão bem, vereador. O senhor falou de respeito até agora”, lamentou Cláudio.

Alterado, Mário respondeu: “Espera aí, quem está falando sou eu. Você grita, você fala o que você quiser na rádio. Aqui não”.

“Aqui sim. O senhor respeita. Se o senhor repetir a ameaça, vou ao Conselho de Ética e vou entrar com uma ação contra o senhor no Conselho de Ética”, avisou Cláudio.

“Não estou fazendo ameaça, não”, disse Mário.

“O senhor acabou de falar aí. Presidente, eu vou solicitar que essa degravação do Mário vá para o Conselho de Ética da Câmara”, ressaltou Cláudio.

A presidente Beth, novamente, pediu que a discussão fosse encerrada e avisou que cortaria os microfones se não fosse atendida. “Essa discussão não leva a nada, não é uma discussão que tenha proveito para quem quer que seja. Depois vocês vão lá fora, vocês discutem”, orientou.

“A discussão é aqui, presidente. Por que lá fora?”, questionou Cláudio.

“Não. Neste nível não. Por favor, vamos parar por aqui”, pediu Beth.

Cláudio perguntou a Mário, então, se ele retirava o que disse, mas a resposta foi negativa.

O aviso de corte dos microfones voltou a se repetir.

O vereador Moufid Doher, na tentativa de acalmar os ânimos, pediu respeito: “Cada um tem seu mérito. Vamos nos respeitar. Eu sou uma pessoa muito polêmica. Não tem ninguém em Bragança mais briguento que eu. Eu não levo desaforo pra casa de ninguém. E vim pra cá, para Casa, ciente de que tenho que engolir sapo. Então, o que peço pra vocês, neste momento, ter um pouco de compreensão e respeito”.

A presidente Beth, então, observou que a discussão deve servir de alerta para todos. Mais tarde, usando a Tribuna, ela pediu que os debates sejam produtivos.

Já Cláudio, quando fez seu discurso na Tribuna, voltou a explicar que vai discordar muitas vezes dos colegas, mas que isso não significa desrespeito.

Em contato com a Câmara, na tarde dessa sexta-feira, 31, o Jornal Em Dia obteve a informação de que a Comissão de Ética ainda não está formada neste mandato. “As bancadas foram notificadas para fazer a indicação dos membros, nos termos da Resolução 8/2010, mas ainda não se manifestaram”, informou o Departamento de Comunicação Institucional do Legislativo bragantino.

Além disso, não havia sido protocolada nenhuma representação oficial na Casa a respeito do ocorrido.

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player