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Sobre respeito

Por Ana Raquel Fernandes

Eu escuto desde crianças que minha liberdade termina onde começa a do outro, e talvez a dificuldade em respeitar essa máxima, em nossos dias, seja devido à total incapacidade de alguns em simplesmente reconhecer a existência dos “outros”. Vivemos dias egoístas, nos quais quase ninguém realmente se importa com os outros.

Será que meu vizinho tem o mesmo gosto musical que eu? Ou ainda, será que ele gostaria de ter que ouvir essa música que eu gosto, nesse volume?

Será que não tem ninguém tentando descansar após um dia cansativo de trabalho, ou será que não tem ninguém doente, ou nenhum neném naquela casa, que necessitem de silêncio e um pouco de paz?

Essas perguntas todas são desnecessárias. E posso parecer bem radical quando afirmo isso, mas é de fato como penso.

Penso que independentemente de haver alguém tentando dormir, ou alguém enfermo ou algum neném, independentemente de qualquer coisa, existe uma coisa chamada respeito. E nesse Carnaval, mais uma vez, ele foi esquecido.

Esquecido assim como o senhor que dedicou anos de sua vida a prestar serviços à Prefeitura de nossa cidade, e teve sua vida ceifada enquanto trabalhava para que essa festa desrespeitosa em todos os sentidos acontecesse.

Eu não gosto de Carnaval, nunca gostei, e por vários motivos, que não cabe aqui explicar, mas respeito quem gosta. Eu não gosto de barulho até as duas da manhã, e, no entanto, ninguém me respeitou.

Ensaios em quadra aberta iam até esse horário, e parecia que o ensaio estava dentro do meu quarto. Isso se chama desrespeito. Não há outro nome para isso.

Se você gosta do Carnaval, ótimo, eu jamais irei desrespeitá-lo por isso, mas acredito que muitos cidadãos se sentiram e ainda se sentem assim por conta do total desrespeito à Lei do Sossego e também porque não dizer, por causa do transtorno que essa festa traz inclusive para a fluidez do trânsito em nossa cidade, haja vista que a Avenida dos Imigrantes ainda encontra-se interditada, com alguns carros alegóricos estacionados ao longo dela.

Respeito é o que falta. Empatia também.

Eu desejo verdadeiramente que a suposta alegria que o Carnaval proporciona ao povo permaneça durante o restante do ano, mas não em forma de fantasia, ou barulho desrespeitoso, e sim em forma de justiça social, igualdade, educação e saúde de qualidade e, sobretudo, respeito.

À família do senhor Mauro Leme, meu respeito e meus sinceros sentimentos.

Simplesmente não há o que comemorar, independentemente de qual escola tenha “vencido” o Carnaval desse ano.

Quando o desrespeito impera, todos perdem.

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões: ana1lugar@yahoo.com.br

 

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