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Toda vez que um avião cai...

Por Ana Raquel Fernandes

 

Quando um avião cai, cria-se instantaneamente em mim um sentimento de impotência, porque, quando um avião cai, é como se toda minha crença no progresso da ciência desmoronasse junto com ele. Eu sei que somos humanos e, portanto, falhos, mas quando um avião cai, parece mesmo que toda nossa fragilidade se torna mais evidente.

Eu nunca viajei de avião, confesso que tenho vontade, mas ainda não o fiz. E quando um avião cai, e já caíram alguns em um curto espaço de tempo, eu me pego pensando naquelas histórias que sempre acontecem, do passageiro que desistiu de embarcar no último minuto, ou daquele outro que perdeu o voo, ou ainda daquele que, não se sabe bem o porquê, cedeu seu lugar a outrem.

Quando um avião cai, restam-nos muitas dúvidas e perguntas. E se esse avião carregava o Ministro do STF, Teori Zavascki, esses questionamentos ganham, ao menos em minha mente perturbada, uma proporção ainda maior.

Eu juro que não queria ser assim, mas parece que sempre que algo assim acontece, meu cérebro vai logo tratando de criar teorias conspiratórias que, na maioria das vezes, pasmem, são muitíssimo verossímeis.

Mas o Brasil, meus caros leitores, o Brasil é em si a maior conspiração de que já se teve notícia em toda a história.

Aqui, e me perdoem se eu estiver enganada, desde sempre houve conspirações, traições, “maracutaias” de todos os tipos... Aqui, meus caros, o poder conspira contra o povo, a corrupção conspira contra a dignidade humana, o dinheiro conspira contra a vida.

E não me surpreenderia se, por acaso, e depois de muitas investigações (dificultadas), se chegasse à conclusão de que o acidente envolvendo o avião que levava o Sr. Zavascki não foi exatamente um acidente.

No Brasil, que eu amo, mas que conheço um pouquinho, tudo, absolutamente tudo é possível. E muito me admira a astúcia de Pero Vaz de Caminha quando de seu primeiro contato com essa terra abençoada, logo notou que aqui é a terra das possibilidades infinitas. Aqui, como ele escreveu “Em se plantando, tudo dá”. O Brasil é o país de todas as possibilidades, e isso reflete, muito além de algo louvável, a fragilidade de nosso caráter. Somos um país Macunaíma, se me permitem a alusão à obra de Mário de Andrade. Um país cujo caráter ainda não está completamente formado, ou que simplesmente não tem caráter algum.

Por isso é que minha “neurose” pode até fazer sentido... porque num país como o nosso, até a mais absurda teoria o faz.

Toda vez que um avião cai, eu me lembro de outros que também caíram em situações semelhantes.

Toda vez que um avião cai, eu espero pela análise do conteúdo de sua caixa preta, mas às vezes, como é esse caso, ela simplesmente não existe.

Toda vez que um avião cai, eu desacredito um pouco mais na humanidade.

Toda vez que um avião cai...

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões: ana1lugar@yahoo.com.br

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