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Que ele nasça!

Por Ana Raquel Fernandes

 

- É preciso que ele nasça!

- Mas, senhor, há rumores de guerra. Há guerra, há dor e sofrimento.

- As crianças já nem choram mais, habituadas que está a alma delas ao horror da guerra.

- É preciso que ele nasça!

- Mas, senhor, não há lugar pra tamanha bênção num mundo despedaçado como o nosso.

- É preciso que ele nasça!

- Mas, Senhor, seu nascimento é tudo o que os homens não querem, nem tão pouco merecem.

- É preciso que ele nasça!

- Eles tentarão impedi-lo, Senhor!

- Basta! É preciso que ele nasça! Que o mundo e os senhores da guerra encontrem uma brecha em seu calendário odioso para que ele nasça!

Que o ódio ceda lugar à esperança, para que ele nasça!

Que a ganância, a intolerância e a maldade sejam abafadas, ao menos por um tempo, a fim de que ele nasça!

Que haja paz em Aleppo, para que ele nasça!

 Que não se ouça um ruído sequer de bombas, para que ele nasça!

 Que as crianças de Aleppo tenham ao menos uma noite tranquila de sono, ao lado de seus pais, para que aquele que veio cumprir a vontade de seu pai, nasça!

 Que eu e você nos desfaçamos de nossa aparente santidade, e nos assumamos maltrapilhos pecadores que somos, para que ele nasça!

 E que ele nasça para que possa morrer, e nascer de novo, por amor àqueles que o odiaram.

E que os homens vejam nele o reflexo do Pai, e sintam-se amados incondicionalmente, e tal qual crianças, dependentes do pai, rendam-se a esse amor insano e passem a refleti-lo em ações e palavras em seu dia a dia.

Que a desesperança dê lugar à alegria, porque ele nasceu!

Feliz Natal!

Ore por Aleppo hoje, ore pelos senhores da guerra.

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

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