O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Fariseus pós-modernos

Por Ana Raquel Fernandes

Vivemos dias sombrios, dias em que somos coagidos por uma televisão sórdida a escolher dentre nossos semelhantes, qual atenderíamos primeiro em caso de uma emergência.

E é inevitável que eu me lembre do Nazareno, quando me defronto com situações assim. Quando penso que a maioria dos entrevistados optou por salvar o policial e não o traficante, penso que há algo de muito equivocado conosco, enquanto humanidade.

O que me causa estranheza é que nenhuma dessas pessoas lembrou-se que há protocolos para atendimento a vítimas, e que estes priorizam sempre a que se encontra em estado de maior gravidade. Essa regra, universal, prioriza o atendimento à vítima com maior gravidade, sem para tanto questionar sua profissão, sexo, idade, formação ou caráter.

Temos juízes demais... E eu me pego pensando: “O que me torna melhor que o outro, meu próximo e semelhante? Se é mesmo uma questão moral, quem é que garante que o tal policial não é corrupto? Quando é que nos graduamos juízes? Ou ainda, quem dentre nós está completamente isento de culpa ou “pecado”, que possa atirar a primeira pedra?”

Talvez o erro seja que estejamos tentando salvar a nós mesmos. Arrogantes, egocêntricos que somos, ousamos julgar e sentenciar o outro, esquecendo-nos daquilo que o Senhor nos ensinou.

E imagino Jesus assistindo a esse programinha tendencioso e banal. Qual seria a resposta dele a tal enquete?

O Deus que se fez homem, por amor aos homens e se permitiu morrer no lugar de “gente da pior espécie”, como os nossos contemporâneos fariseus costumam dizer, o que ele responderia?

Acho que a resposta deixaria todos atônitos. Aliás, Ele é a resposta, em carne, osso, amor e compaixão insanos.

É... Vivemos dias maus. O ódio é incitado a todo instante, seja nas ruas, nas redes sociais ou na TV.

Somos promovidos a juízes, de repente, sem mais nem menos. Tornamo-nos pobres criaturas que se auto-intitulam detentoras da verdade.

Ah... Ele se envergonharia de nós e daquilo que nos tornamos: Fariseus do mundo pós-moderno, que insistem em viver a hipocrisia do moralismo e do ódio, ao invés da compaixão da Graça.

Que Ele nos perdoe...

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões: ana1lugar@yahoo.com.br

 

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player