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Fibromialgia

Por Ana Raquel Fernandes

 

Hoje o texto é um pouco diferente. Resolvi usar meu espaço dessa semana para divulgar e trazer ao conhecimento de alguns, uma doença. Sim, porque ela é muito pouco conhecida e divulgada, trata-se da fibromialgia.

Eu tenho fibromialgia, e desde meu diagnóstico tenho procurado me informar melhor e aos meus sobre ela, a fim de evitar a formulação de pré-conceitos que advêm do desconhecimento.

Fibromialgia é uma síndrome comum em que a pessoa sente dores por todo o corpo durante longos períodos, com sensibilidade nas articulações, nos músculos, tendões e em outros tecidos moles.

A fibromialgia está diretamente ligada também à fadiga, distúrbios do sono, dores de cabeça, depressão e ansiedade.

Pesquisadores acreditam que a síndrome é causada por um descontrole na forma como o cérebro processa os sinais de dor.

As causas da fibromialgia ainda são desconhecidas.

Sintomas: 

Dor generalizada: a dor associada à fibromialgia é constantemente descrita como uma dor presente em diversas partes do corpo e que demoram pelo menos três meses para passar.

Fadiga: pessoas portadoras dessa síndrome frequentemente acordam já se sentindo cansadas, mesmo que tenham dormido por muitas horas. O sono também é constantemente interrompido por causa da dor, e muitos pacientes apresentam outros problemas relativos ao sono, a exemplo da apneia e insônia.

Dificuldades cognitivas: para os portadores de fibromialgia, é mais difícil se concentrar, prestar atenção e focar em atividades que demandem esforço mental.

Dor de cabeça recorrente ou enxaqueca clássica, dor pélvica e dor abdominal sem causa identificada (Síndrome do intestino irritável).

Problemas de memória e de concentração.

Dormência e formigamento nas mãos e nos pés, palpitações, redução na capacidade de se exercitar.

Pois bem, agora vem a melhor parte:

 

O QUE EU APRENDI COM A FIBROMIALGIA...

 

Não sou de expor minha vida particular, nem tão pouco de comentar a respeito de minha saúde, mas há algum tempo que ensaio escrever sobre a fibromialgia.

Sim, eu tenho fibromialgia, mas ela definitivamente, não me tem.

Fui diagnosticada no início deste ano, depois de passar o final do ano passado com dores que nunca imaginei existirem. Eram tantas e tão fortes, que me lembro de não conseguir lavar os cabelos no último dia do ano. Nesse mesmo dia, também não conseguia me servir à mesa e acabei chorando em cima do prato. Passei parte do dia deitada, sentindo muitas partes do meu corpo “pulsarem” num compasso de dor que até então eu desconhecia.

Há algum tempo que me sentia cansada, acordava cansada e com dores. Cogitei estar com câncer nos ossos, porque sim, nessas horas a gente só pensa besteira. 

Mas passadas as festas de final de ano, e após muitos exames laboratoriais e físicos, recebi o diagnóstico de fibromialgia. Fiquei chateada, confesso. Afinal, a gente nunca quer ter nada. Senti-me culpada, como se eu por algum motivo tivesse causado essa doença. Bobagem! O que é pra ser nosso, é.

Agora vem a melhor parte: O que eu aprendi com a fibromialgia.

Sim, ela tem me ensinado muito. Com ela eu aprendi a deixar a bolsa e coração mais leves, carregando em ambos, apenas o estritamente necessário.

Aprendi também que não gosto de remédios e que sempre vou tentar ao máximo evitá-los.

Aprendi a “pilatear” e que o Pilates é excelente para meu corpo e minha mente.

Aprendi a reclamar menos, quando, em função da fibromialgia, me vi diante de um resultado falso positivo para lúpus.

Aprendi que cada momento é único e deve ser vivido como tal.

Reconheci o valor daqueles que nos amam e permanecem ao nosso lado, mesmo quando um simples abraçar é dolorido demais. Abraços são ótimos, mas quase dispensáveis quando a outra pessoa já mora dentro de nós.

Aprendi a respeitar meus limites, e isso não significa poupar-me de desafios, muito pelo contrário. Nunca gostei de muletas e jamais aceitarei o papel de vítima de qualquer situação.

Aprendi também que grupos de apoio, principalmente os da internet, na maioria das vezes, não apoiam ninguém.

Aprendi até a tomar chá, coisa que sempre detestei. Chá de camomila é muito bom. Suco de couve também. É... a fibromialgia está me ajudando a ser mais saudável.

Acima de tudo, reaprendi a gratidão, por tudo e por cada coisa. Sou uma mulher de 32 anos, professora, colunista de jornal, filha, namorada, amiga, tia (amo essa função e brinco até não poder mais com meu amado sobrinho), e... fibromiálgica. Deixei esse último adjetivo pro final, justamente por considerá-lo menos importante.

Sim, eu tenho fibromialgia, mas, definitivamente, ela não me tem.

Quem me tem mesmo são meus queridos: pais, irmãos, amigos, alunos, meu amor, a quem sou grata por cumprir mesmo antes do altar o juramento “na saúde e na doença”.

Eles continuarão tendo o melhor de mim!

Eu continuarei sendo a mesma doida de sempre.  Eu só sinto demais... tudo!

Obrigada a você que leu esse desabafo até o final e vivamos a vida com toda paixão e alegria possíveis!!!

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões: ana1lugar@yahoo.com.br

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