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Circo Brasilis

Por Ana Raquel Fernandes

 

Que patifaria! Expor um animal daquela beleza e grandeza, como mero figurante de um espetáculo ao qual nem eu nem o mundo gostaríamos de estar assistindo.

Se ela representa mesmo nossa grandeza devia estar livre em nossas matas, como livre devíamos ser nós mesmos enquanto nação.

Sinto-me enojada toda vez que minhas retinas cansadas desse mundo são obrigadas a ler relatos como o do assassinato daquela onça. Sinto-me enojada toda vez que penso em meu país como um circo eterno, onde, por total falta de criatividade, os números se repetem continuamente e o público se cansa de rir uma risada sem graça.

Mas teremos Olimpíadas! Não tenho absolutamente nada contra os esportes, muito pelo contrário, mas convenhamos que é muita hipocrisia o que envolve a realização desse evento. Por alguns dias fingimos ser o que não somos, fingimos ter o que não temos, e talvez o Brasil seja mesmo a terra do fingimento em todos os aspectos.

Sinto-me eu mesma aquela onça, não pela ferocidade, nem muito menos pela beleza, mas porque também, por muitas vezes, sinto-me uma mera figurante desse espetáculo horrendo em que tem se transformado o país que amo. E estou ciente de que meu fim será semelhante ao daquele belíssimo felino, porque é assim que agem os poderosos desde sempre nessa terra de ninguém. Enquanto servimos aos seus interesses, tudo bem, mas quando nossa natureza selvagem se revela e ousamos não compactuar com o circo, pronto, é o fim.

Foi assim com aquela onça, foi assim com nossos índios. Ainda é assim com nossos índios, apesar de a TV não noticiar os constantes ataques às suas comunidades.

Estou farta de tanta hipocrisia, confesso.

Os eventos que têm se seguido afetam-me profundamente. Tenho visto tanta injustiça nesse país, que chega a doer-me a alma.

Somos parte de um espetáculo da pior qualidade. Figurantes dessa pornochanchada contemporânea chamada Brasil.

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

 

 

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