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A vida é neblina

Por Ana Raquel Fernandes

 

Essas manhãs geladas e repletas de neblina têm me ensinado uma coisa: A vida é uma neblina.

E eu decidi que amo a neblina. Amo a forma como ela nos apresenta de forma diferente o mundo que julgamos conhecer. Ela o oculta de tal forma, que nos obriga à pergunta: - Será que ele continua lá, como sempre? Será que cada coisa está mesmo no lugar que outrora estava?

E o desafio da dúvida é o desafio do próprio viver.

E é assim que ela vai nos conduzindo à delícia do mistério. Se não conseguimos enxergar poucos metros à nossa frente, estamos ousando adentrar ao território do desconhecido. E o que é a vida, se não um adorável e eterno desconhecido?

Já faz algum tempo, que aprendi com a neblina e com a vida que não tenho o poder de controlar todas as situações. De fato, aprendi que não posso controlar nenhuma delas. E aprendi também, aos poucos e às vezes de maneira um tanto quanto dolorosa, que isso não é ruim, muito pelo contrário, enxergar a vida como a neblina que ela é, tira muito do peso de minhas costas e do meu coração.

A neblina me ensina do Altíssimo. Não porque eu ache que Ele se oculta de nós, atrás de nuvens ou fumacinhas fantasiosas. Não. Ela me ensina dEle, porque me diz muito sobre estar ansioso e sobre como não compreendemos muito bem seus planos até que se revelem totalmente.

Assim como na neblina, é preciso confiar que o que está por vir é infinitamente mais bonito que toda essa névoa, e olha que ela por si só já tem seu charme nesses dias frios que vivemos.

Como sou grata por esses dias frios e nebulosos. E ainda mais por cada nascer do sol que surge, majestoso, depois dos trechos de neblina, lembrando-me e aos mais atentos da beleza da vida que se renova em ciclos e jamais permanece inerte.

Posso parecer abstrata demais, ou sensível demais, mas o fato é que me deixo demorar nessas paisagens cotidianas e sinto mesmo que o Altíssimo se revela e revela também alguns de seus intentos através delas.

Com a neblina é assim. Eu converso com Ele em meio à aparente cegueira da neblina e, pasmem, são conversas extremamente esclarecedoras.

Que o Senhor da neblina siga nos ensinando a leveza de viver em sua companhia!

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

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