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De quem é a culpa?

Temos uma tendência de querer sempre achar culpados quando algo não muito agradável acontece. E, na maioria esmagadora das vezes, nunca somos nós esses sujeitos, a culpa é sempre do outro.

Na última semana, caros leitores, a imprensa bragantina que acompanhava a sessão da Câmara, de um modo geral, ficou aturdida com o que viu. O normal seria muitos protestos a favor do projeto que estava em votação, ou seja, contra o aumento nos salários dos vereadores, já aprovado em 2015, mas que estava novamente em discussão, havendo a possibilidade de cancelar o reajuste. Porém, o que vimos foi totalmente o inverso: um sonoro protesto a favor de salários maiores para os vereadores que serão eleitos em outubro deste ano.

E o resultado, como todos já acompanharam, foi a rejeição do projeto e a manutenção do salário de quase R$ 12 mil para o próximo mandato, para a alegria dos que vão concorrer ao cargo.

E de quem é a culpa, caros leitores?

Ousamos dizer que a culpa não pode ser atribuída apenas aos vereadores que votaram contra o projeto. Afinal, eles não estão lá por mero acaso. Foram eleitos por voto popular. Muitos deles também não estão em seu primeiro mandato, ou seja, receberam votos de confiança dos eleitores bragantinos pela segunda, terceira ou quarta vez.

A população bragantina parece estar alheia ao que está acontecendo na Câmara Municipal. E não se pode admitir que o horário das sessões seja usado como argumento para isso, pois há possibilidade de se acompanhar a reunião pela internet e também de assistir aos vídeos pelo canal da Câmara no YouTube, em qualquer horário, sem contar a divulgação que a maioria da imprensa bragantina faz semanalmente.

E querendo dar voz à população, o Jornal Em Dia usou a rede social Facebook para divulgar a possibilidade de que os leitores nos enviassem e-mails, registrando sua opinião. Na verdade, isso é possível a todo o tempo, pois ao recebermos e-mails os publicamos na coluna Em Dia com o Leitor. Porém, dada à gravidade e seriedade do assunto e como ele estava em pauta nesta semana, resolvemos dar mais ênfase a esse canal de comunicação entre nós e nossos leitores. Não recebemos um e-mail sequer a favor do salário maior. Onde estão, então, os manifestantes que tomaram conta da sessão da Câmara, defendendo o aumento?

Mesmo assim, constatamos que ainda são muito poucas as pessoas que se manifestam, que tomam partido de um lado ou de outro, dando até a conotação de conformismo com a situação, o que poderia nos levar a acreditar que a atitude da maioria dos vereadores está condizente com a vontade popular. Será que é isso mesmo?

A população bragantina precisa acordar e participar mais da vida política. Não se pode conceber que em um ano que os servidores da Prefeitura ficaram sem índice algum de reajuste salarial seja mantido um aumento de pelo menos 25% nos subsídios dos vereadores. Não se pode conceber que vereadores eleitos pelo voto popular levem à Câmara pessoas que sequer sabem o que estão fazendo para protestarem em defesa da sua vontade. Não se pode conceber que o momento de crise econômica que afeta o país e que já tem reflexos em Bragança Paulista, pelo menos desde o ano passado, seja ignorado pela maioria dos senhores vereadores.

Resta saber o que os eleitores bragantinos farão diante disso. Ficarão inertes como a maioria da população está quanto a esse e a muitos outros assuntos importantes do município ou mostrarão nas urnas sua revolta, deixando de eleger aqueles que não estão representando os interesses públicos conforme deveriam?

É uma pergunta que veremos respondida após 2 de outubro deste ano. Mas até lá, cabe a todos nós uma reflexão. Vamos continuar procurando culpados (o que é infinitamente mais fácil e confortável) ou vamos descruzar os braços, identificar soluções e fazê-las acontecerem? Os rumos da cidade para os próximos anos dependem dessa decisão.

 

Uma boa semana a todos!

 

 

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