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Sobre Deus e morangos...

Por Ana Raquel Fernandes

 

Seria uma manhã como outra qualquer, não fosse a novidade que todo dia pode oferecer, não fosse um capricho doce e cheiroso do Altíssimo.

Caminhava ao redor do Lago, era um domingo ensolarado, e eu insistia no exercício que tem aliviado minhas dores, apesar da preguiça de às vezes. Cumpria, determinada, meu objetivo matutino, e seria só isso mesmo, não fossem uns morangos.

Havia um senhor vendendo morangos, um senhor de uma educação extrema e gentileza semelhante. Disse serem orgânicos, depois, vim a saber que é quase impossível produzir morangos orgânicos, mas isso não tem importância.

O que realmente importa na minha história de caminhada e morangos é que eles, com seu cheiro doce e delicioso fizeram-me lembrar e sentir ali, no meio de uma atividade trivial, a presença de meu Senhor.

Comprei apenas duas caixinhas, não dispunha de muito dinheiro, mas o agradecimento que saiu da boca do vendedor encheu minha alma de alegria. Para agradecer-me pela compra dos morangos, ele disse:

- Obrigado! A senhora é muito gentil. Que Deus esteja com a senhora durante esta semana!

E ele está! O desejo do vendedor de morangos é uma realidade em minha vida.  De fato, está. Dia após dia, Ele se faz presente, seja no aroma dos morangos, ou na alegria simplista de poder caminhar ao sol numa manhã de domingo.

Deus está e se faz sensível nas coisas mais simples e belas. Ele está na terra e nas mãos abençoadas que dela tiram a doçura do morango. Está na dignidade do trabalho do homem do campo, no sol, na chuva, nas intempéries todas, na família que se senta à mesa para celebrar a vida.

Ele está de forma absoluta e incontestável na figura das mães, cujo amor é o único digno de ser comparado àquele com que Ele nos ama.

Eu comprei morangos, mas recebi muito mais que isso. Coisa rara em nossas relações capitalistas marcadas pela sede do lucro.

Ainda posso sentir o aroma que tomou conta do meu carro, enquanto levava os morangos para casa. E é como se sentisse o próprio cheiro do Altíssimo, doce e forte como o dos morangos.

E sou grata por mais essa surpresa: a de poder olhar a vida com olhos sempre vivos, despertos para os pequenos milagres cotidianos, treinados para reconhecer as peripécias de Sua Graça.

Sou grata por ser apenas essa menina inteiramente dependente dEle, e que, por acaso, também gosta de morangos.

Sou imensamente grata pelo anjo que Ele escolheu para acolher-me em seu ventre e em todas as intempéries da vida.

À sua vida, minha mãe amada, eu brindo com a alegria de viver nEle e para Ele, e rogo que Ele a siga sustentando em graça, saúde e alegrias!!!

 

Ana Raquel Fernandes é professora de Língua Portuguesa, subversiva.

Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

 

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