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Amor insano

 Por Ana Raquel Fernandes

 

Há muitas coisas pra mim que ainda permanecem um mistério. E não importa o quanto a ciência evolua ou o homem insista em autointitular-se sábio, há certas coisas que nem mesmo suponho compreender.

Aquela noite pra mim ainda permanece um mistério, talvez porque o amor seja isso mesmo, um mistério insondável.

Um Deus prostrado, entregue ao julgamento maldoso de pessoas de bem, e a um veredicto fatal. O homem capaz de dar vida aos mortos, como fez ao amigo mui amado Lázaro, ou visão ao cego de nascença, agora se vê pregado a uma cruz odiosa.

Um filho amado, abandonado pelo Pai. E eu me pergunto onde estava o Altíssimo quando Cristo, seu único filho muito amado foi humilhado, açoitado e morto por homens inescrupulosos?

Estava amando. E eu sei que essa afirmação pode soar completamente absurda e contraditória, mas era exatamente o que Ele estava fazendo através de seu filho. O amor insano de Deus foi quem o colocou naquela cruz. Amor que ultrapassa nossa rasa compreensão.

O Altíssimo se fez carne quando habitou na carne de Cristo, quando se permitiu ser macerado tal qual a carne de Cristo, quando amou com o amor mais absurdo que já existiu, por meio da pessoa de Cristo.

E o amor é assim mesmo, subserviente e sacrificial, nós é que nada entendemos dele.

Naquela sexta-feira tenebrosa, Deus entregou seu filho e a si mesmo à sorte horrorosa de que só o amor insano pode sofrer.

Morto em favor de homens baixos, mentirosos, mesquinhos e gananciosos como nós, Deus ousou mais uma vez, e agora definitivamente, amar!

E foi com esse mesmo amor que despertou seu filho amado naquele domingo maravilhosamente santo!

E é como se eu o pudesse ver, pai amoroso que era, aproximando-se do filho deitado, com o semblante tomado pela doçura que só quem ama possui, tocando-lhe, cuidadoso, como quem vai chamar o filho de manhãzinha...

E é como se o ouvisse dizendo, com sua voz forte e doce: — Acorda, meu filho, desperta! Você cumpriu sua missão, meu amado... Desperta e vai ter com aqueles a quem amamos.

Você consegue imaginar amor maior que esse? Um amor ser capaz de entregar um inocente em sacrifício por homens maus e esse mesmo amor, por tão forte, trazê-lo de volta à vida novamente?

Esse é o amor insano de Deus. Essa é a Páscoa. Muito, mas muito mais doce que qualquer iguaria desse mundo.

Ele vive! O amor venceu a morte. E posso senti-lo agora, enquanto escrevo essas linhas... Jesus está conosco, ele disse que estaria, e está, desde aquele domingo até o fim!

 

Ana Raquel Fernandes

Professora de Língua Portuguesa, subversiva. Críticas e sugestões para: ana1lugar@yahoo.com.br

 

 

 

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