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Persistência vence o autoritarismo na educação paulista

Enfim, uma boa notícia. Ainda que momentâneo, não se pode negar que o recuo do governador Geraldo Alckmin seja uma ótima notícia para todos aqueles que discordam de sua maneira autoritária e, até então, intransigente de agir.

A última semana foi decisiva para a vitória de milhares de jovens, que só pediam diálogo. Quem acompanhou o assunto deve se lembrar do que propôs Fernando Padula Novaes, chefe de gabinete do ex-secretário de Educação de São Paulo, em reunião com cerca de 40 dirigentes de ensino realizada no último domingo, 29, na capital, na qual lançou a criação de um “Dialogômetro”.

Como pode ser comprovado em áudio da reunião divulgado pela equipe do Jornalistas Livres, o governo praticamente declarou guerra a quem se opusesse a seus interesses e entre as estratégias para “isolar” e “desmoralizar” as ocupações de escolas da rede estadual estava o apoio da Polícia Militar e a tática do gerenciamento de percepção, que consistia em, por meio de parte da mídia, demonizar e desmoralizar as ações de estudantes, pais e professores em luta, enfatizando o “dialogômetro”, ou seja,  a lista de “oportunidades de diálogo” forjadas pelo governo, que, no fundo, não pretendia dialogar absolutamente nada, haja vista as afirmações do chefe de gabinete de que todos ali estavam em guerra, por isso tinham de organizar “ações de guerra” e que o governador assinaria o decreto para o pontapé inicial da reorganização no início da semana, o que, de fato, ocorreu. 

Com a reorganização, cerca de 300 mil alunos seriam mobilizados de escolas no estado; na Região Bragantina, cerca de três mil. 93 escolas seriam fechadas. E o que o governo tucano pretendia exatamente com isso?

Especialistas apontam que a reorganização escolar é, na verdade, uma forma de promover um ajuste fiscal para economizar e fazer sobrar dinheiro para investimentos em outras áreas, afinal, Alckmin já mostrou que para ele Educação não é prioridade, visto que, pelo segundo ano consecutivo, realiza corte no orçamento destinado à pasta, responsável pelo conhecimento e enriquecimento intelectual de uma nação.

Em ano de inflação em alta, mesmo com a greve de professores, Alckmin não concedeu reajuste à categoria. Escolas cortaram custos com impressões digitais, aquisição de material e manutenção do espaço físico, uma vez que as verbas encurtaram. A redução de 11% no quadro de professores também foi enfatizada por órgãos de imprensa, porém, a secretaria não detectou nenhuma anormalidade no quadro docente, de acordo com a coordenadora de Recursos Humanos da Secretaria Estadual da Educação, Cleide Bauab Eid Bochixio.

Diminuição de professores da rede, resultados pífios no Saresp, desde sua implantação, cópia e incorporação forçada de propostas comprovadamente falidas, adotadas e abandonadas pela educação americana e uma secretaria da qual o próprio agora ex-secretário estadual da Educação declarou sentir vergonha há duas semanas, são os saldos alcançados pela administração do PSDB, que figura há duas décadas no comando do estado, e, no que diz respeito à qualidade da educação, se nega a basear-se em dados empíricos, ouvir a comunidade científica, dialogar com especialistas da área, estudantes, pais e educadores. Pelo contrário, prefere unir-se a consultorias empresariais, destaque para a estrangeira Mckinsey, a mesma que apoiou o falido modelo americano, adotar medidas do livre-mercado e atacar ideológica e fisicamente estudantes que só pedem que o diálogo e o debate existam de fato e sejam estendidos por mais um ano antes da implantação da tão desejada reorganização.

Bombas de gás lacrimogêneo, polícia nas ruas contra jovens e adolescentes, pais, professores e sociedade em geral sendo colocados contra o movimento, acusação de infiltração de agentes políticos nas ocupações, retaliações com a suspensão de bônus para os servidores das escolas ocupadas, perseguição, mudança de postura da mídia, na qual boa parte de órgãos deixou de falar em ocupação e passou a usar o termo invasão para se referir à luta dos estudantes, realmente foi declarada a guerra, mas esse primeiro confronto foi vencido pela persistência pacífica dos estudantes paulistas, que estão de parabéns pela organização com que passaram todo o período de manifestação e mostraram ao governador que não é com autoritarismo que se avança, que se progride. E, como bem disse o jornalista Renato Guimarães em sua excelente matéria publicada no site: http://www.brasilpost.com.br/renato-guimaraes/alckimin-violenciaestudantes_b_8687642.html, intitulada A Guerra Santa de Alckmin contra os estudantes de São Paulo, “o bom combate está sendo combatido pelos estudantes. O seu combate é o combate do mal, da hipocrisia, do autoritarismo, da indiferença ao verdadeiro diálogo. É o governo do estado que fala em guerra” não os estudantes, que deixaram o conforto de seus lares e estão defendendo suas escolas, apanham de PMs e desmaiam em meio a bombas de efeito moral.

Que a guerra pela educação paulista continue, que os soldados (alunos, pais, professores, pesquisadores, comunidade em geral) participem dos debates com o governo do estado em 2016 e realmente cobrem dele ações que efetivamente resultem em melhorias. O estado mais rico do país não pode permitir que sua educação continue sendo sucateada e que novas medidas sejam impostas autoritariamente, sem debates ou consultas públicas.

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