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Folia com o dinheiro público: fim ou pausa?

Nessa semana, caros leitores, foi anunciado pelo prefeito Fernão Dias da Silva Leme que a Prefeitura não repassará em 2016 recursos para a Liesb (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista) ou para as agremiações carnavalescas. Nesse aspecto, a crise que se alardeia aos quatro cantos veio a calhar, e, ousamos dizer, foi até positiva.

Há muito tempo que a cidade está acostumada a repassar verbas exorbitantes para que sejam feitos os desfiles de Carnaval. Só em 2015, foram repassados R$ 617.400,00. E o que fazem as agremiações ou a Liesb para merecerem tal crédito?

A Liesb basicamente organiza o evento. Neste ano, as torneiras do dinheiro público foram levemente fechadas, mas por muitos carnavais, a Liga, que de independente nada tem até o momento, já que seu histórico de existência contradiz o significado da palavra escolhida para seu nome, comercializou camarotes e espaços na praça de alimentação, montados às custas da Prefeitura,  além de exclusividade de marcas de cerveja, por exemplo. Até que ponto é justo a Prefeitura dar de mãos beijadas dinheiro público para tal fim, qual seja, o lucro da entidade e seus dirigentes?

Analisando o que fazem as agremiações, pois bem, elas são contratadas para desfiles que nem sempre condizem com a verba que receberam. Especialmente as escolas de samba do Grupo de Acesso sempre deixaram muito a desejar em seus desfiles. Além disso, a maioria, para não dizer todas, das escolas de samba compra suas alegorias e fantasias de grandes agremiações de outros municípios e, se isso já não fosse o bastante, vendem seus desfiles para outras cidades da região. Então, que cultura está sendo alimentada com esses repasses públicos, a não ser a do lucro de meia dúzia de dirigentes de escolas de samba?

Caro leitor trabalhador, se você ganha um salário mínimo, no ano todo, você recebe R$ 9.456,00 de forma bruta, sem levar em conta os descontos e o décimo terceiro salário ou outros benefícios como férias. Mesmo assim, faça esta comparação, analise a quantia gasta neste ano, só com os repasses, e emita sua opinião. Quatro dias de folia valem tudo isso?

Outro aspecto importante a se levar em consideração é a quantidade de público que vai à Passarela Chico Zamper. Apenas nos dias de desfiles dos Grupos Especiais as arquibancadas ficam lotadas. Nos outros, pouquíssimas pessoas prestigiam o evento e já houve dias em que o Carnapraça, onde se gasta muitíssimo menos, reuniu mais gente que os desfiles na Chico Zamper.

Então, população bragantina, é chegada a hora de realmente repensar o modelo de Carnaval que se quer para a cidade. Apesar de ter a crise como fato desencadeador da medida, o prefeito Fernão Dias abriu um precedente poderoso para os próximos carnavais. Não se poderá mais admitir que a Prefeitura use tanta verba pública para uma festa de quatro ou cinco dias. Basta!

Por outro lado, a Liesb e as escolas de samba têm agora a oportunidade de fazer como a LBF (Liga Bragantina de Futebol) vem fazendo, provar que são realmente independentes, que podem continuar existindo sem dependerem do poder público, mostrar que trabalham mesmo em prol da cultura e, assim, arregaçar as mangas e ressurgir para o Carnaval de 2017.

A diversão é necessária, mas, nesse caso, a população vinha pagando altos preços pelo divertimento de poucos, o que não é justo nem moralmente aceitável. Esperamos que os próximos prefeitos tenham a coragem de tomar a mesma decisão, ou posição semelhante, mesmo sem crise.

Uma boa semana a todos!

 

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