O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player

Ficamos na mão

Nessa semana, alguns vereadores de Bragança Paulista elaboraram um requerimento para o Ministério Público (MP) pedindo providências para a questão da falta de medicamentos nos postos de saúde. O procedimento não chamaria tanto a atenção, a não ser pelo fato de que os vereadores estão se abstendo de fazer uma de suas legítimas funções: a de fiscalizar o Executivo.

A Secretaria da Saúde é a que mais vem sendo criticada na Câmara, desde o início desta legislatura. E motivos existem de sobra. Demora na marcação de consultas, exames e cirurgias e ausência de medicamentos foram alguns dos assuntos que motivaram cobranças dos vereadores nos últimos anos. Mas, mesmo após críticas e cobranças contundentes, ainda permanecem alguns problemas, como a falta de remédios generalizada nos postos da cidade.

Dois vereadores elaboraram pedidos para a abertura de CEI (Comissão Especial de Inquérito) a fim de investigar a atuação da ABBC (Associação Brasileira de Beneficência Comunitária) e tentar desvendar os possíveis responsáveis pelas falhas do setor. Porém, as iniciativas não prosperaram por falta de apoio necessário dos colegas. Os documentos não alcançaram o número mínimo de assinaturas necessárias para que uma CEI fosse instaurada.

Então, na última semana, quando o fato foi questionado, já que alguns vereadores não apoiaram a CEI, mas assinaram o requerimento ao MP, a justificativa de alguns foi que as CEIs eram mais abrangentes e que o requerimento dizia respeito apenas à falta de remédios.

Ora, e então por que, em vez de empurrar o problema para o Ministério Público resolver, os vereadores não fizeram uma terceira sugestão para abertura de CEI apenas sobre isso?

Para responder à pergunta, caros leitores, são necessárias algumas considerações. Paira no Legislativo bragantino uma preocupação dos senhores vereadores com o “ibope” que vão dar aos colegas. Tal preocupação vem sendo maior do que a de exercer a função de fiscalizadores e, com isso, alcançar melhorias à população. E como no ano que vem haverá eleições municipais, a possibilidade de um edil se destacar “às custas” de um trabalho coletivo, como a CEI, é algo para o qual alguns não querem contribuir.

Além disso, há que se levar em conta que há vereadores que atacam o Executivo, como se fossem da oposição, mas que, quando precisam de favores para seus eleitores, vão até o Palácio Santo Agostinho, telefonam para o prefeito ou secretários e acabam conseguindo ser atendidos. Apoiar uma CEI demandaria muito mais independência do Poder Executivo do que muitos têm.

Assim, ainda não sabemos qual o rumo que o Ministério Público irá dar para a questão e nem se a população pode esperar que resultados sejam colhidos a partir dessa possível investigação. O que sabemos é que ela foi deixada na mão por aqueles os quais esperava poder contar, afinal, elegeu-os por meio das urnas em 2012 e os vem subsidiando por meio do pagamento de impostos.

Uma boa semana a todos!

O conteúdo desta página requer uma versão mais recente do Adobe Flash Player.

Obter Adobe Flash player